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Artigo: O grão de trigo que cai na terra…

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“Se o grão de trigo que cai na terra, não morrer, permanecerá somente um grão de trigo. Mas, se morrer, produzirá muito fruto” (Jo 12, 24-26). No domingo, dia dos avós, ouvindo o evangelho que nos falava do reino de Deus, qual tesouro escondido, ou como uma pérola única e de valor inestimável, fomos assustados com a notícia da Páscoa do diácono Benedito que havia vencido a Covid, mas outras complicações acabaram por tirá-lo do nosso meio. Aquele sentimento que mistura tristeza com saudade causa certa perplexidade na gente. E a morte sempre mal educada tira de perto de nós as pessoas sem nos consultar a respeito.

O diácono Benedito fez jus ao seu nome; abençoado, bendito, bem- dito, bem querido, bem aventurado; bom amigo, bom homem, bom pai e bom esposo, amado avô. Desde sempre empenhado em fazer e realizar o bem sem ferir a sua consciência e sem trair seus princípios cristãos. Há muitos anos se ouve falar um nome naquela imensidão de comunidade carinhosamente chamada de “Ypês”: o “Dito da Viação”! Muitos se lembram disso, desde as reuniões de comunidade eclesiais de base, nos preparativos da criação da Paróquia são Judas, seu grande empenho no Sínodo Diocesano, seu serviço evangelizador em toda a nossa cidade. Destaco sua misericórdia com os doentes e com os pobres que ocupavam um espaço grande em seu coração.

Houve uma época em nossa cidade que o transporte coletivo viveu uma situação complicada que envolvia horários, tarifa, atrasos, coisas que demandam paciência e equilíbrio nas negociações e estava escalado o Dito para mediar a confusão. Sem erguer a voz, sem se dobrar nem se vender estava ele, pelo caminho do diálogo buscando solução para seus companheiros, pensando em não aumentar o desemprego já crescente naquela época e com méritos para sua capacidade de dialogar e seu empenho pela verdade.

Lembro-me quando ele foi convidado para o exercício do Diaconato permanente o que deve ter lhe causado preocupação grande, pois ele dizia, “o sacramento da Ordem é muito sério”, mas era já o que ele realizava na comunidade. Também na Igreja todo mundo chamava o “Dito da Viação”; e sempre estava o Benedito com sua animação cujo alimento é a fé em Jesus Cristo. Apaixonado pela sua querida Zilda, pelos filhos e recentemente estava feliz por ser o vovô Dito. Havia uma integração perfeita entre a sua vida e a pratica de sua fé; sua disposição em aprender coisas novas e sua dedicação em partilhar do tesouro de seu coração. Sua riqueza sempre esteve no seu amor a Deus e na partilha generosa com todos os que dele necessitassem.

A saudade que fica será sempre o alimento da lembrança do amigo que partiu, que atravessou o limiar da esperança, que entrou na festa da alegria sem fim e que continuará a rezar por nós todos os dias. Certamente o Dito escutou Jesus lhe dizer “Vinde Benedito de meu Pai, toma posse do lugar que para ti foi preparado há muito tempo” (cf. Mt 25).  Assim, continuamos nosso caminho na alegre esperança que a última palavra é a vida que nos aguarda depois de semearmos a boa semente da Palavra que é luz para o nosso caminhar.

Com gratidão e admiração!

 

João Paulo Ferreira Ielo é pároco da Igreja Matriz Imaculada Conceição

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