Home»Caderno Multi»Dia das Mulheres: Elas fazem bonito em todas as profissões

Dia das Mulheres: Elas fazem bonito em todas as profissões

0
Shares
Pinterest WhatsApp

A presença feminina ainda não é comum em algumas profissões, especialmente quando falamos em cidades do interior, mas este cenário está mudando. Por aqui, por exemplo, há tempos já há mulheres trabalhando como frentista ou dirigindo ônibus. E, neste Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã (8), a Gazeta conversou com duas mulheres que exercem profissões que ainda são dominadas pelos homens: a pintura de paredes e o ajudante de mecânica.

Ambas falam com muito orgulho da atividade que exercem e não se intimidam em estarem em ambiente com maior presença masculina. Nesta edição, os leitores conhecerão Joyce da Costa Oliveira, 23, a jovem que deixou a área de administração para trabalhar ao lado do pai. E também Márcia Cristina Negri de Almeida, 51, que é auxiliar de mecânico na empresa da família e ainda acumula as tarefas de dona de casa.

PINTORA DE PAREDES

Joyce não troca atual profissão para voltar à área administrativa

Formada em Administração, Joyce da Costa Oliveira, 23, até trabalhou na área, mas depois de ser demitida do último emprego foi ajudar o pai que é pintor de paredes. E bastou um tempinho para se descobrir uma excelente pintora de paredes e abraçar a nova profissão. Como há poucas mulheres nesta área, a jovem recebe alguns olhares de desconfiança e questionamentos do tipo: você sobe nesta escada tão alta?

Mas as dúvidas se diluem quando os desconfiados – a maioria homens – observa a jovem no trabalho. Sim! Há quem fique olhando para “ver e crer” que uma mulher vai mesmo lixar, passar massa, pintar, subir na escada ou andaime. Há dois anos Joyce provou que dá conta do recado e, aliás, pretende se aprimorar na profissão fazendo cursos para aprender um pouco mais sobre paleta de cores. “Em muitas casas, o arquiteto é quem orienta sobre as cores, mas tem outras que não. Eu quero aprender mais para sugerir as cores para os clientes”, adianta.

A formação em Administração só trouxe benefícios ao trabalho do pai de Joyce. Afinal, é ela quem coloca na ponta do lápis o orçamento, ajudando também na parte burocrática do trabalho. “Faço orçamento, listo quantidade de material, valor da mão de obra, tudo bem detalhado para o cliente. Tem quem queira até mesmo o orçamento por partes do serviço, como área interna, área externa e ferragens”, comenta.

Para ela, o fato de ser mulher não a impede de exercer nenhuma tarefa, assim como ter optado por um trabalho braçal não a faz sentir-se menos valorizada como profissional. Pelo contrário, Joyce conta que tem um orgulho enorme quando vê o sorriso do cliente ao ver o trabalho finalizado. “O mais legal é pegar o serviço do zero e deixar como o cliente quer. É uma satisfação enorme”, comenta.

Sobre as vantagens da mulher na área de pintura de parede, ela é taxativa: sou organizada e gosto de deixar tudo muito arrumado e limpinho. “Minhas amigas têm orgulho de mim e me falam isso”, diz quando questionada sobre a opinião das amigas em relação à escolha de deixar a área administrativa. E Joyce conta que não está na pintura por falta de opção, pois teve oportunidades de retornar ao serviço administrativo. “Gosto de trabalho manual. Já ajudei até a rebocar muro, fazia a massa e o meu pai aplicava”, revela contando que também desenha.

AUXILIAR DE MECÂNICA

Há quase 8 anos, Márcia trabalha na empresa da família, ao lado do marido

Unhas esmaltadas, cabelo bem cuidado e preso, brincos, sorriso no rosto e uma simpatia ímpar. Esta é Márcia Cristina Negri de Almeida, 51, que trabalha como auxiliar de mecânica na empresa da família, onde o marido é o mecânico. Ela chegou à profissão há quase oito anos, quando ele aposentou e era época de pagar a faculdade dos filhos. O jeito foi enxugar as despesas e dispensar os funcionários. Assim, Márcia tornou-se o braço direito do marido.

Cuidando da casa e dos filhos, Márcia não tinha habilidade com a função, mas o assunto não era desconhecido porque de tanto ouvir o marido falar sobre a mecânica dos automóveis, familiarizou-se com alguns temas. Não demorou muito tempo para que ela aprender o nome de todas as ferramentas disponíveis no painel. “Só que tenho que ser rápida. Ter agilidade”, comenta lembrando que também cuida das contas.

Quanto à convivência, Márcia diz que não poderia ser melhor e que, como o marido exerce a profissão há anos, muitos conhecem o casal e sabem que, a mulher trabalha ao lado do marido. “São todos muito educados comigo”, revela. Quem não gostou muito da nova profissão da filha, foi a mãe de Márcia. Ela achava a área muito “pesada”. O que não aconteceu da parte dos filhos do casal Vinícius, 24, e Gabriela, 29. Ambos aceitaram numa boa a decisão da mãe.

Bem-humorada, Márcia ri quando questionada se conhece outra mulher que exerça a mesma profissão que a sua. “Aqui, no Guaçu, acho que não tem”, pondera. Com as amigas, ela conta que todas se orgulham do seu trabalho porque o assunto não é dominado por elas. Márcia conta que não deixa a vaidade de lado e faz questão de reservar os sábados para fazer as unhas e cuidar dos cabelos. Como também é dona da casa, ela encerra o expediente na mecânica mais cedo, às sextas-feiras.

O projeto de Márcia é, em breve, reduzir a carga horária nos demais dias da semana. Afinal, o filho caçula vai concluir a faculdade e o casal pretende descansar. Isso se o marido José Antônio Lino de Almeida Sobrinho, o Alemão, conseguir ficar parado.

EMPREENDEDORAS

Brasil tem a 7ª maior proporção do mundo de mulheres entre empreendedores iniciais

Da Redação

Segundo dados divulgados pelo Sebrae em 2019, o Brasil tem a 7ª maior proporção do mundo de mulheres entre os empreendedores iniciais (empreendedores nascentes e novos) – 34% dos empreendimentos nacionais são liderados por mulheres. No entanto, há um desequilíbrio frente à população masculina empreendedora.

Levantamento do Sebrae, a cada 10 empreendedores, 6,5 homens viram “donos de negócio”, enquanto entre as mulheres essa taxa é de 3,9. A proporção de negócios “por necessidade” é maior entre as mulheres: 44% criaram seu próprio negócio por necessidade, em comparação a 32% dos homens.

Além dos dados acima, outros números levantados pelo Sebrae também dão conta de que as donas de negócio têm maior escolaridade (16% maior), mas ganham, em média, 22% a menos que os homens na mesma posição. Além disso, as mulheres empresárias tomam menos empréstimo e com valor médio igualmente menor, mas pagam taxas de juros maiores, mesmo apresentando uma taxa de inadimplência inferior à registrada por homens: 3,7% para mulheres contra 4,2% para os empresários.

 

Previous post

Tome Nota da edição de sábado, dia 7

Next post

Soltura e venda são proibidas, mas ainda falta regulamentação