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Artigo: Figueiredo e a amante

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Gilberto Dimenstein foi um dos maiores jornalistas do Brasil. Morreu, prematuramente, aos 63 anos de câncer em 29/5/2020. Publicou vários livros. Destaco “As Armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa”. Entre os fatos narrados, “Figueiredo e a amante”: “A vida particular ganha importância caso o namoro do presidente com a atriz interfira na administração pública. Ou porque ele esqueça seus afazeres ou por empregar parentes e amigos de sua amante. Foi o caso do ex-presidente [ditador] João Figueiredo, que mantinha encontros, desde os tempos em que era chefe do SNI, com uma jovem – esse relacionamento tinha como comprovação fitas gravadas (sic). Por conta desse namoro, ela ganhou um emprego no SNI, apesar de não ter qualificação (sic). Tempos depois, o affair veio à tona: Edine Macedo, a ex-amante, processou Figueiredo, exigindo pensão para o filho”. Adiante revelou: “As fofocas perseguiram a atriz Cláudia Raia sobre um suposto – e sempre negado – caso com Collor. O motorista França revelou, tempos depois, que recebeu, por várias vezes, a discreta missão de recebê-la em Brasília. Invenção? A verdade é que Claudia Raia teve ajuda do Banco do Brasil para realizar um espetáculo teatral, mostrando uma possível confluência entre a vida pública e a privada”.

Outra revelação do jornalista: “Até hoje perdura a sólida suspeita de que a cassação de Jânio Quadro pelo movimento militar de 1964 tem raízes em questões puramente pessoais – e ligadas aos encantos femininos. (…) Numa recepção, Jânio, tomado pela bebida, teria beliscado as nádegas de Yolanda Costa e Silva, mulher do então Comandante do II Exército, Arthur da Costa e Silva. O que teria deixado o militar subindo pelas paredes – mas obviamente, calou diante da autoridade superior. (…) O golpe de 1964 não tinha, a rigor, nenhum motivo para cassar Jânio. Não era subversivo, nem tinha fama de corrupto. No mais, o chefe maior da revolução [golpe], Castello Branco gostava dele e queria preservá-lo para futuras articulações. (…) Veio a primeira lista de cassações – lá não estava o nome do ex-presidente. Fontes confiáveis informaram à época que Costa e Silva, agora, ministro do Exército, queria saber porque não aparecia o nome de Jânio. E ele pessoalmente de próprio punho, incluiu seu nome.

O jornalista Castello Branco quis conferir essa deliciosa história e perguntou diretamente ao suposto aplicador do tão devastador beliscão. Ouviu uma gargalhada e, a resposta negativa: “Eu tenho bom gosto”. No entanto, até hoje fica a dúvida: Jânio deu ou não o famoso beliscão? Nunca se saberá!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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