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Alunos estão cada vez mais violentos

Em âmbito municipal, briga entre estudantes, desacato e ameaça a professores e diretores são as ocorrências mais comuns

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Um aluno de 13 anos da EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Professor João Bueno Júnior” levou para a escola uma réplica de um revólver. Mas antes da direção descobrir que era um ‘brinquedo’, o garoto assustou colegas no banheiro e houve correria pelos corredores da escola.

Os guardas Colombo e Francioli foram até a unidade escolar e apreenderam o simulacro. Eles apuraram que durante o recreio o adolescente exibia a arma no sanitário. Após entregar a arma a uma funcionária, os pais do aluno foram chamados e todos foram conduzidos à Central de Polícia Judiciária.

Lá, o estudante contou que a caminho da escola achou o simulacro de arma jogado no chão e que levou com a intenção de vender a outro aluno por R$ 40. Após ser ouvido, o adolescente voltou para a casa.

Mas essa não seria a primeira vez que o estudante apresentou mau comportamento.

Para se ter uma ideia, nessa mesma unidade de ensino outras três ocorrências foram registradas nesse ano envolvendo brigas entre os estudantes em sala de aula e ameaça a professor. Ex-alunos que provocam brigas na entrada e saída também foi registrada. Uma ‘guerra de banana’, um aluno que constantemente fica de cueca na sala para provocar a professora e até narguilê de caneta foram relatados nos Boletim de Ocorrência.

Nesse ano, a Guarda Civil Municipal e a Polícia Civil registraram outras 18 ocorrências em sete escolas municipais diferentes, envolvendo briga entre alunos, desacato a professores e diretores ou ato de vandalismo, como pichação e danos ao prédio escolar. Oito ocorrências envolvendo duas escolas estaduais também foram registradas. Em uma dessas escolas, na Zona Norte, um aluno ateou fogo na mangueira do hidrante, uma bomba caseira foi ateada no telhado de outro estabelecimento e furtos foram registrados dentro de outras escolas.

Educadores também relataram nas ocorrências que em alguns casos o comportamento é de retaliação, principalmente quando a direção comunica pais ou responsáveis sobre problemas ou quando os estudantes não querem cumprir as regras da escola. Há registro de ocorrência até contra pais que ofenderam os funcionários das escolas.

Particulares

Durante o levantamento de ocorrências, não foi encontrado registro envolvendo alunos de escolas particulares. O presidente do Sindicato dos Professores do Setor Privado, Eduardo Cézar da Silva, explicou que isso não significa que esses fatos não ocorram.

O que acontece é que os proprietários ou diretores não gostariam que o incidente viesse a público. Afinal, a escola particular é uma empresa. “E são casos administrados internamente e, em alguns casos, aquele aluno é convidado a se retirar da escola em um acordo feito com os pais”, explicou o sindicalista.

Isso ocorre quando o ato infracional, por exemplo, envolve o uso de entorpecente dentro da escola. Silva acredita que nesse caso a ação é mais aguda (expulsão). Isso acaba excluindo o aluno do meio em que vive. Já na escola pública o trabalho é outro, de resgate, acionando a rede de apoio, como Conselho Tutelar e serviços de saúde mental e apoio familiar.

Estaduais

As ocorrências em escolas estaduais são bem menores em relação às municipais. A assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que o registro de ocorrência depende da gravidade do fato e da vontade dos pais dos alunos envolvidos. A primeira ação é chamar os responsáveis na escola e discutirem medidas para lidar com o estudante e o problema apresentado. Segundo a assessoria, na maioria das escolas existe o ‘professor mediador’ que vai atuar junto com a família e isso melhora o relacionamento naquela unidade escolar.

A conselheira tutelar do município, Andréa Davidoski, exemplificou um caso recente da postura das estaduais em não registrar ocorrências. O conselho só foi acionado por uma escola estadual da Zona Norte quando a droga já estava circulando entre alunos. Tudo indica que foi uma mãe que percebeu a movimentação constante de jovens do lado de fora da escola e alertou a direção. “Quando soubemos, quatro alunos estavam envolvidos. E em outras situações ficamos sabendo de um problema quando ele já se instalou a seis ou oito meses, e em alguns casos é tarde demais para algumas providências”, comentou.

Pedro Gonçalves RH Prefeitura

Reflexo na Rede Municipal

O gerente da Divisão de Recursos Humanos da Prefeitura, Pedro José Gonçalves, ainda não tem parâmetros para medir o quanto a violência nas escolas tem afetado a saúde profissional dos funcionários. Mas já solicitou um estudo para o SESMT (Serviço de Engenharia em Segurança e Medicina do Trabalho), uma vez que os profissionais do magistério e também da enfermagem são os que mais possuem faltas e atestados médicos.

Mesmo sem dados oficiais, Pedrinho acredita que os professores estão cada vez mais deparando-se com situações que fogem da sua função principal. A medida que as famílias estão cada vez mais desestruturadas, os professores deixam de lecionar para mediar conflitos em sala de aula.

Pedrinho acredita que é preciso descobrir as causas da agressividade dos alunos. Alguns jogos, segundo Pedrinho, estimulam o conflito, a destruição de um oponente e nem todos os pais acompanham esses acessos dos filhos. “Seriam os jogos infantis? Porque o brincar de boneca e carrinhos faziam com que a criança usassem sua criatividade e hoje crianças de 5 anos já tem acesso a internet e isso aos poucos vai criando uma animosidade com o ser presente ao seu lado”.

Outro problema, muito comum é o de pais que julgam seus filhos como tendo um excelente comportamento, mas na escola ele se mostra diferente com colegas e professores. Pedrinho diz que frequentemente pais se colocam contra algumas medidas adotadas pela escola, como quando um professor muda o aluno de carteira ou chama a atenção, os pais se revoltam e passam a agredir a instituição escolar e os professores.

Judite de Oliveira Secretária Segurança Pública

PATRULHAMENTO

Denúncias ajudam a reduzir problemas

 A Secretária de Segurança, Judite de Oliveira, comenta que muitas das brigas na porta das escolas são marcadas pela internet e estão relacionadas a namoros. A sugestão para a direção das escolas è que um funcionário observe a movimentação nas imediações das unidades escolares, chamando as viaturas assim que houver suspeitas. “Porque próximo às escolas não tem que ter rodinhas. Caso não seja aluno da escola, não tem que ficar rodeando”.

Aos pais, Judite pede que observem o comportamento dos filhos, alguns são ameaçados por telefone, pelas redes sociais e acabam levando objetos cortantes nas mochilas para se defender. Lembrando aos pais que é importante também ver o que tem dentro das mochilas e bolsos das roupas.

O capitão PM Eduardo Jorge Marques conversou com algumas diretoras e determinou prioridade no patrulhamento nos horários de entrada e saída dos alunos de algumas escolas com maior registro de ocorrências. Viaturas com policiais de folga, em DEJEM (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho) foram destinadas aos locais.

 

 

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