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Artigo: Canudos: A saga continua

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Recentemente, escrevi um artigo citando o canudo, porém com enfoque em plásticos e a reciclagem de plástico. Poucos dias antes da publicação do mesmo, mais uma vez a discussão em torno do plástico veio à tona. Isso porque, dessa vez, o prefeito da cidade de São Paulo proibiu a circulação, não só de canudos plásticos, mas também de todo o tipo de plásticos descartáveis, como copinhos, garfos, facas, sacolas, entre outros, com pena de advertência e até mesmo multa em caso de descumprimento.

Então resolvi continuar com minhas pesquisas, e encontrei um estudo realizado pela empresa Braskem, publicado pelo site da Picplast (www.picplast.com.br), que fez uma análise do ciclo de vida (ACV) dos canudos de plástico, e também de canudos feitos a partir de materiais alternativos, como papel, vidro, aço, bambu e juta, com o intuito de analisar os impactos negativos de cada um dos produtos ao meio ambiente, considerando nove categorias, entre elas: mudanças climáticas, o uso de recursos (como a água), o uso do solo, geração de gases nocivos, e uso energético, por exemplo. Também foi analisado os produtos com base em reutilização de 1000 vezes e 100% reciclados (em caso de materiais reutilizáveis, como aço, vidro e bambu), e descartados em aterros com apenas uma utilização (casos de papel, juta e plástico).

Negando todas as teorias criadas, o estudo mostra que, em ambos os cenários o plástico é de longe o material mais ecológico, marcando menos de 50 pontos de índices de impactos ambientais, sendo que o segundo colocado da lista, o papel, marcou quase 250 pontos de índice de impacto ambiental. A juta teve pouco mais de 400 pontos, o aço pouco menos de 400 pontos, o vidro em torno de 475 pontos, e o bambu esteve próximo aos 500 pontos.

Analisando esse estudo podemos ver que ainda existe muita falta de informação relacionada ao meio ambiente. Existe um apelo muito forte pela utilização de materiais alternativos para a substituição de produtos de materiais plásticos, porém, não se analisa o impacto que esses produtos alternativos podem causar.

Um exemplo recente de produtos criados a partir de materiais alternativos, são as sacolas de mandiocas. Pelo fato de serem altamente biodegradáveis, as sacolas de mandioca são consideradas sustentáveis, pelo fato de serem altamente biodegradáveis, porém não é levado em conta o consumo de água para irrigação, o uso do solo, (que pode aumentar o desmatamento), o uso de agrotóxicos, o empobrecimento do solo, o que pode torná-las mais prejudiciais ao meio ambiente do que as próprias sacolas plásticas.

Não tenho a intenção, ao apresentar esses estudos, de defender o uso do plástico, mas sim, chamar a atenção para um problema muito maior. Mais do que simplesmente criar fontes alternativas, é preciso saber quais os impactos reais dessas novas fontes, para assim analisarmos se elas são de fato realmente mais sustentáveis do que os produtos plásticos. Para isso é necessário fazer uma análise profunda em todos os impactos causados, para assim chegarmos a uma conclusão.

 

Júlio Cesar Xavier da Silva é engenheiro ambiental e proprietário da empresa de reciclagem de plásticos SustenPlás

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