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Coronavírus: novo vírus coloca mundo em alerta

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Por Igor Rodrigues

Começou em um mercado de peixes e frutos do mar em Wuhan, cidade de 11 milhões habitantes da região central da China e  já se espalhou para outros países. Este é a propagação já conhecida do misterioso coronavírus que contaminou mais de 28 mil pessoas e é responsável por mais de 500 mortes. O vírus tem como sintomas tosse, febre e dificuldades respiratórias. Ele faz parte da família de coronavírus que está relacionada ao SARS e ao MERS.

O Ministério da Saúde divulgou no começo da tarde de quarta-feira (5) que o país tem 11 casos suspeitos de coronavírus. Nenhum caso foi confirmado. De acordo com o boletim, dois casos em São Paulo que estavam sob investigação foram descartados. Agora, de acordo com o boletim, há cinco casos suspeitos no Rio Grande do Sul, quatro em São Paulo, um em Santa Catarina e um no Rio de Janeiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no final de janeiro que os casos do novo coronavírus são uma emergência de saúde pública de interesse internacional. No Brasil, o Governo Federal decretou emergência sanitária em razão do surto de coronavírus no mundo.

Nesta semana, a Gazeta falou com uma guaçuana que mora na China e com um mogimiriano que está em Taiwan. Eles comentaram sobre o assunto e disseram que acompanham as notícias em torno da doença, assim como o mundo.

DOENÇA

Guaçuana e mogimiriano contam sobre o surto na Ásia

A guaçuana Renata Cristina de Almeida, 47, mora há 12 anos na China contou à Gazeta detalhes sobre como o país asiático está cuidando da situação, além do que acompanhamos pela mídia internacional. Ela diz que a força econômica do país e a organização fazem a população acreditar que o problema terá uma resolução rápida. “Irão controlar em breve”.

Renata confirmou que o acesso à informação na China é restrito, pois nem tudo é divulgado, mas que no caso do surto viral as informações estão tendo ampla divulgação. Além dos noticiários e jornais nacionais, aplicativos de notícia em inglês estão sendo utilizados para atualizar os moradores.

A guaçuana vive na cidade Zhuhai, que já tem 41 casos confirmados de coronavírus. A cidade fica na província de Guangdong que é a terceira mais afetada no país por conta da proximidade com Hong Kong e Macau. Ao contrário que se pode imaginar, segundo Renata, o país não encara com pânico as confirmações sobre a doença.

De acordo com ela, parte dos brasileiros instalados no país também encara com tranquilidade, e seguem evitando sair de casa até o fim do feriado estendido até 9 de fevereiro. “Não tem pânico. É se cuidar, ficar mais em casa e quando sair usar máscaras”, contou.

O estudante mogimiriano Enzo Velo, 17, está fazendo intercâmbio em Taiwan, um país insular que fica à 140 km da China. Ele está na cidade Kaohsiung, que tem dois casos confirmados e nenhum óbito.

Enzo conta que a cidade segue a vida normalmente. “Estão tranquilos. Não se vê pessoas na rua sem máscara, são precavidos, mas não se vê preocupação”, disse o estudante.

CONTA PRÓPRIA

Estudante retorna ao Brasil e se isola

Uma mogimiriana esteve na China e retornou para o Brasil no último dia 4. Ela topou falar com a Gazeta, mas pediu para não ser identificada por conta de receio de sofrer preconceito. Ela informou que na cidade de Fuzhou, na província de Fujian, o clima é de atenção, mas não há desespero generalizado. Porém, a população tem medo da contaminação. “O meu retorno gerou muitas críticas”, ressaltou.

Segundo a estudante, desde que chegou ao país tem percebido preconceito com quem esteve na China ou nasceu no país asiático. “Li coisas horríveis nos comentários dos jornais”, disse.

O retorno ao Brasil demorou cerca de 55 horas por conta das precauções que não se encerram ao pisar em solo brasileiro. A mogimiriana enfatizou que antes de voltar para casa ainda ficará em isolamento em outra cidade até ter certeza que não contraiu o vírus.

 

O coronavírus

Segundo Fernanda Jacques, PhD em biologia animal, a transmissão do vírus na China ainda pode ocorrer por ingestão de carne contaminada ou contato com animais contaminados. “A indicação da Organização Mundial da Saúde é de que se lave as mãos depois de ter contato com animais, principalmente animais desconhecidos e evitar contato com as fezes”, disse Fernanda.

Fora do país que é o epicentro da crise viral a transmissão ocorre por vias aéreas, como em espirros ou contato com talheres.

Fernanda é guaçuana e ex-funcionária da Vigilância Epidemiológica de Mogi Guaçu. Atualmente, ela mora na Inglaterra e contou que existem dois casos confirmados em NewCastle, cidade que fica 400 km de distância da capital inglesa que é Londres.

REPERCUSSÃO

Mogi Guaçu não tem caso suspeito de Coronavírus

Nesta semana, a informação de que o Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos” teria uma paciente em isolamento causou repercussão na cidade, principalmente nas redes sociais.

A Gazeta conversou na terça-feira (4) com o médico responsável pela internação da paciente, Cláudio Pessoa. Ele afirmou que houve um caso de um paciente com quadro de gripe viral que ficou em observação pelo fato da paciente ter voltado recentemente de viagem da Europa.

Segundo Pessoa, a paciente já está em casa e continua fazendo exames. “Ela apresentava um quadro de gripe viral. Conversei com a Vigilância Epidemiológica e com infectologistas e ela não se enquadra em nenhum sintoma do coronavírus”, explicou o médico.

Boatos

A Prefeitura informou, por meio de nota oficial, que a cidade não registra caso suspeito de coronavírus. A nota foi encaminhada à imprensa após um vídeo ser publicado nas redes sociais afirmando que um paciente encontrava-se em isolamento no Hospital Municipal. “Ao contrário do que foi irresponsavelmente publicado em rede social nesta terça-feira (4), Mogi Guaçu não registra caso suspeito de coronavírus. É mentira que haja paciente com caso suspeito da doença internado no Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos”, na Santa Casa e na UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

A Secretaria de Saúde está atenta à atualização diária dos critérios adotados em todo o País de casos suspeitos pelo Ministério da Saúde. Não compartilhe fake news!”, explicou a nota.

Além da nota, a Administração Municipal também gravou um vídeo com a secretária de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, no qual ela nega que a cidade tenha caso suspeito de coronavírus e chama de irresponsável quem publicou o vídeo.

 

Prevenção

Na última semana, a Secretaria de Saúde divulgou que as unidades de saúde do município e os hospitais serão informados sobre procedimentos em caso de suspeita do coronavírus. A Secretaria de Saúde do Estado continua rastreando qualquer evidência e redobrou atenção às pessoas que retornaram de países mais afetados pelo vírus, como a China.

Por isso, a secretária de Saúde de Mogi Guaçu, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, determinou que todas as recomendações do Ministério da Saúde sejam repassadas às unidades de saúde. E ela pede também para que as pessoas redobrem os cuidados, principalmente as que viajaram a países com registros da doença, como é o caso da China.

“Não temos nenhum caso suspeito. Aliás, sequer temos muitas informações sobre o coronavírus, mas iremos redobrar os cuidados enquanto o Brasil estiver vulnerável a esse tipo de vírus”, disse Clara. (IR com informações da assessoria de imprensa da Prefeitura).

Destaques do surto nesta semana

564 mortes por coronavírus na China

1 morte nas Filipinas

28.060 casos confirmados na China

200 casos confirmados em outros 24 países

Brasil envia aviões para buscar brasileiros em Wuhan

Hong Kong anuncia quarentena para quem chegar da China continental

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