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Artigo: 9 de julho – dia de lembrar dos heróis paulistas

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9 de julho de 2020 completaram-se 88 anos da Revolução de 32, que eclodiu após a morte dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C). Foi dia de nós paulistas nos lembrarmos da valentia e da bravura dos industriais, profissionais liberais, estudantes, donas de casa, camponeses e trabalhadores comuns que lutaram pela liberdade e pelo direito de termos um país submetido à lei, a uma constituição, ao estado democrático de direito.

Em tempos onde governadores e prefeitos se escondem atrás do combate a pandemia do coronavírus para empregar medidas totalitárias, que violam as liberdades individuais, é necessário rememorar os atos dos “nobres paulistas” que tombaram lutando em prol da liberdade contra o fascista mais adorado pela esquerda brasileira: Getúlio Vargas.

No final do mês de agosto de 32 a guerra deliberadamente se iniciou, e assim as tropas federalistas chegavam a Eleutério, distrito próximo a Itapira, onde um combate feroz se estendeu por duas semanas. Com os constitucionalistas sem a devida estrutura bélica, a luta ficara marcada pelos constantes pedidos de munição e tropas por parte do Comandante João Dias ao Tenente Coronel Francisco Julio César Alfieri e ao Coronel Herculano de Carvalho e Silva, ambos Comandantes de São Paulo.

Em telegramas, reproduzidos pelo Portal SP in foco, o comandante João Dias descreve a situação dramática de sua tropa frente ao inimigo: “Apenas 400 homens protegem frente diminuta do morro do Gravi em defesa de Mogi Mirim; insuficiente essa proteção; acabo embarcar para São Paulo 800 estropiados… Comando tropas que tem pavor do inimigo, abandonam as linhas em massa, procuram a retaguarda… peço permissão hoje mesmo passar comando tte. Cel. Rocco… saudações” {…} “Situação Itapira agrava-se, combate recrudesce, inimigo reforçado e renovado; nossa tropa extenuada está impossibilitada continuar luta. Chove torrencialmente. Há falta de munição, mesmo com esta e sem tropa fresca não poderemos resistir e seremos vencidos; urge providências imediatas”.

Sem o pedido de resgate das tropas poder ser atendido, em 4 de setembro, com suporte aéreo, tropas federais tomariam o morro do Gravi (Itapira), local onde até hoje acontecem homenagens aos combatentes que deram seu sangue numa guerra assimétrica, os quais perderam nas trincheiras, mas venceram nos ideais.  Como resultados políticos, em 1933 – Armando de Salles Oliveira – um dos líderes da Revolução, foi nomeado interventor de São Paulo, e em 1934 foi promulgada uma nova Constituição Nacional. Como conquista histórica, em 2011, os jovens estudantes que deram nome ao movimento, M.M.D.C, foram inscritos no livro dos heróis da pátria. Com estes “homens” devemos aprender que a luta pela liberdade jamais será vã.

Para finalizar, deixo o soneto de 32 escrito pelo brilhante professor Rafael Nogueira, atual presidente da Biblioteca Nacional do Rio de janeiro:

Soneto de 32

Mais uma vez ao Brasil flagelava,
anarquia, opressão, fraude e desmando.
Cego, ao ideal de 30 jurava,
menos a gente alheia ao comando.

Contra o anão que a lei abjurava,
o povo cobrava: “e aí, até quando?”
O jovem paulista que então se armava,
seu nome a história ia sulcando.

O grito contido ninguém calou:
“MMDC! A luta deflagrou!”
Povo alerta, ninguém silencia.

E enquanto se erguia abuso tão vil
São Paulo ia, só, à guerra civil
Honrar a justiça e a democracia!

 

Adriano de Oliveira Barros é articulista e graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Franca

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