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Artigo: Saudade…

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Lendo Diamantino Gaspar na 2ª página da “Gazeta”, senti como ele uma grande saudade do meu Guaçu, quando só era “Mogi” (“Rio das Cobras”), e ainda não havia atingido “Guaçu” (“Grande”, na língua tupi).

Fiquei comovida, e minha cidade pequenina de tempos que já vão longe surgiu em cheio no meu coração guaçuano de “sete costados”.

Nonagenária que quase sou, evoquei minha terra onde só via felicidade. Tinha seus quatro mil habitantes e 14 ruas cujas denominações continuam até hoje.

Sempre morei na Praça Cândido Rodrigues, até meu casamento. Era um logradouro triangular, como o é atualmente, mas sem comércio, apenas uma farmácia e a barbearia do Sr. Trajano, apelidado de “Camões” por ter só um olho perfeito, e, no mais, casas de moradores amigos, meus avós, tios e conhecidos.

Nós, as meninas da minha época, aí brincávamos todas as noites. Não havia trânsito, nem ruídos estranhos, e somente em algumas delas parávamos para ouvir o piano do Dr. Waldomiro, nosso vizinho.

As brincadeiras eram tantas, tão singelas e gostosas, que delas ao me lembrar sinto o apertar do meu coração envelhecido. Eram “cirandas”, “lenço-atrás”, “chicotinho queimado”, “passa-anel”, e, principalmente, “cantar”. Eram muitas meninas, todas amigas ou conhecidas, coleguinhas de escola.

Entre elas havia a Diva de Almeida, irmã do Sr. Antônio Silvinato (já falecido), com quem passou a morar após a morte dos pais.

Todas as meninas sabiam entoar as modinhas da época, mas Diva era especial. Todas as noites lhe pedíamos que cantasse parodiando o “Sole Mio”, uma adaptação em que ela lembrava a morte de sua mãe. Nós, então, chorávamos com ela e a abraçávamos com ternura. Mas acho que gostávamos mesmo era de chorar, pois pedíamos a ela que cantasse muitas vezes para chorarmos juntas. Que tempo! Quanta amizade!

Há poucofiquei sabendo que ela havia morrido em São Paulo onde residia, aos 90 anos, e então tive vontade de lembrar essa época e escrever este artigo em sua memória e homenagem.

Quanta saudade, meu Deus!

É pena que nossas crianças atualmente não brinquem mais! Tudo mudou e chegou a vez da tecnologia.

Nossa cidade, posso dizer com orgulho, que agora é “Guaçu” (“Grande”), mas tudo também mudou, até as amizades.

Restaram as saudades!

São as saudades de quem, como eu, viveu numa terra pequenina, mas grande em amor e convivência leal!

Perdoem-me as palavras, mas me declaro “saudosista” incurável, graças a Deus!

Anna Emília Chiarelli Bueno é professora aposentada

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