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Após nova confissão, corpo de Ísis Helena é encontrado

Mãe da menina, Jennifer Natália, mudou versão e confessou que enterrou a filha ao revelar o local à Polícia Civil

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Nesta quarta-feira (29), o caso da pequena Ísis Helena Rosa Schotem, de um ano e 10 meses, ganhou um capítulo final. Isso porque, Jennifer Natália Pedro, 21, deu uma nova versão para o fim que deu ao corpo da filha que até então estava sendo procurado nas águas do Rio do Peixe, em Itapira. Vale lembrar que segundo Jennifer, após a menina amanhecer morta por engasgamento, ela foi até o bairro rural conhecido como “Duas Pontes” e colocou Ísis no rio.

Em nova entrevista coletiva concedida na tarde desta quarta-feira (29), o delegado seccional de Mogi Guaçu José Antônio Carlos de Souza, informou que no final da tarde da última terça-feira (28), por volta das 17 horas, recebeu um telefonema da penitenciária feminina de Mogi Guaçu dizendo que Jennifer queria falar com ele. “De certa forma eu ganhei a confiança dela e quando cheguei lá ela disse que não estava aguentando mais e queria contar onde realmente estava o corpo da filha”, relatou o seccional que enfatizou que, pelo fato de Jennifer ser uma pessoa fria e calculista, ele optou em ir ao encontro do corpo da criança na mesma hora.

“Pelo perfil que ela tem, eu fiquei com medo de deixar para o dia seguinte e ela mudar de ideia”, completou. Com isso, após conseguir autorização da Justiça, o delegado seccional e Jennifer foram até a região das “Duas Pontes”, em Itapira, acompanhados do médio Mauro Moreno do IML (Instituto Médico Legal) de Mogi Guaçu, de um agente penitenciário e de uma investigadora da Polícia Civil. “Chegamos lá entre 20h e 21h da noite e ficamos procurando o corpo até umas duas horas da manhã com a ajuda da Defesa Civil”.

Souza explicou que, ao chegar ao local, Jennifer apontou que guardou a moto à direita, pegou a mochila com o corpo da filha e uma sacola branca e se dirigiu à esquerda, onde se embrenhou no meio da mata, colocou a mochila no chão, cavou um buraco com uma colher de pedreiro que pegou do tio, tirou o body cor de rosa e a fralda da menina e jogou no rio e em seguida enterrou Ísis nua. “Ela apontou que tinha feito a cova por ali e nós ficamos cavando em vários pontos até às duas horas da manhã, sendo que nada foi encontrado”.

Na quarta-feira, as 07h00, as equipes voltaram ao local e finalmente encontraram o corpo da pequena Ísis Helena. “Desta vez, foi questão de 20 minutos até localizarmos o corpo. Se tivéssemos cavados mais quatro dedos na madrugada anterior tínhamos encontrado, mas eu acredito que esses pontos são desígnios de Deus”, pontuou o delegado que enfatizou que trata-se de um caso muito triste.

O corpo de Ísis Helena foi encaminhado ao IML de Mogi Guaçu, onde passaria por necropsia e em seguida seria liberado para a família realizar o enterro que aconteceu na tarde de quarta-feira sob forte comoção. A expectativa é de que os resultados que vão apontar a causa da morte saiam o mais rápido possível.

NOVOS FATOS

Seccional relata diálogo entre Jennifer e sua mãe

O delegado seccional informou que a nova versão dada por Jennifer Natália Pedro trouxe algumas novidades, como o conteúdo que estava na sacola branca que ela carregava no braço. “Dentro da sacola havia um recipiente de refrigerante e uma pá de pedreiro que ela pegou do tio e usou para fazer a cova”. O objeto foi apreendido e apresentado pelo delegado à imprensa. Jennifer também contou que o corpo de Ísis não estava cabendo na mochila e ela teve que apertar bem o cadáver para conseguir fechar o zíper. Com relação à circunstância da morte, a mãe da criança revelou que tentou limpar as vias aéreas da filha e também realizou massagem cardíaca nela. Com isso, a versão de que a menina teria amanhecido morta após tomar remédio para febre e uma mamadeira continua sendo a mesma, assim também como o fato do medo que ela sentiu em contar o que havia acontecido, já que contra ela havia denúncias de maus-tratos.

Souza contou que fez um trato com Jennifer e, na manhã de quarta-feira, levou a mãe dela até a penitenciária para ela contar pessoalmente o que tinha feito com o corpo de Ísis. “Ela abraçou a mãe dela e chorou”, relatou Souza que ainda disse que presenciou um pequeno diálogo entre Jennifer e sua mãe. “A mãe dela perguntou: Você matou minha neta? e Jennifer respondeu: Mãe eu não matei a Helena, foi acidente”.

Com isso, o delegado também enfatizou que a mãe de Jennifer, avó materna de Ísis Helena, não sabia de nada e não teve participação no crime. “Temos elementos técnicos que provam que ela não tem nada a ver com tudo o que aconteceu e a população precisa saber disso”, reiterou.

 

INDICIAMENTOS

Souza também ressaltou que Jennifer continua com os mesmos indiciamentos, ou seja, de homicídio doloso, quando há a intenção de matar, e de ocultação de cadáver. “Acredito que aqui entra o dolo específico, a intenção que ela teve de ocultar o cadáver, já que ela tirou a roupa e a fralda e jogou no rio, separando as provas”. Além disso, ela negligenciou o cuidado que deveria ter com a filha.

O seccional também informou que a vaga de Jennifer em Tremembé já está disponível e que, em momento oportuno, ela será transferida para a unidade, onde ficará até o seu julgamento.

DESABAFO

O delegado seccional aproveitou a coletiva de imprensa para dizer que, nesta semana, um veículo de imprensa de forma irresponsável divulgou que Ísis Helena estaria viva. “Uma imprensa sensacionalista. Não estou falando de todos. Eu respeito a imprensa”, pontuou.

Segundo Souza, a fake news causou sofrimento na família paterna da vítima. “Isso é um absurdo”, disse o delegado ao pedir que a imprensa tenha respeitou pelos órgãos públicos e as autoridades constituídas. “Não pode uma irresponsabilidade dessa colocar um trabalho todo a perder”.

Após o desabafo, Souza disse que respeita e tira o chapéu para 99,9% da imprensa. “A imprensa sempre foi uma parceira da polícia”.

A notícia que circulou em uma emissora de TV dava conta de que Ísis estava viva em um cativeiro e que a pessoa que estaria com ela queria receber um resgate de R$ 20 mil.

 

 

Fotos de Itapira: Paulo Bellini/Tribuna de Itapira/Itapira News

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