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Editorial: Escolas abertas só em 2021

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Enquanto diversas cidades discutem o retorno das aulas presenciais, em Mogi Guaçu o assunto foi decidido pelo prefeito Walter Caveanha (PTB). Esse ano, os alunos das redes pública e particular não retornam para as aulas presenciais mesmo que autorizadas pelo Governo do Estado. O assunto vem sendo debatido há semanas, principalmente após o Plano São Paulo liberar o retorno após a cidade ficar 28 dias seguidos na fase amarela, que ainda não era o caso de Mogi Guaçu.

Mesmo assim, o chefe do Executivo editou decreto que está sendo publicado neste sábado (5) com a suspensão das aulas presenciais até o final do ano. Ou seja, os alunos continuarão com as aulas online, conforme cada estabelecimento de ensino tem feito desde março, quando as aulas foram suspensas. Para uma melhor definição, a Secretaria de Educação foi ouvir os pais e mais de 80% opinaram que não mandariam seus filhos para as escolas esse ano no meio da pandemia da Covid-19. Apesar de inicialmente dizer que a pesquisa não seria decisiva, a equipe do prefeito baseou-se nesse resultado e também em relatórios técnicos e científicos, a fim de tomar a decisão.

A realidade de retomada das aulas é complexa, envolve adequação de ambientes, medidas de distanciamento e de segurança sanitária, estratégias de transporte de alunos e novos modelos de rotina, dentro e fora das salas de ensino, que reduzam o contato físico e o risco de exposição ao coronavírus. Nessa perspectiva de retorno gradual, há ainda outras questões como de quem é a prioridade de retorno. Há argumentos a favor da preferência à educação infantil por aspectos educacionais, mas principalmente por questões sociais e econômicas. Vê-se, desde o início da pandemia, que a rede particular já perde alunos dessa idade pela crise financeira e também porque a educação a distância não funciona nem é recomendada para essa faixa etária.

A decisão passa, inclusive, pela preocupação com as mães trabalhadoras. Pesquisadores falam numa geração inteira de mulheres prejudicadas por causa da pandemia. São elas que acabam faltando ou deixando de trabalhar quando a escola não volta e os filhos são jovens demais para cuidar de si mesmos. Há argumentos nobres também de quem defende primeiro a volta dos mais velhos, principalmente dos que estão no 3º ano do ensino médio, às vésperas de prestar vestibular. Há que se pontuar que, se estão na camada mais pobre da população, são também os mais vulneráveis à evasão escolar, desde antes do cenário de pandemia.

A um passo do ingresso no ensino superior, quanto antes voltarem a ter aula diante de seus professores, sem depender da mediação de telas para estudarem, mais chances têm de entrar numa faculdade. A desigualdade na educação acentuou-se diante da necessidade de tecnologia. Além disso, adolescentes, teoricamente, compreendem melhor a necessidade de cumprir regras sanitárias.

Pesquisas mostram que haverá múltiplos impactos nos alunos e nos educadores, independentemente da faixa escolar, exigindo um esforço do Poder Público por um planejamento de volta às aulas articulado entre Educação, Saúde, Economia e Assistência Social. A urgência maior ainda é garantir a saúde de crianças, adolescentes, jovens e adultos, sem deixar de lado as evidências que mostram que a Educação, especialmente a pública, é um pilar fundamental para a reconstrução de um país após tão profunda crise.

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