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Artigo: Chico Amaral

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Francisco Amaral, o Chico Amaral, morreu em 28/01/2016, um dia antes de completar 94 anos (nasceu a 29/1/1922). Ele foi prefeito de Campinas e por várias vezes deputado federal. Era muito ligado a Mogi Guaçu. Fez dobradinha com o saudoso Miguel Martini (PDT), candidato a deputado estadual e ele, pelo PMDB, que concorreu a deputado federal. Com o apoio de Carlos Nelson Bueno, de quem era amigo.

Chico Amaral teve grandes passagens na nossa história política. Uma delas se refere ao ex-deputado Márcio Moreira Alves, que pronunciou um histórico discurso na Câmara Federal contra o governo militar pela perseguição aos estudantes. Esse pronunciamento causou o Ato Institucional nº 5 (AI-5). Para não ser preso, Marcito, como era conhecido, fugiu para Campinas refugiando-se na casa de Chico Amaral e depois em um apartamento de Magalhães Teixeira, o Grama. O fato foi relatado na biografia de Grama, escrito por Luiz Guilherme Fabrini e José Manuel Lourenço, Editora Pontes, 2003.

Segundo os autores, enquanto Costa e Silva editava o AI-5, em 13/12/1968, com prisões e outras arbitrariedades, Marcito “tomava uma cerveja na casa de Chico Amaral, em Campinas. Mas os agentes da Polícia Federal estavam em seu encalço, só que no lugar errado”. Adiante informam: “No início da tarde do dia 13, o homem mais procurado do Brasil já descansava tranquilamente na casa de Francisco Amaral. (…) Mas sua tranquilidade duraria pouco. Ao assistir o anúncio do AI-5, Márcio disse para Amaral: (…) – Olha eu tenho que sair daqui. A tua casa também não é mais segura. Diante disso que a gente está vendo na TV, ela também pode ser invadida e você pode ser preso. Preciso de um outro lugar para ficar. (…) Amaral virou-se para Grama [Magalhães Teixeira] e perguntou: — Você não pode abrigar o Márcio? (…) — Posso, claro. Eu tenho um apartamento no centro e posso levá-lo para lá. É um apartamento pequenininho, quarto e sala, mas dá – respondeu o amigo”. Os autores informaram ainda: “Márcio Moreira Alves ficou oito dias e algumas horas em Campinas. Sete deles escondido no apartamento de Grama, sem sair à rua uma vez sequer”.

Por este ato de coragem para proteger um amigo, deputado perseguido pelos militares, corria o risco de também ser preso, como relatam os autores: “Francisco Amaral tinha plena confiança de que Campinas era o lugar ideal para esconder Márcio Moreira Alves, em razão de a cidade abrigar três unidades militares na época. Só não se deu conta de que sua casa oferecia um risco enorme. Deputado dos mais atuantes e muito bem quisto (sic) pelos campineiros, sua residência (…) vivia cheia de gente e de visitas importantes”.

Esse político solidário, atuante e muito bem quisto que perdermos no dia 28/1/2016. Campinas e região, Mogi Guaçu entre essas cidades, lamentam essa grande perda. Nesta época em que os políticos de um modo geral estão desacreditados, Chico Amaral é um exemplo a ser seguido!

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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