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Artigo: Aliança pelo bem e pelo futuro de Mogi Guaçu

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Desde 2018 os guaçuanos estão assistindo a novela em que se transformaram as obras de mobilidade urbana orçadas em R$ 29 milhões. Infelizmente, ao contrário da ficção, não haverá final feliz nesse caso. E, como sempre acontece em situações que envolvem o descaso com o dinheiro público, quem mais perderá será o cidadão. Vou relembrar o caso para que fique bem clara toda a trajetória que nos trouxe até o impasse atual.

A Prefeitura enviou à Câmara, em 2018, um projeto que permitia estabelecer contrato com a Caixa Econômica Federal para empréstimo de R$ 29 milhões destinados a várias obras. Entre elas, a construção de duas pontes sobre o Rio Mogi Guaçu e a duplicação da Avenida Brasil, que são de extrema importância. Mas, marotamente – para usar um termo bem leve -, a Administração Municipal incluiu no projeto obras que estão longe de serem consideradas prioritárias, como o corredor de ônibus. Não por acaso, esta última está sendo construída em avenida que leva o nome do pai do atual prefeito. Para atender a interesses no mínimo questionáveis, a Administração Municipal valeu-se do que no meio político é chamado de “jabuti”, ou seja, um projeto que não é prioridade anexado junto a outro de real importância.

Esse “jabuti”, especificamente o que se refere à Avenida Alíbio Caveanha, teve como consequência a derrubada de centenas de árvores no Jardim Novo com a alegação de que há a necessidade de construir um corredor de ônibus naquele local. A população acertadamente protestou, mas em vão, porque o verde deu lugar a uma paisagem devastada. O contrato entre a Prefeitura e a Caixa foi aprovado na Câmara em 2018. E parte das obras já estava em andamento quando há pouco mais de um mês a Caixa suspendeu o repasse de recursos. A Caixa exige mudanças na lei que trata das garantias oferecidas pelo município de que irá honrar com o pagamento devido. Para seguir com a liberação do dinheiro, quer que o município dê como garantia os recursos oriundos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). E para isso é necessária alteração na lei. Mas a Câmara não aprovou essa mudança.

Há pouco mais de 45 dias as obras estão paradas graças a esse impasse. E a Caixa deu prazo também de 45 dias para que o problema seja solucionado. Do contrário, o contrato será rompido. E com isso, o município pode ser obrigado a devolver os recursos já aplicados nas obras iniciadas, um montante estimado em cerca de R$ 2 milhões. Isso significa que, além de não ficar com obra alguma, a cidade terá um imenso prejuízo. E quem vai arcar com esse custo seremos nós, os cidadãos.

A tentação de tirar proveito político da situação, principalmente em ano eleitoral, é grande. Mas as rivalidades devem dar lugar à razão. Por todos os lados que se analise o caso, a solução mais coerente é, sim, aprovar a alteração no projeto. A administração Municipal cometeu um descalabro ao incluir em um projeto tão importante obras desnecessárias, como o corredor de ônibus. Ninguém com espírito crítico nega isso. Mas a população não pode ser penalizada agora por um erro que deixou de ser corrigido em seu devido tempo. O mal maior está feito, mas cabe à Câmara optar pelo “mal menor”, que é aprovar a alteração no projeto.

Tenho profundo respeito pela Câmara e seus membros. Assim como também respeito os adversários políticos da Administração Municipal e lembro que eu também sou crítico do atual Governo Municipal, que se omite e ignora as prioridades da população. Mas não é hora de se dividir entre situação e oposição. Proponho aqui uma união de forças que deixe de lado as rusgas, as diferenças e as rivalidades. É preciso atuar em prol daquilo que une a todos: o bem-estar da população. Como eu disse no início, não há final feliz para essa história. Todos vão sair perdendo.

Mas quem deve perder menos é o cidadão guaçuano. Políticos vão e vêm, mas a população permanece. E a mais prejudicada será esta última. Esse é um momento ímpar para se mudar o jeito de fazer política. Porque para consertar esse erro, a união deve prevalecer sobre a discordância. Não se pode esquecer que a história sempre nos julga. Que este seja então lembrado como um momento em que a unidade esteve acima das diferenças, prevalecendo a união e o bom senso.

 

Professor Edson Domingues é professor e pré-candidato a prefeito

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