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Artigo: Deslocar-se: a estática e quebradiça…

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Talvez, seja inquestionável a afirmação de que nosso município é sujo, basta caminhar pelas ruas e avenidas da cidade para nos depararmos com o acúmulo de entulhos, lixos e móveis descartados. Mas também é verdade a resposta do Poder Público quando destaca a falta de compromisso dos munícipes com relação à preservação do meio ambiente. Portanto, temos dois problemas: um de ordem político-administrativa e outro de ordem educacional.

Como professor da rede pública municipal e tendo exercido meu ofício em diferentes escolas da cidade, posso alegar a ausência de interlocução entre a Secretaria Municipal de Educação e o Poder Executivo e Legislativo no que se refere à elaboração de um projeto de ordem pedagógica sobre as questões de higiene coletiva (social), ou seja, para que ocorra alteração no atual quadro é necessária uma política educacional incisiva e articulada entre estes diferentes mecanismos públicos: Executivo, Legislativo e Secretaria de Educação.

E, para tentar escapar da cômoda posição de conforto de cidadão que reclama, aponta os erros, contudo, não propõe visibilidades de saídas para mudanças, buscarei descrever algumas alternativas que considero importantes e, talvez, provoquem reflexões.
Primeiramente é necessário que a Prefeitura recomende às escolas que disponha aos alunos e pais o calendário municipal de recolhimento de entulhos, é um fato o desconhecimento das datas por parte de mais da metade deles, por isso, a importância de maior divulgação e esclarecimentos de que os entulhos sejam colocados justamente próximo a data estipulada. Também é importante que eles saibam os números de telefones, e-mails, entre outros canais de acesso às denúncias quando presenciadas e registradas, por mais que os canais já existam, devem ser amplamente divulgados e compartilhados, o ano todo.

Elaborar e desenvolver um projeto de ordem interdisciplinar com o Ensino Fundamental, dispondo às escolas os materiais necessários para a confecção de produtos que contribuam na organização e separação dos lixos, nada excessivamente caro, como, por exemplo: latões para serem pintados e diferenciados entre papel, plástico, vidro e metal, premiações para as escolas que alcançarem respectivas metas previstas no projeto pedagógico, relacionar os conteúdos curriculares à realidade do bairro e da cidade, breves exemplos podem ser mencionados, como: o desenvolvimento da noção de cidadania e micro política em história; o mapeamento e fixação dos avisos em locais focos de acúmulos em geografia; a construção de dados estatísticos, gráficos e planilhas em matemática; painéis e cartazes informando às doenças que podem ser geradas em lugares de concentração de lixos, como a dengue, a febre chikungunya, o zika vírus entre outras, na disciplina de ciências; a elaboração de folders e folhetos em português, contendo avisos, telefones para denúncias, número das leis alertando a irregularidade da ação e o levantamento das doenças; a tradução desses folhetos nas disciplinas de inglês e espanhol; a criação artística e teatral envolvendo as problemáticas em artes e educação física, etc.

Possibilidades múltiplas são possíveis, mas, devem ser estruturadas e enunciadas por poderes acima da gestão escolar, uma vez que tais projetos devem compor uma agenda política da cidade e de caráter público, sem ficar sob a responsabilidade de cada unidade escolar.

Não podemos nos esquecer que é importante o desenvolvimento e investimento de propagandas mais diretivas e que alcancem a consciência pessoal, atingindo o lado emotivo e não unicamente informativo. Em suma, o Poder Público possui em mãos um mecanismo poderoso, a Secretaria de Educação, mas algumas falhas vêm marcando a articulação entre ambos, despontecializando a capacidade educacional e tornando a escola meramente um dispositivo escolarizador.

Por quê? Talvez, as burocracias e excessivos números de papéis para se preencher e fiscalizar estejam corroendo o tempo mais importante desta Secretaria: o tempo da criação! E, aos poucos, vamos politicamente morrendo, sem nos deslocarmos.

 

Alex Barreiro é professor de História da rede municipal, Mestre em Educação pela Unicamp e doutorando em Educação pela Unicamp.

 

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