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Editorial: A dengue mata!

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Quantas mais notícias sobre mortes causadas por doenças que podem ser prevenidas precisam ser divulgadas para que a população se dê conta de que o problema é grave, exige vigilância e atitudes preventivas ao alcance de todos? Os números de casos confirmados de dengue em todo o país têm aumentado, conforme previsão do Ministério da Saúde. Em 2019, o Brasil registrou o segundo maior número de casos de dengue desde 1990 — ano em que a notificação obrigatória começou —, ficando atrás apenas de 2015. E, para 2020, a expectativa não é das melhores. Segundo o coordenador-geral de vigilância em arbovirose do Ministério da Saúde, Rodrigo Said, o país terá uma quantidade de infecções por esse vírus relativamente alta.

Mogi Guaçu e Mogi Mirim já somam mais de 360 casos confirmados em menos de 40 dias. Os dados assustam e as autoridades municipais estão em alerta, inclusive Mogi Mirim decretou estado de emergência. Além do combate à dengue que é feito casa a casa, outras ações estão sendo desenvolvidas, pois o panorama não é otimista. Mogi Mirim divulgou que está em andamento as ações como sala de hidratação, nebulização e contratação de médico para a UPA 24h. Já Mogi Guaçu terá uma reunião na próxima segunda-feira (10), essa aberta à imprensa, com representantes de alguns setores para discutir o avanço da doença no município.

Dados do Ministério da Saúde apontam que 80% dos criadouros para o mosquito transmissor da dengue estão nos domicílios. Os dados também mostram que 43% dos criadouros foram localizados em recipientes plásticos, garrafas e latas acumulados e destampados nos quintais das residências, e em entulhos de construção, caçambas e latas de tintas também deixadas abertas nos quintais; 23,5% estão nos depósitos de água a nível do solo e 22,6% estão nos pratinhos de vasos de plantas, recipientes de degelo de geladeiras, bebedouros, pequenas fontes ornamentais; 7,3% foram encontrados em pneus e 5,3% em tanques em obras, borracharias e hortas; calhas lajes e toldos em desníveis, ralos de sanitários em desuso, piscinas não tratadas, cacos de vidro em muros e floreiras e vasos nos cemitérios.

Ou seja, o material para reprodução do Aedes aegypti está sendo cultivado nos quintais de nossas casas ou em terrenos baldios e áreas verdes. O momento é de somatória de esforços, a fim de evitar que os municípios enfrentem uma epidemia da doença. O Poder Público deve dar o exemplo ao reforçar a limpeza dos espaços comuns e cobrar a limpeza dos terremos vazios. E a população, por sua vez, deve fazer a lição de casa, pois a grande maioria já sabe o que fazer para evitar a proliferação do mosquito da dengue.

Enquanto ganham destaque as notícias sobre o coronavírus, o mosquito Aedes aegypti ameaça a tranquilidade de milhares de pessoas e os números mostram que Mogi Guaçu, Mogi Mirim e cidades da região não estão fora dessa realidade. A maioria das medidas preventivas está ao alcance de todos: não deixar água parada no quintal, na rua ou na casa do vizinho. Se cada um fizer a sua parte, os municípios terão a chance de não ficar em nenhuma lista de cidades com epidemia ou a população sofrer ao ter que enfrentar hospitais lotados. A prevenção se faz necessária e deve ser feita diariamente. Mãos à obra!

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