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Editorial: Apertou o cinto

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O avanço da Covid-19 nos municípios da Baixa Mogiana causou reação nas Prefeituras, nos últimos dias, principalmente após o aumento no número de óbitos e da taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), maior calcanhar de Aquiles dos municípios. As Prefeituras de Mogi Guaçu e de Mogi Mirim intensificaram as fiscalizações e prometeram rigor nos trabalhos das equipes. De fato, a semana já foi diferenciada com a aplicação de multas a lojas que não estavam cumprindo o horário permitido para a abertura e até bancos de praças públicas foram lacrados. Há semanas, os municípios têm feito os mais diversos alertas sobre a necessidade de a população cumprir com a quarentena. Diante do aumento do número de casos positivos e dos óbitos registrados, decidiu-se pelo aperto na fiscalização contra pessoas e estabelecimentos que estão descumprindo os decretos do Governo do Estado e dos municípios de distanciamento social. A decisão vem em boa hora, pois observa-se um total descontrole por parte das autoridades na fiscalização e de despreocupação das pessoas com relação à pandemia do novo coronavírus.

Andar pelas ruas de Mogi Guaçu e de Mogi Mirim é ter a sensação de que a cidade se acha imune à pandemia, que não existe a possibilidade do vírus provocar o colapso no sistema de saúde municipal. A verdade é que a pandemia se aproxima do seu ponto alto, justamente quando as pessoas precisariam ter mais cuidado, porém, o perigo é ignorado. A mudança é de comportamento e de responsabilidade de todos, mas as cobranças recaem mesmo sobre as Prefeituras, que são questionadas sobre o cumprimentos dos protocolos de higiene e também com relação ao sistema de saúde público. Evitar o colapso da Saúde tem sido o maior desafio dos prefeitos, além de alinhar outras ações que continuam em andamento. Uma outra grande preocupação é evitar que a área financeira também fique doente. O fato é que os prefeitos Walter Caveanha (PTB) e Carlos Nelson Bueno (PSDB) têm grandes responsabilidade e desafios, mas não são somente eles.

Em dias em que uns pregam rigor no isolamento social, com toques de recolher e outras medidas restritivas, e outros brigam por afrouxamento dessas regras em favor da economia, uma coisa nunca soou tão certa: a proteção da própria vida e a dos familiares depende de cada um e também de todos. Aliás, num outro cenário, mas de igual consequência, os casos e até morte por dengue não seriam tantos se todos mantivessem os quintais e os terrenos baldios limpos. Não adianta, por exemplo, impor proibição de funcionamento desta ou daquela atividade se em bairros as aglomerações continuam acontecendo em bares e lanchonetes e outras atividades não essenciais onde se sabe que a fiscalização dificilmente vai chegar.

Não adianta achar que a pandemia é uma “gripezinha”, se os boletins epidemiológicos crescem diariamente, indicando mortes mundo afora, principalmente em países em que a doença está no pico, matando perto de mil pessoas diariamente. Os efeitos de medidas restritivas só poderão atingir o fim a que se destinam se cada pessoa tiver consciência e responsabilidade com a própria vida e com a saúde do outro. A pandemia que aí está precisa trazer de volta valores esquecidos de cidadania. Uma cidadania que se traduz na prática de direitos e deveres de cada indivíduo no ambiente social em que se encontra inserido. Direitos e deveres que devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica, necessariamente, numa obrigação de outro.

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