Home»Artigos»Artigo: Deitado na manjedoura de Belém, Jesus é o rosto da misericórdia

Artigo: Deitado na manjedoura de Belém, Jesus é o rosto da misericórdia

0
Shares
Pinterest WhatsApp

Chega mais uma celebração do Natal. Cristo renasce em nossas vidas. Ele vem e não nos pede muito, apenas um espaço onde possa aquecer o nosso coração, e quem sabe receber um pouco de nosso calor humano.

No Natal celebramos o nascimento de Jesus, o Filho de Deus que assume a condição humana. A salvação entra definitivamente em nossa história pela porta dos pequenos, e a contemplamos na singeleza do Menino de Belém, na visita dos pastores e dos magos ao presépio, no Batismo de Jesus no Jordão, quando o Pai proclama que esse é seu Filho amado a quem devemos ouvir.

O Natal desse ano reveste-se com as vestes da misericórdia divina. Um Natal celebrado e vivenciado no contexto do Ano Santo da Misericórdia, iniciado no último dia 8 de dezembro. Uma luz que nos ajuda a considerar e a viver o Natal de um modo novo.

O Natal não é simples comemoração do nascimento de Jesus, mas a realização da promessa de Deus de fazer uma aliança eterna de amor com toda a humanidade e de restabelecer o seu reinado no mundo. Celebrando seu nascimento, atualizamos o amor solidário de Jesus Cristo que assume nossas alegrias e nossas tristezas, nossas audácias e fraquezas, nossas conquistas e nossos fracassos.

Assumindo nossa condição humana e deitado na manjedoura de Belém, Jesus é o rosto da misericórdia. Seu nascimento não é uma mera data histórica, mas um memorial da ação misericordiosa de Deus em favor do seu povo. É o modo amoroso com o qual Deus vem em nosso socorro para nos conduzir a uma vida nova, para formar uma sociedade nova, para criar e estabelecer relacionamentos novos, fundamentados no amor, na fraternidade e na dignidade da vida. Principalmente para nossas famílias e comunidades a celebração da esperança deve marcar o novo início, um novo nascimento, de uma nova vida.

Vivendo em meio a uma sociedade violenta e corrupta, somos convocados a viver a novidade do Evangelho. É necessário romper com as atitudes e paixões do mundo.

O Papa Francisco escreve na Bula deste Ano Santo extraordinário, “Misericordiae vultus”, que a misericórdia não é um sentimento, mas um movimento pelo qual Deus se aproxima da humanidade e com ela estabelece uma nova relação. Um relacionamento fundamentado no amor, na proximidade ao mais necessitado, na proposta de criar relações fraternas entre nós.

Do ponto de vista da misericórdia divina, portanto, o Natal não para no sentimentalismo, como tanto se vê, mas avança no compromisso de quem o celebra e se propõe a criar novos relacionamentos sociais. Isto tem a ver, sem dúvida, com a origem da palavra “misericórdia” que, em tradução livre e interpretativa, significa olhar o outro com o coração, ou ainda, olhar o mísero, o sofredor com os sentimentos do coração divino. Sim porque os misericordiosos, diz a bem-aventurança, atrai a misericórdia, quer dizer, atrai o coração compassivo de Deus para o seu coração.

Deus age de modo misericordioso, no Natal. Olhou para a humildade, para a miséria da humanidade mergulhada em guerras e desastres humanitários. Teve compaixão e enviou seu Filho com a missão de propor um novo modo de viver. Foi para isso que Jesus nasceu: para mostrar a grande misericórdia divina por nós. É com esta contemplação, iluminada pela misericórdia, que queremos celebrar o Santo Natal de Jesus Cristo. Feliz Natal!

 

Padre João Marcos Moreira

Previous post

16 enxadristas decidem final de competição

Next post

Proguaçu começa a instalar equipamentos