Home»Cidade»Casal recusa abrigo e segue em calçada

Casal recusa abrigo e segue em calçada

Valdir Gomes, 56, é de Mogi Mirim, vive na rua há 20 anos e tem se abrigado em calçada de escola estadual

0
Shares
Pinterest WhatsApp

Há 20 anos Valdir Gomes, 56, vive na rua. Ele recusa qualquer tipo de ajuda de abrigo, condição que já foi ofertada por entidades assistenciais locais. Faz alguns meses que está vivendo na calçada da escola estadual “Anália de Almeida Bueno”, no Parque Cidade Nova, e a situação tem incomodado a vizinhança. Foi um destes vizinhos quem reclamou da situação à Gazeta.

Valdir tem uma companheira, Maria. Eles convivem com dois cães. No local, colchões, cobertores e um amontoado de galhos, entulho, além de restos de comida. A higiene é feita na mina d´água localizada a poucos metros dali, no Jardim Nossa Senhora das Graças, o BNH.  Mas o homem faz questão de afirmar que não fica nu. “Tenho respeito”, diz.

Segundo Valdir, ele tem família em Mogi Mirim, inclusive uma netinha. Mas não aceita viver com eles. “Não quero atrapalhar a vida de ninguém”, diz com convicção. O casal sobrevive de doações de comida e bebida que são fornecidas por moradores e comerciantes. Vez ou outra Valdir consegue uns trocados ao descarregar caminhões, porém diz que não é sempre que tem o bico de “chapa” . Quando chove, o casal deixa a área da calçada da escola e busca abrigo sobre marquises ou em outro espaço que os abrigue.

valdir morador ruaA Gazeta conversou com o casal na manhã desta sexta-feira (26). Ao lado deles, além de colchões e cobertas, havia bandejas de isopor com sobras de alimentos, e, claro, muitas moscas. Partes deste material estavam ao lado e sobre o amontoado de galhos e entulho acomodado sobre a calçada. Ignorando a própria sujeira que deixa no local, Valdir reclama do atraso da Prefeitura em recolher os resíduos.

 

NEGATIVAS

A secretária de Promoção Social, Mariana Martini, confirmou a informação de que Valdir foi abordado várias vezes pelo Projeto Vinha Esperança, que realiza o trabalho junto às pessoas em situação de rua. Em toda ocasiões, ele nunca aceitou ajuda, exceto em 2014 quando esteve no Albergue Noturno “Nair Simoni Panciera”. “A única diferença é que para o pessoal do projeto, ele diz que é de Conchal”, comenta.

Mariana pontuou que não há como obrigar as pessoas em situação de rua a aceitarem a ajuda, desde que não estejam fazendo nada de errado ou ilegal. Ela pontua que o trabalho junto a esta clientela é moroso. “Daí a necessidade de várias abordagens”, comenta. A secretária enfatiza que há casos de reinserção na família e até mesmo no mercado de trabalho.

valdir morador rua

Previous post

Judoca conquista título brasileiro em Santa Catarina

Next post

Começa retirada das alfaces d´água da lagoa do São José