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Artigo: O Jardim Velho

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Nossa infância, vez por outra, se faz presente em nossas lembranças, como algo animador, uma espécie de refrigério d’alma, pois nos transportamos para aquela época, onde tudo era mais autêntico, mais aconchegante, enfim, mais nosso.Um domingo à tarde, o “Jardim Velho”, que naquele tempo realmente merecia o título, ponto de encontro da garotada e daqueles que nada tinham para fazer, era a opção semanal do guaçuano.

Lá não deixavam de comparecer também o “Cajá”, o “Célio”, o “Bilu”, o “Tyrone”, o “Joreca”, o “Lilo” e o “Birola”, só que em trajes de banho, pois iam se refrescar e se divertir nas águas do “Guaçu”.

Aquilo tudo para nós, garotada, era algo que existia de melhor, só suplantado pelos filmes de Hopalong Cassidy, Rocky Lane, Tarzan e outros.

Todos os domingos lá estávamos atentos às demonstrações aquáticas do pessoal, sonhando um dia, talvez na primeira oportunidade, repetir as acrobacias vistas, pois saltar do arco da ponte velha, em mergulho, era algo que nos deixava sem respirar, o espetáculo era tão inusitado que os passantes se acotovelavam para ver, provocando as vezes congestionamento na velha ponte.

Naquela época praticávamos o lazer naturalmente e não adivinhávamos nem de perto do valor daquela expressão.

De vez em quando, presenciávamos algo diferente, como esqui aquático. Como era gostoso ouvir o ronco dos motores de popa nos barcos a sulcar as águas do “Guaçu”, quase sempre pilotados pelo Zé da Pesca! Imaginávamos como seria possível o esquiador se equilibrar sobre duas estreitas e compridas tábuas, sem cair.

E assim os domingos no “Jardim Velho” se transcorriam alegres, despretensiosos, cheios de vida, coloridos pelo quente das árvores à beira do rio, pelas pedras e pelo povo que, acredito, naquele tempo realmente era mais feliz.

 

Diamantino Gaspar é membro da Academia Guaçuana de Letras

 

 

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