Home»Destaque na Home»Ambulância do Samu é usada irregularmente

Ambulância do Samu é usada irregularmente

Socorrista alegou que não tinha como buscar o filho na Emei; funcionários estão respondendo a um procedimento interno

8
Shares
Pinterest WhatsApp

Uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi flagrada na segunda-feira (6) transportando uma criança de uma escola do bairro BNH até a residência de uma funcionária. A viatura era dirigida por um motorista e ocupada por uma técnica em enfermagem, mãe do menino transportado. Os funcionários, que não tiveram seus nomes revelados pela coordenação do Samu, estão respondendo a um procedimento interno, já que não houve autorização para esse transporte.

De acordo com o coordenador do serviço, Wagner Cezaroni, os dois servidores irão responder a processo administrativo após determinação do Consórcio Intermunicipal de Saúde “8 de Abril”, que é responsável pelo Samu. “Nenhuma decisão foi ou será tomada no calor dos acontecimentos. Fizemos um trabalho criterioso para colher as informações e identificar todos envolvidos”, disse. Wagner explicou que o “processo administrativo vai apurar toda a extensão do desvio de finalidade e definirá sobre eventuais punições dos envolvidos”.

Wagner
Wagner

Segundo Wagner, os responsáveis poderão ser enquadrados em penas que podem variar entre advertência, suspensão ou até mesmo a exoneração do cargo, já que o Samu não permite esse tipo de atividade voltada para fins pessoais. A decisão foi tomada na quarta-feira (8), após uma publicação em rede social feita pela servente de creche Aline Turati, 30. Ela contou que foi buscar sua filha na escola do Jardim BNH e viu quando uma das crianças foi levada por uma pessoa usando um uniforme de resgate e entrou na ambulância. Aline fotografou com um celular e, no dia seguinte, postou a foto e demonstrou indignação ao relatar em texto o “desvio de uma ambulância para mérito pessoal”.

A autora disse para a Gazeta que tomou um susto quando viu a ambulância e ficou olhando a ação, imaginando ser um salvamento. Ela comentou que se surpreendeu ao presenciar a socorrista saindo da escola de mãos dadas com o menino e entrando na viatura. Logo, ouviu comentários que a mãe da criança trabalha no Samu. Foi quando decidiu tirar a foto, mas não tinha certeza se deveria ou não publicar.

A decisão pesou depois de que Aline conversou com duas pessoas. Um amigo que definiu como ‘alguém muito especial’. Foi esse amigo que a lembrou que, em 2013, grávida do terceiro de seus cinco filhos, ela precisou ser levada até a Santa Casa, após o rompimento de sua bolsa. “Precisei de uma ambulância e liguei no Samu e me disseram que não tinha viatura disponível. Mas isso não é uma vingança é uma forma de fazer as coisas certas”, afirmou. 

“Me arrependi de ter publicado quando alguém me disse que a funcionária foi demitida, pelo ato. Não quero isso. Quero apenas que ela reconheça que errou. Mas depois me disseram que ele não foi mandada embora e fiquei aliviada”, pontuou.

 

Outro lado

Embora o Samu não tenha identificado os funcionários envolvidos. Através da rede social, a Gazeta localizou e identificou a técnica de enfermagem Vanessa Gomes, que confirmou ser ela a envolvida no processo administrativo. Ela explicou que naquele dia não conseguiu ajuda para buscar o filho na escola, então, decidiu pedir ao motorista da sua equipe que a levasse até a Emei.

“Só usei a viatura para pegar o meu menino na escola porque não arrumei ninguém para pegar ele por mim. Eu moro sozinha, não tenho ninguém para olhar meu filho e dependo do Samu para trabalhar. Foi uma coisa muito rápida que em momento nenhum atrapalhou o atendimento do Samu. Basta olhar os registros para ver que não tivemos nenhum chamado naquele período”, observou.

Sobre o processo administrativo, Vanessa informou que não esta afastada do trabalho, mas que também não esta trabalhando. “A determinação é para ficar em casa, aguardando a decisão do consórcio. Ainda não estou demitida. Mas soube que o resultado desse processo administrativo pode ser mesmo a minha demissão”, disse com a voz embargada. Em seguida, chorando, lamentou a exposição na rede social. “Acho que não precisava chegar a esse ponto de colocar no Facebook. Ela (a Aline) já ligou na ouvidoria, já fez a denuncia publicamente. O processo está em andamento e espero com receio pelo parecer final. Pra quê ficar aumentando esses comentários que julgam e machucam a gente? Errei, assumo meu erro, mas não sou uma corrupta como estão me classificando. Adoro meu trabalho e sempre busquei fazer o correto. Não precisava disso”, desabafou Vanessa.

O resultado final do processo administrativo deve ser concluído nos próximos dias.

Previous post

Vítima de golpe, aposentada perde R$ 9 mil

Next post

Busca pela vacina aumenta nos postos