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Confirmação da doença no dia do aniversário

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O aniversário deste ano da fisioterapeuta Ana Amália Moreira, 38, que atua na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos”, com certeza será o mais marcante de toda a sua vida. Não apenas porque ela, assim como todos os brasileiros, teve que comemorar a data dentro de um isolamento social, mas também porque no dia em que completou seus 38 anos, no último dia 9, recebeu a notícia de que seu exame tinha testado positivo para o novo coronavírus. “Eu costumo dizer que é uma doença cruel porque ela mexe muito mais com o emocional, porque a gente fica o tempo todo esperando ter falta de ar e piorar”, compartilhou Ana Amália que já está curada.

A fisioterapeuta contou que em março, antes de o novo coronavírus chegar a Mogi Guaçu, ela enfrentou outra doença que tem feito muitas vítimas; a dengue. Após se recuperar, ela voltou a trabalhar.

No entanto, em poucos dias, a rotina de trabalho no hospital mudou drasticamente por conta da Covid-19. No último dia 2, a fisioterapeuta começou a sentir os primeiros sintomas, como mal-estar que dava congestão nasal e muito sono.

Além disso, ela ficou com os olhos vermelhos, como se estivesse com uma conjuntivite. “Eu pensei comigo: – será que eu estou com dengue de novo?”, relatou Ana que também pensou que estivesse tendo reações da vacina que tomou da H1N1 ou estivesse cansada por conta do novo ritmo de trabalho.

A preocupação com o novo coronavírus veio dois dias depois dos primeiros sinais, quando o noivo, o guarda civil Élzio Romualdo,33, contou para ela que ele também estava sentindo uma sensação estranha no corpo. “Ai eu fiquei assustada”, completou.

Assim que o casal identificou que não estava bem foi até o hospital 22 de outubro, em Mogi Mirim, onde de imediato os dois receberam o afastamento do trabalho. Em seguida, foram no Hospital Municipal “Dr.Tabajara Ramos”, onde receberam orientações e onde a profissional de saúde colheu o exame para saber se realmente estava com o novo coronavírus, sendo que o resultado deu positivo para a doença.

A partir dai, Ana e Romualdo entraram em quarentena por 14 dias. Os sintomas dela eram leves: cansaço para realizar tarefas simples como lavar louça e cozinhar, perda do olfato e do paladar. “Isso me incomodava muito”, enfatizou Ana que ainda disse que apesar de ter sim sentido medo, em nenhum momento pensou que iria morrer. “Minha preocupação era com quem iria cuidar de mim, me ajudar se eu piorasse”.

Ficar longe da família e do filho de 8 anos também foi um dos principais desafios para a fisioterapeuta. “Eu já voltei a trabalhar, mas ainda não vejo meu filho, já faz 29 dias que estou longe dele”, compartilhou. Com o passar dos dias e cumprindo o isolamento a risca e aumentando os cuidados com a higiene, Ana e Romualdo foram deixando de sentir os sintomas.

O tratamento feito em casa contou com remédios para dor e antibiótico, e um detalhe é que Ana não teve febre. “Além disso, fiz muito repouso e tomei bastante liquido, até porque eu também sentia muita sede”. Após os sintomas passarem, Ana foi avaliada por uma infectologista e teve a cura atestada sem a realização de exame, já que não foi necessário. “Senti um alívio quando soube da minha cura”, compartilhou a fisioterapeuta que relatou que agora, o que fica é o receio, já que as pessoas questionam muito se ela não pode pegar a doença novamente. “Estou curada, voltei a trabalhar e tenho fé em Deus que não vou pegar de novo, mas ainda não existem estudos que comprovem o que pode acontecer”.

Ana Amália aproveitou o momento para pedir às pessoas que respeitem mais os profissionais da saúde, já que existe muito preconceito. Segundo ela, nunca houve a falta dos EPIs (Equipamento de Proteção Individual). “Trabalhamos com os EPIs e a gente não tem como provar como pegamos a Covid-19”. Além disso, ela relatou que o olhar das pessoas passa a ser diferente com relação a quem teve a doença. “As pessoas nos olham torto, como se falassem para gente sair de perto.

O mais triste da doença é isso, a segregação, o afastamento”, compartilhou a fisioterapeuta que pede que todos respeitem o isolamento social, a higiene e o uso das máscaras. “Eu tenho muito medo do que ainda está por vir porque parece que as pessoas não estão nem ai. Se cuidem, levem a sério essa doença e fiquem em casa”, finalizou.

 

 

 

 

 

 

 

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