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A Mítica Pamir Highway no Tajiquistão

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Por Rafael Ávila e Isabela Miranda

Chegamos ao Tajiquistão com uma mistura de sentimentos. A empolgação de viajar um país pouco explorado e montanhoso junto com nossos amigos suíços contrastava com a apreensão de dirigir na região autônoma de Gorno-Badakhshan, na fronteira com o Afeganistão por mais de 1.000km. Além disso, a permissão para ficar com o carro no país é de apenas 15 dias, então, não daria para fazer com todo o tempo que gostaríamos.

Ficamos apenas dois dias na Capital Dushanbe para fazer o visto do Quirguistão, a permissão para viajar na Gorno-Badakhshan encontrar o Simon e a Alex e comprar mantimentos para enfrentar uma região pouco povoada.

Tajikistan-17Conhecemos nossos amigos suíços na Geórgia e lá mesmo viajamos alguns dias juntos. Depois disso nos vimos novamente na Armênia, no Irã e a amizade só aumentava, então, os convidamos para viajar a chamada Pamir Highway no Tajiquistão juntos. Curumim cheio, pé na estrada e depois de 15 km veio à primeira dúvida. Vamos por cima ou por baixo? Umas folheadas no guia, perguntamos para a polícia, para um senhor na beira da estrada e as informações não batiam. Decidimos ir por cima, pelo passe mais alto e depois de cinco minutos por algum motivo decidimos ir por baixo, mas já era final do dia, então, dirigimos uns 50 km até pararmos em algo parecido com um vilarejo rural, algumas casas esparsamente distribuídas pelas estepes.

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Deve ter sido a primeira vez que nos negaram um espaço para acampar, certamente por nunca terem passado por essa situação antes. Fomos para o outro lado da estrada e meio desconfiados os moradores nos permitiram encostar por ali. No dia seguinte acordamos com um rebanho de cabras cruzando nosso acampamento.

Tajikistan-8Nesse dia chegamos à fronteira com o Afeganistão, apreensivos por tudo que se vê na mídia sobre o país, mas o que encontramos foram apenas belas montanhas do outro lado do rio Panj que separa os dois países. Às vezes uma ponte pouco vigiada cruzava o rio. A desconfiança ia sendo substituída por pura contemplação das belas montanhas, parte da cordilheira do Hindu-Kush, quando um novo problema na torre do amortecedor nos obrigou a dirigir vagarosamente por 10 km até o próximo vilarejo. Já era noite, quando terminamos um serviço de solda que durou mais de uma hora em uma oficina improvisada e que o simpático soldador nos cobrou apenas 20 reais.

Nos dias que seguiram pela Pamir Highway nos acostumamos com a tranquila vizinhança afegã e passamos a querer visitar o país. Sempre a mais de 2.000 metros de altitude, o calor dos países anteriores foi substituído por um frio constante, mas suportável. O cenário montanhoso nos mantinha sempre ocupados, enquanto dirigíamos e revezávamos os quatro na direção. As pessoas pouco acostumadas a turistas nos recebiam sempre com muito carinho e dormimos em seus quintais, ficaram com o Curumim, quando saímos para um trekking de dois dias, nos deram quarto e comida e fizeram do Tajiquistão um dos países mais queridos em toda nossa viagem.

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Seguimos sempre na beira rio Panj até o vale Wakhan, então, fomos rumo norte depois de 1.000km de fronteira com o agora desejado Afeganistão. É claro que uma viagem ao país ainda não é prudente, pois a tranquilidade da região fronteiriça não é reflexo da situação real do país, mas aguardamos o dia que será possível entrar naquela terra. Mais ao norte os cenários conseguiram ficar ainda mais bonitos no remoto lago Bulunkul e nos 3.960 metros de altitude do lago Karakul e entre paisagens que lembravam o Sul da Bolívia na região do Salar do Uyuni. Deixamos o Tajiquistão com pesar no coração, depois exatos 15 dias e cruzamos para as estepes e montanhas do Quirguistão.

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