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Avó defende prisão da neta após ela matar o tio

O homicídio de Ailton Teodoro Ribeiro foi registrado no último domingo, no Jardim Santa Terezinha II

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Na tarde do último domingo (17), a cidade registrou o segundo homicídio do ano, que aconteceu em uma residência da Rua Celerino de Brito Cruz, no Jardim Santa Terezinha II, onde uma discussão entre tio e sobrinha terminou com Ailton Teodoro Ribeiro, de 43 anos, golpeado fatalmente com uma faca na região do tórax. A autora da facada é sobrinha da vítima: Stefany Cristina Ribeiro Santana, de 21 anos. De acordo com o Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, a investigada alegou que agiu em legitima defesa, já que ela estaria sendo agredida pelo tio com quem morava junto com os avós.

A jovem relatou que foi esmurrada no rosto e, como a agressão aconteceu na cozinha, ela pegou uma faca que estava próxima para se defender, sendo que assim que recebeu o soco no rosto reagiu desferindo um único golpe na altura do peito do tio que morreu na hora. A mãe da vítima e avó da autora estava na casa e presenciou a cena do crime. Ela contou que o filho empurrou a neta contra o armário da cozinha, o que gerou o desfecho trágico da briga entre os dois. Todos os envolvidos foram ouvidos na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e exames médicos apontaram lesões corporais no rosto, braço e joelho da jovem.

No B.O. também consta que tio e sobrinha viviam em um ambiente conflituoso e que os dois seriam ou já teriam sido usuários de drogas ou remédios controlados. A Guarda Civil Municipal foi chamada no local do homicídio e a jovem foi encaminhada para a CPJ, onde o caso foi registrado pela delegada de plantão Juliana Belinatti Menardo como homicídio mediante legítima defesa, o que significa que ela responderá em liberdade até possivelmente ser julgada em um júri popular. No local do crime também compareceu a Polícia Científica que realizou os trabalhos de perícia, apreendeu a faca e constatou um único ferimento na vítima que foi sepultada na última segunda-feira (18), no Cemitério Santo Antônio.

JUSTIÇA

Família pede prisão de autora do crime

Três dias após o crime, na terça-feira (19), familiares de Ailton Teodoro Ribeiro, que também são familiares de Stefany Cristina Ribeiro Santana, afirmaram à Gazeta que todos estão revoltados com a atitude da jovem que, segundo eles, deveria estar presa, já que ela está mentindo sobre a real circunstância do assassinato. Joana Maria Teodoro Santana, 65, mãe da vítima e avó da investigada pelo homicídio, presenciou tudo o que aconteceu dentro da casa da família na tarde do último domingo (17).

De acordo com Joana, por causa da pandemia do novo coronavírus a ordem dada por ela e pelo esposo Antônio Santana, 69, a Stefany e Ailton era de que eles ficassem em casa durante a quarentena. No entanto, no sábado (16), Stefany desobedeceu aos avós e saiu. Ailton não fez diferente e assim que viu a sobrinha sair também descumpriu as ordens da mãe e do padrasto e saiu, sendo que ele voltou para casa no dia em que foi morto, por volta das 14h30. Joana contou que, assim que o filho chegou, ela o repreendeu por ter saído e perguntou onde ele estava. “Ele me respondeu perguntando por que a gente só pegava no pé dele e não falava nada para Stefany, já que ela também tinha saído”, explicou Joana que completou dizendo que a neta estava no quarto e ouviu a conversa dos dois. “Ela saiu rindo do quarto e falando que ela podia sair porque ela era a querida do avô”, pontou Joana.

Após esta primeira discussão, os três foram até a cozinha, onde Ailton pediu para a sobrinha respeitar os pais dele. “Aí ela pegou a faca e foi para dar nas costas dele que ainda virou e tentou segurar ela, tanto que fez um corte na mão dele”, narrou Joana que disse que ficou desnorteada ao ver o filho caído e morrendo, tanto que pegou uma vassoura e bateu na neta que ficou com os ferimentos que, segundo os familiares, ela usou para acusar o tio de agressão. “Isso não é verdade, o Ailton nunca agrediu a Stefany, nunca”, enfatizou Joana que no B.O. do caso disse que Ailton empurrou a neta contra um armário.

Antônio Santana, que é avô de sangue de Stefany e padrasto de Ailton, não estava em casa quando o crime aconteceu. Porém, ele foi enfático ao relatar que a neta nunca teve um bom comportamento. “Ela só dormia e maltratava a gente que sempre deu de tudo para ela, como roupa, sapato, perfume e até celular do mais caro que eu ainda estou pagando. Então, a gente tá revoltado com o que ela fez”, compartilhou Santana. Quanto à Ailton, Santana, que é padrasto, disse que ele era um bom rapaz. “Uma pessoa tranquila e alegre. Sempre foi educado com a gente e a Stefany tinha ciúmes disso, por isso, ela arrumava encrenca com ele”, frisou.

Adriana Maria Ribeiro, irmã de Ailton, relatou que a sobrinha já agrediu os pais fisicamente e que, por causa dela, a família evitava ir à casa de Joana e seu Antônio. “Ela não se dá com ninguém, não tinha como a gente ir ver minha mãe porque ela arrumava confusão, começava a xingar todo mundo”, contou Adriana que confirmou que tanto a sobrinha quanto o irmão tinham envolvimento com drogas, sendo que ainda assim, Ailton nunca fez mal para ninguém. “Meu irmão era uma pessoa boa de lidar, uma pessoa que todo mundo queria ter por perto. Já ela sempre foi rebelde, até homem ela levava para dentro da casa da minha mãe que nunca deixou de amparar ela”.

Adriana disse que, agora, a família quer justiça, já que ninguém concorda com o fato de Stefany ter sido liberada para responder pelo crime em liberdade. “Não é justo ela ter feito tudo o que fez e estar solta. Depois de matar meu irmão, ela saiu da delegacia dando risada”, relatou a irmã da vítima. De acordo com a família, Stefany foi criada pela avó porque nunca se deu bem com a mãe. O atual paradeiro dela é desconhecido, mas os familiares acreditam que ela vai sair da cidade.

 

INVESTIGAÇÃO

O delegado titular da Central de Polícia Judiciária (CPJ) Alessandro Serrano Morcillo esclareceu que no dia do crime um Boletim de Ocorrência de homicídio foi registrado. “Feito o B.O. eu instaurei um inquérito policial e nós vamos apurar o fato para saber qual foi o crime praticado, se foi homicídio mesmo, se ela agiu ou não em legítima defesa. Para isso, vamos ouvir os envolvidos no caso para podermos esclarecer o ocorrido”, explicou ao informar a tipificação do crime poderá ser alterada. “Eu vou investigar se foi homicídio ou lesão corporal seguida de morte”, pontuou.

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