Home»Artigos»Artigo: Toda mãe é uma peça

Artigo: Toda mãe é uma peça

0
Shares
Pinterest WhatsApp

“Quem me chamou / Quem vai querer voltar pro ninho / E redescobrir seu lugar / Pra retornar e enfrentar o dia a dia / Reaprender a sonhar”, cantava Maria Bethânia, lá no início da década de 1980, num especial de tevê para crianças chamado Plunct! Plact! Zum. Pode ser que você não se lembre desse programa, mas essa música é bastante conhecida. Seus autores são Guilherme Arantes e Jon Lucien. O tema da canção é o amor. E, quando se fala de amor, acho que a primeira imagem que vem à mente da maioria das pessoas é a da mãe. Mesmo que ela seja como uma “Dona Hermínia”, toda aloprada, ela nos ama.

Amar, aliás, é coisa de mãe. Mãe que, nos dias que vivemos, tem recebido carinhas pelo WhatsApp, vídeos e recados coloridos pelo Instagram, ou pelo Face. Efeito, ou sinal, dos tempos. Tempos modernos, caro Chaplin, não de quem fora engolido pelas máquinas, mas por um vírus, pois, pelas máquinas, já fomos engolidos há um bom tempo. Elas é que mandam na gente, até nas mães! … Tudo é motivo para fotos, nem sempre para abraços.

Mãe é quem, quando acorda de madrugada, vai até o quarto do filho para ver se ele está bem. E, depois, pé ante pé, ajeita as cobertas e fecha mais um pouco a janela, pois, para quem é mãe, está sempre um pouco mais frio para o filho do que para a maioria das pessoas. Para a mãe, aliás, o filho é a melhor pessoa. Mesmo que ele não ligue muito para a mãe quando ele fica mais velho. Mesmo que, quando ela, mãe, fique velhinha, seja posta numa casa de repouso, onde, ouso dizer, não há muito repouso. Haja vista a novela recente, Éramos Seis, em que a personagem Lola, mãe de família, quase acaba sozinha.

Sozinha, cada mãe que se preze, quando vê que a coisa está feia, se vira e faz doces pra fora, lava roupas pra fora, passa roupas pra fora, faz faxina e limpeza diária onde quer que seja, pois o que importa é pôr o pão sobre a mesa para o filho comer. Maria, mãe de Jesus, é quem está sempre junto de todas as mães. Senhora de todos, ela tem um olhar carinhoso para quem gera, ou para quem cria os filhos gerados por outra mulher e os chama de seus. Maria, sem barulho, nem alarde, passo por passo, acompanha a jornada de cada mãe que tem hora para levantar e, aparentemente, não dorme nunca, a guerreira.

“Você verá que é mesmo assim / Que a história não tem fim / Continua sempre que você responde “sim” / À sua imaginação / À arte de sorrir cada vez que o mundo diz “não”, prossegue Bethânia em sua emoção. Emoção que é de todas as mães. As modernas e as eternas, as mais ricas e as mais pobres, as mais jovens e as mais velhas, todas mães, todas meio amalucadas, com seu Garib, seu Juliano e sua Marcelina para puxar pelo braço. Pois toda mãe é mesmo uma peça, só muda o endereço. E a minha mora comigo.

 

Olivaldo Júnior é poeta, escritor, músico popular, radialista, professor e trabalha como Oficial Administrativo Júnior na Secretaria da escola “Professor Cid Chiarelli” da Feg

Previous post

Ingredion faz doação de itens de higiene e cestas básicas

Next post

Quarentena: flexibilização era esperada para o interior