Home»Artigos»Artigo: Pichação. Um olhar para a prevenção

Artigo: Pichação. Um olhar para a prevenção

0
Shares
Pinterest WhatsApp

Diariamente ao andarmos pela nossa querida Mogi Guaçu deparamos cada vez mais com edificações públicas e particulares estampando pichações em suas paredes, que, comumente, são praticadas na calada da noite por jovens desvirtuados do caminho do bem e que estão apenas no início de uma ‘carreira’ criminosa, pois é sabido que a pichação é uma das portas de entrada para o mundo da delinquência juvenil.

Esta prática, além do prejuízo material e financeiro que causa aos proprietários de imóveis, gera ainda desconforto à sociedade que é obrigada a conviver com locais feios, degradados e sujos. Jovens que eram para estar exercendo atos de cidadania por meio do estudo e do trabalho estão se encaminhando para uma vida de crimes que mais à frente terão desfechos trágicos que atingirão eles próprios, suas famílias e a sociedade como um todo.

Temos diversas leis que punem e enquadram os pichadores, mas toda essa legislação e o trabalho da Polícia têm sido paliativos, uma vez que os crimes de pichação só têm aumentado nas estatísticas policiais, sendo necessário um remédio mais forte para curar ou amenizar esse mal. Então, o que fazer para atacar este problema de uma forma mais eficaz? Por onde começar?

A lógica seria recrudescer a fiscalização e aplicar multas mais pesadas aos responsáveis, obrigando-os a reparar o dano causado, porque a impunidade é um grande mal que estimula o crime, isso todos nós já sabemos, e é realmente necessário punir com mais rigor, mas é preciso ir além e ter um olhar atencioso para a efetivação de políticas públicas que possam alterar o fator social que está gerando o crime de pichação. Mas o que é isso na prática?

É a maneira pela qual a sociedade e o Poder Público, juntos, estabelecem parcerias e projetos que têm por objetivo trazer o jovem pichador para o nosso lado, para o lado da cidadania, através de oportunidades e atos construtivos para a vida e para a paz.  Uma boa iniciativa seria retomar as oficinas de grafite iguais às criadas em 2011 no Centro Cultural, e, num segundo momento, fazer concursos de grafite e premiar os jovens dando-lhes o direito de estamparem seus desenhos em locais públicos da nossa cidade.

E o mais importante, iniciativas assim serviriam de estímulo para que jovens com tendência a se tornarem pichadores tivessem uma oportunidade de aflorarem seus talentos reprimidos. São medidas simples e de baixo custo, mas com grande capacidade de reduziros crimes de pichação, tendo em vista que estaríamos atacando as causas do problema e não somente seus efeitos. Portanto, é cada vez mais imperioso que se faça um trabalho preventivo, educativo, e que envolva a família, a escola e toda a sociedade.

Só punir o jovem pichador com cadeia é a mesma coisa que querer educar um filho impondo-lhe castigos físicos, humilhantes e degradantes; como resultado, vai chegar uma hora que ele irá se revoltar contra seus pais e a sociedade e, o pior, os crimes vão aumentar ainda mais. É preciso ter sensibilidade nesse momento crítico, refletir, fazer um esforço e enxergar o outro lado da moeda, ou seja, a prevenção, para que a nossa cidade diminua os atos de pichação que tanto nos entristece…

 

Marcos Luiz Tuckumantel é major Reserva PM, ex-secretário Municipal de Segurança e especialista em Segurança Pública e Sociedade

Previous post

Base do Fantinato continua sem previsão para funcionar

Next post

Tome Nota da edição de sábado, dia 13