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Bolsonaro e a epidemia

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Bolsonaro fez um pronunciamento sobre a epidemia que foi muito criticado. Ele, irresponsavelmente, minimizou a gravidade da peste ao compará-la a uma “gripezinha” ou “refriadinho”.

O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, em artigo publicado no Estadão, sob o título “Solução para o desgoverno”, escreveu: “Quando o discurso não é rancoroso e ofensivo, é uma fala quase pueril, que demonstra total alienação e falta de um pensamento culto e elevado”, acrescentando: “Houve quem já pedisse desculpa por ter votado nesse governo. Quantos estarão querendo fazer o mesmo, mas se sentem envergonhados?”

Consta que o presidente teve a ajuda do filho Carlos para redigir o pronunciamento. Para mim errou. Ele deveria pedir ajuda do Ministro da Saúde, Mandetta, ótimo auxiliar e que entende do assunto. O filho é um jovem e não estava preparado para orientar o pai nesse pronunciamento. O tema é muito grave e deveria ser orientado por especialistas. É o que penso.

O presidente do Senado criticou o pronunciamento: “O Brasil espera seriedade”.  De “criminoso” a “desprezível”: as reações ao discurso de Bolsonaro. Em pronunciamento, Bolsonaro zomba da pandemia. Enquanto isso, explodiu panelaço pelo Brasil, como mostrou o jornal Nacional. Marcelo Coelho, na Folha: “Por quem as panelas batem? Batem por nós”.

Vera Magalhães, em artigo publicado no Estadão, sob o título “Convite ao genocídio”, comenta esse pronunciamento: “Em rede nacional, o presidente foi cínico (sic). Encontrou espaço para invadir o confinamento de milhões de brasileiros aflitos para dizer que seu passado atlético faria com que, mesmo que contraísse covid-19, para ele seria uma “gripezinha” ou “resfriadinho”. (…) O presidente encontrou energia para, no momento em que se espera que seja adulto, responsável e lidere o País, brincar com a Rede Globo e ironizar um médico do quilate de Dráuzio Varella, que tem uma vida dedicada à saúde pública e aos mais vulneráveis”.

Repito. É lamentável que nessa hora tão grave para o Brasil, Bolsonaro use os meios de comunicação para fazer um pronunciamento tão irresponsável! Foi, como disse Vera Magalhães, “convite ao genocídio”.

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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