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Editorial: Agressividade descabida

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A agressão a uma orientadora da empresa Tec Park, responsável pelo estacionamento rotativo e pago na cidade, ocorrida no último sábado (13) por uma condutora que estacionou seu veículo irregularmente está longe de ser um fato isolado como admitiu a própria direção da empresa. As agressões deixaram de ser verbaispara tornarem-se violência física e descabida a profissionais que somente estão ali cumprindo as tarefas para as quais foram contratadas.

Ofendê-las e agredi-las por não concordar com o sistema de zona azul presente na cidade seria o mesmo que agredir o caixa de uma instituição financeira pela demora na fila ou descontar, por exemplo, no motorista de ônibus toda a ira pela lentidão na catraca ou excesso de passageiros.

Ainda que haja críticas ou questionamentos a serem feitos aos responsáveis por serviços prestados na cidade, nada justifica atos de agressão covarde como os sofridos pela fiscal da Tec Park. Ações extremistas como essa são cada vez mais comuns entre as pessoas que fazem de pequenos aborrecimentos justificativas para agredir quem quer que esteja a sua frente, incentivado pela impunidade que norteia a maioria dos casos.

A agressividade no trânsito, na escola e até em casa muitas vezes passa despercebida e fica acobertada por um dia estressante no trabalho ou clima hostil porque tem passado o agressor. Dessa forma, a população acostuma-se com o que denomina extravasar, enquanto aumenta o número de vítimas país afora surpreendidos pelos cinco minutos de ira de alguém.

Em muitos casos, a agressividade no trânsito é tratada como doença grave. Indivíduos agressivos no trânsito podem ser portadores de transtorno explosivo intermitente (TEI), que segundo pesquisadores atinge 6% da população mundial. Essa relação do transtorno com o trânsito é estudada há mais de 60 anos pelo risco de saúde pública, mas muitas pessoas não procuram tratamento porque acham que é normal, ainda que essa agressividade afete a vida delas, podendo trazer prejuízos pessoais e profissionais. Isso sem falar no risco de agressões a outras pessoas.    Para piorar, a sensação de anonimato no trânsito favorece o sentimento de hostilidade.

Ações de agressão, sejam elas físicas ou verbais, denotam que o brasileiro ainda tem uma relação enviesada com o espaço público, e não sabe se comportar com o coletivo.Identificar esses agressores e imputar-lhes uma pena severa, bem como buscar um melhor convívio social com atitudes simples de educação e respeito ao próximo poderá inibir comportamentos reprováveis como a da condutora que bateu na orientadora fiscal.

Ainda hoje, em tempos de agressividade extrema na internet, parco respeito aos mais velhos e às instituições, o diálogo segue sendo a arma mais poderosa contra ignorantes que se valem da força e da agressividade quando lhes faltam argumentos e sapiência.

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