Home»Cidade»“Demoraram a agir”, diz filha de mulher morta no Hospital Municipal

“Demoraram a agir”, diz filha de mulher morta no Hospital Municipal

Filha de Gláucia Leandri Leite revelou que houve demora no atendimento prestado à mãe no pronto-socorro do HM

0
Shares
Pinterest WhatsApp

“Muita dor. Nem no hospital eu consegui ver ela. Eu só ouvia ela pela parede do lado de fora. Foi uma tristeza imensa porque ela sempre cuidou da nossa família e nesse momento ela esteve sozinha”. Esta foi a resposta que a jovem Bárbara Catarina Leite Gotardi, 23 anos, deu ao ser questionada como foi ter que se despedir da mãe, a dona de casa Gláucia Leandri Leite, 44, de forma tão rápida e triste. A família não pode fazer velório e teve que realizar o enterro em 10 minutos e com o caixão lacrado.

Gláucia morreu na última segunda-feira (30), no Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos”, por conta de problemas no pulmão. O óbito da dona de casa está entre os suspeitos que o município tem pelo novo coronavírus. Dois dias após o falecimento de Gláucia, Bárbara falou com exclusividade com a Gazeta para esclarecer alguns pontos da morte da mãe.

Isso porque, segundo ela, a notícia de que a mãe seria uma possível vítima da Covid-19 correu rápido nas redes sociais e em mensagens do WhatsApp. “Fiquei indignada porque a foto da minha mãe e o endereço da minha casa foram expostos”, completou. A jovem explicou que fazia uma semana que Gláucia estava com dor no corpo. No entanto, todos resolveram ficar em casa porque eles estavam cumprindo o isolamento social. “Ela se sentia cansada, tinha dor no corpo e teve perda de apetite, mas em um primeiro momento pensamos em dengue”.

No sábado (28), a filha contou que resolveu levar a mãe na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), no Jardim Novo II. “Eu fiquei do lado de fora por ser gestante, mas minha mãe me contou que a médica ouviu o pulmão dela cansado e disse que era uma pneumonia”. Gláucia fez um raio-x e um exame de sangue. No dia seguinte, mãe e filha voltaram ao hospital para saber o resultado dos exames. “Já era outra médica e ela falou que o pulmão estava limpo e que era suspeita de coronavírus”. A recomendação foi voltar para casa e procurar o Hospital Municipal caso a paciente passasse mal.

De domingo (29) para segunda-feira (30) Gláucia piorou e Bárbara foi com ela até o HM, onde novos exames foram feitos e constataram a pneumonia. “Minha mãe estava muito mal. Os exames mostraram que o pulmão dela estava cheio e, mesmo assim, ela não foi medicada. Recebeu apenas uma receita e foi mandada embora para casa”.

Barbara disse que Gláucia chegou a tomar uma dose de um remédio receitado, mas seu quadro só foi piorando. Com isso, na segunda-feira de manhã (30) ela achou melhor ir até a Santa Casa, onde elas foram orientandas a irem no HM novamente. “Atenderam a gente do lado de fora e minha mãe já estava sendo carregada por nós”.

Na segunda ida ao HM, Bárbara contou que a mãe recebeu oxigênio e ficou o dia todo aguardando a realização de outros exames, porém, sem ser medicada. “Eu não podia entrar e ver ela”. Por essa razão, a jovem disse que não sabe ao certo qual procedimento foi feito na mãe para tentar mandar uma medicação direta para o seu pulmão. “Nessa hora eles viram que ela só estava piorando e por volta das 20 horas resolveram entubar ela, momento em que ela teve três paradas cardíacas e morreu”, lamentou a filha que informou que Gláucia tinha problemas de pressão e de reumatismo.

Não acredita

Para Bárbara, a mãe não foi vítima do novo coronavírus. “Eu não acredito que ela tenha sido contaminada com o Covid-19 porque todos nós estávamos tomando muito cuidado. Ela não saía para rua, não viajou, usava álcool em gel a todo momento”.

O exame coletado na dona de casa deve ficar pronto nos próximos dias. Bárbara disse que, agora, ela e toda a família que moram em um mesmo terreno estão isolados e sendo monitorados pela Secretaria de Saúde. “Somos em 11 pessoas e todos estamos bem, sem nenhum sintoma”, pontuou a jovem que ainda compartilhou acreditar que a mãe morreu de pneumonia. “Os médicos disseram que, agora, é época de pneumonia e pelos dias em que ela ficou sem cuidados, uma semana sem comer, o quadro se agravou. Ela era frágil, acima do peso, tinha imunidade baixa”.

Barbara finalizou dizendo que os médicos estão mais com medo do que preparados. “Três exames apontaram pneumonia e demoraram a agir”. Além disso, ela ressaltou que as pessoas não têm sensibilidade. “Muitos comentários maldosos nas redes sociais e isso acaba com a nossa família”. Em contrapartida, a jovem disse que é grata a todas as pessoas que ajudaram com as doações de alimentos. “Apesar de tudo, houve solidariedade e nós também vamos doar porque recebemos em grande quantidade”.

Protocolo

A Secretaria Municipal de Saúde e a direção do Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos” informaram, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura, que as medidas adotadas que classifica o óbito da paciente citada como sendo um caso suspeito do novo coronavírus estão nos protocolos adotados pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria de Estado da Saúde e por todos os municípios brasileiros. Quanto ao atendimento que ela recebeu, foi informado que todos os procedimentos foram feitos dentro das necessidades da paciente. “Há registros de atendimento a Gláucia em nossa rede de urgência/emergência (UPA/PS) nos dias 28 e 29, quando recebeu tratamento para pneumonia”.

Porém, eles ressaltam que no dia 30 ela apresentou piora dos sintomas respiratórios acompanhada de piora sanguínea. “Em face desta condição foi notificada como suspeita da Covid-19. A sua evolução para o óbito ocorreu em quatro horas após tal piora”. As informações passadas ainda dão conta de que apesar de ser jovem, a paciente também possuía comorbidades.

Previous post

Secretaria de Saúde descarta óbito por covid-19

Next post

Moradores de rua são encaminhados para recuperação