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Artigo: A vida em risco

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 “Vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu montador chamava-se ‘ a morte’ e o Hades a acompanhava. Foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da terra, para que exterminasse pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras da terra” (Ap 6,8).

Quando vi as notícias sobre a liberalização do uso de drogas no Brasil fico mais preocupado com a opção pela morte que se instala em nosso país. Se, como diz o ministro do Supremo Tribunal cada pessoa deve ter direito de carregar consigo o que vai consumir, fica estabelecido que nós poderemos ver a morte se espalhando de maneira mais rápida que as câmaras de gás da segunda grande guerra.

Creio que todos nos lembramos das tragédias que as “drogas” lícitas como o álcool das cervejas e os produtos químicos inalados pelos cigarros já causam na vida de inúmeras pessoas e suas famílias. Bebida alcoólica é a maior responsável por mortes no Brasil, ocasionando doenças ou pelo elevadíssimo numero de acidentes de transito como fruto da irresponsabilidade de motoristas bêbados. Drogas “legais” causam mortes desnecessárias e trágicas.

O cigarro é ainda mais agressivo, pois faz adoecer o fumante involuntário, aquele que é obrigado a ficar cheirando a fumaça dos viciados mal educados que assopram a fumaça toxica no nosso rosto até mesmo em festa de aniversário de crianças. Fazem pose para mostrar o vício e a pouca conta que têm com sua vida e o desrespeito pelos que não fumam.

Legalizar as maconhas e cocaínas para uso dos que as consomem, não deverá fazer o tráfico das mesmas diminuir. Vejamos quantos caminhões de cigarro contrabandeado se apreende no Brasil e quanta bebida adulterada, contrabandeada é recolhida pela Polícia Federal. Será que com a descriminalização das drogas, o traficante vai se tornar profissional autônomo, recolher o INSS edeclarar imposto de renda? Quemconhece o problema que o vício acarreta não pode aceitar que as cracolândias se espalhem com amparo legal. Aceitar esse tipo de proposta não moderniza o Brasil e muito menos decreta a liberdade dos dependentes, e sim libera o suicídio lento, gradual e com apoio legal. Politicamente correto, legalmente amparado e moralmente inaceitável.

Há quase duas décadas, nas festas da paróquia Imaculada Conceição em Mogi Guaçu não comercializamos bebidas alcoólicas. Desde a Campanha da Fraternidade do ano 2000 que abordou o tema, fizemos a opção que julgamos coerente. Não podemos ser hipócritas ao ponto de obter lucros nas nossas quermesses à custa de vender dúzias e dúzias de bebida alcoólica que é a origem de muitíssimas agressões familiares. Nem cerveja, nem quentão e nem vinho quente. Não se pode pensar que alguém começou sua dependência numa festa de Igreja.

O Código Brasileiro de Transito, apesar do bafômetro e das penas mais duras, não conseguiu trazer para perto de zero os números de acidentes causados por álcool ou drogas. As diversas reportagens sobre o tema, os acidentes depois de festinhas o atestam. É preciso uma mudança nos costumes, nas propagandas, nas opções e não seguir a onda do individualismo que busca realizar todos os prazeres e que desemboca na morte prematura. Quanta gente se beneficia e quantos morrem antes do tempo por causa do uso e do trafico de “coisas” ilícitas?

A “Pátria Educadora” precisa investir em educação de qualidade, investir na formação dos professores, na modernização da escola pública, incentivar a escola em tempo integral porque “ um país se faz com homens e livros”. Enquanto se diminuir o orçamento para a Educação e triplicar o dinheiro dos partidos políticos, vamos viver esse drama. O cavaleiro esverdeado a que me referi acima vai deitando e rolando.

É mais que urgente escolher, acompanhar, defender e proteger a vida das pessoas e nos posicionar contra tudo o que diminui, desrespeita, agride e tenta diminuir o grande dom que Deus nos deu.

 

João Paulo Ferreira Ielo é pároco na Paróquia Imaculada Conceição

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