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Dia das Mães: maternidade em tempo de quarentena

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A quarentena impôs novo ritmo à vida da maioria da população, independentemente de fazer ou não parte do grupo de risco para a Covid-19. Mas há um grupo que está vivenciando um período especial que não combina com distanciamento social: a maternidade. Imagine este momento para aquelas que estão vivendo esta emoção pela primeira vez!

Duas mães de primeira viagem conversaram com a Gazeta sobre como estão lidando com a situação e qual ou quais têm sido os momentos mais difíceis desta jornada compartilhada – neste momento – apenas com os pais. (E que, aliás, tem um papel mais do que fundamental). É com os maridos que as mamães compartilham tudo!

Amanhã (10), estas mulheres terão o primeiro Dia das Mães! A data não será comemorada como gostariam, mas ambas reforçam que fazem tudo pela saúde das filhas. Afinal, terão muitas datas para festejar!

FAMÍLIA BUENO

Almoço com avós e tios cede espaço a comemoração a três

Ana Beatriz Vitizin Bueno nasceu em 2 de janeiro. É a primeira filha do casal Fabiana Gerusa Vitizin Bueno, 37, e Marcos Paulo Risseto Alves Bueno, 41. Casados há 15 anos, a gestação é considerada um milagre porque os tratamentos não apresentavam resultado. Fabiana tem trombofilia, uma mutação que leva à coagulação do sangue, o que pode resultar em aborto. A gestação foi tranquila, mas ela teve de tomar todos os dias injeção de anticoagulante. E foi assim até um dia antes do parto (cesárea).

No primeiro mês, Fabiana teve ajuda da mãe nos cuidados com a filha. E foram poucas as visitas, pois muitos esperaram passar um tempo para conhecer o bebê. “Estes não puderam vir ainda”, recorda a mãe. Afinal, em fevereiro, o novo coronavírus assustava a China e, no mês seguinte, foi declarada a pandemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Desde então, Fabiana e a pequena Ana Beatriz só saem de casa para irem ao pediatra ou tomar vacina.

Morando muito próxima de uma praça, Fabiana conta que passa muita vontade de passear com a filha de carrinho, sentar nos bancos e curtir o solzinho por ali. Mas, só fica no desejo. A pequena toma banho de sol no quintal de casa mesmo.

Em tempo de quarentena, apenas o pai de Ana Beatriz é quem sai de casa seja para trabalho ou compras. E na volta, redobra os cuidados de higiene. Fabiana comenta que quando tem vontade de sair, entra no carro só para dar uma volta. É quando para em frente à casa dos avós que veem a neta a distância e pelo vidro do carro.

A mãe de primeira viagem admite não ser fácil só ficar em casa, mas entende que é um período necessário para todos. Por outro lado, está fazendo muitas fotografias da pequena, para que a família acompanhe o crescimento de Ana Beatriz. “Ela foi muito esperada, desejada e uma benção de Deus para nós. E a gente quer mostrar, compartilhar este momento”, argumenta.

Outra mudança enfrentada pelo casal foi a troca do pediatra. Isto porque, a médica da pequena teve de se afastar do trabalho. “Também tivemos que pagar as vacinas porque o posto de saúde não estava aplicando”, recorda observando que, neste caso, teve de ir até Campinas, onde encontrou a vacina em clínica particular. Os pais também tiveram de adiar o batizado da filha que estava marcado para sábado de Aleluia, ou seja, um dia antes da Páscoa.

Neste período, o que a família sente mais falta é do convívio com os avós e tios. E a tecnologia entra como aliada para encurtar este distanciamento, através das chamadas de vídeo. E, neste Dia das Mães, o almoço em família ficará para 2021. “Este ano, só nós três”, pontua Fabiana.

MARIA LUÍSA

Tarefas compartilhadas entre pai e mãe

Esta última semana foi, literalmente, de mudança para a família Mattioli. Camila da Silva Vieira, 36, e Felipe Rafael Mattioli, 35,     estão morando em outra casa mais distante dos avós maternos da pequena Maria Luísa Vieira Mattioli, dois meses. A primeira filha do casal nasceu dia 23 de fevereiro, pouco menos de um mês antes da OMS decretar a pandemia. Nos primeiros meses, os pais de primeira viagem tiveram todo o respaldo, em especial, da avó materna. “Morava em frente à casa da minha mãe. E ela me ajudou muito em casa e com a neném”, comenta Camila.

A mãe de primeira viagem conta que perguntava sobre tudo: cólica, se estava frio para tal roupa ou se estava calor, enfim, tirava todas as dúvidas. Este convívio intenso não foi por acaso. Com a pandemia e a mudança de casa, Camila experimenta uma nova realidade e, agora, tudo é compartilhado ainda mais com o marido. É ele quem está todos os dias em casa com as duas, pois é educador físico e tem menos trabalho neste período de quarentena. “Ele já me ajudava bastante, dava banho e, agora, ainda mais”, pontua.

Quanto aos cuidados com Maria Luísa, Camila revela que até máscara chegou a comprar para a filha usar quando precisasse sair para consulta ou vacinas, mas depois leu que era dispensável porque há risco de sufocamento. Por força da quarentena, o casal não tem recebido visitas. “Quando as pessoas começaram a se planejar para conhecer a Maria Luísa, veio a quarentena. E todos por conta própria decidiram aguardar”,  comenta.

Católico, o casal planeja batizar a filha em 12 de outubro, quando é comemorado o dia de Nossa Senhora Aparecida. E torce para que até lá a situação esteja mais controlada e a vida voltado ao mais próximo da normalidade. Desde o nascimento da filha, Camila conta que abriu exceção para sair apenas para fazer algumas fotos com a pequena, mas uma sessão em que estavam cercados de todos os cuidados.

E, neste Dia das Mães, Camila sabe que não será como o esperado porque não estará rodeada de muitas pessoas, mas o que a conforta é saber que não será o único. Enquanto esta situação não passa, as chamadas de vídeo matam a saudade, mostram Maria Luísa para a família e amigos. “E temos as fotos dos mesversários que estamos fazendo aqui para ela, tendo apenas eu e o pai”, atenta Camila sobre mais estes momentos a três.

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