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Artigo: Canudos: A ponta do Iceberg!

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As discussões sobre meio ambiente e o futuro se tornaram mais acaloradas nos dias de hoje. Isso porque, segundo vários estudos, sendo um deles realizados pela Ellen MacArthur Foundation, em parceria com a McKinsey, diz que haverá em 2050 mais plástico do que peixes nos oceanos. Outro estudo, realizado por uma equipe de pesquisadores, publicada pela Sciences Advances, revela que apenas 9% do plástico produzido no mundo são reciclados, sendo considerada a menos eficiente entre todos os outros produtos recicláveis, como o papel (58%) e o ferro (70 – 90%), fazendo com que os produtos feitos de plástico sejam considerados um dos maiores problemas para o meio ambiente.

Fala-se muito sobre alternativas para um meio ambiente mais saudável. Criam-se vilões e soluções, porém, quais as suas viabilidades e impactos na sociedade? Qual é a sua eficácia? E os seus efeitos colaterais? O tão criticado “canudinho de plástico” é um dos últimos casos. Apontado com o “grande problema”, pelos problemas causados às tartarugas marinhas, levou à criação de projetos de leis em diversas cidades do Brasil, onde sua distribuição é regulamentada, de forma a ser reduzido o seu uso, ou até mesmo, extinguir a distribuição do mesmo. Alternativas foram criadas, como canudos biodegradáveis ou compostos por materiais que permitam uma “longa vida” ao produto.

Em um passado não muito distante, seguindo a mesma linha, o uso da sacola plástica também foi regulamentado e, de certa forma, restringido e, da mesma forma, alternativas foram criadas. Sacolas biodegradáveis (as quais eu tenho ressalvas), embalagens feitas de produtos alternativos e embalagens retornáveis são alguns exemplos dos métodos utilizados para “sanar” a inconveniência gerada ao transportar as compras, por exemplo. Então o tempo passou; liminares apareceram, e o uso da sacola foi novamente permitido (com algumas exceções). Com tantas discussões, a coisa mais animadora observada, é a própria consciência de grande parte da população, que além de muitas vezes criar alternativas aos “inconvenientes” causados pelas restrições, também viu a necessidade de uma redução no consumo e na utilização de produtos descartáveis.

Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês), o Brasil é o quarto maior gerador de lixos plásticos do mundo, mas, infelizmente, possui números desanimadores de reciclagem desses resíduos, de apenas 1,29%, sendo um índice muito abaixo da média mundial de 9%, que já é considerada baixíssima. Ao associarmos esses estudos, podemos observar que as sacolas e canudos são apenas uma pequena parte de todo um problema, e que simplesmente restringir seu uso apenas mascara um grande problema mundial: a destinação correta dos resíduos plásticos e seu tratamento ideal.

Para entendermos um pouco mais sobre a gravidade desse problema, precisamos entender que devido à alta resistência, aliada ao baixíssimo custo de produção, faz com que o plástico seja usado em larga escala na indústria, muitas vezes substituindo metais, borrachas, e outros materiais. Sua resistência é tanta que nenhum organismo no nosso planeta consegue o decompor com facilidade, e seu custo de produção é tão baixo, que o torna um produto altamente descartável. Ao observarmos esses fatores, podemos entender a complexibilidade do problema, pois tais características altamente atraentes tornam difícil a substituição do plástico por outros produtos sem que isso cause elevação nos preços e até mesmo atinja as demandas de produção de tais produtos.

Com uma diversidade tão grande de produtos, e um uso em tão grande escala, podemos perceber que canudos e sacolas plásticas são apenas uma minúscula parte desse problema, e que a simples proibição ou restrição do uso desses produtos, seria uma remediação praticamente irrisória e superficial vista a gama e demanda da produção de produtos plásticos.

 

Júlio Cesar Xavier da Silva é engenheiro ambiental e proprietário da empresa de reciclagem de plásticos SustenPlás

 

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