Home»Editorial»Editorial: Faltou informação, de novo

Editorial: Faltou informação, de novo

0
Shares
Pinterest WhatsApp

A questão ambiental deve estar inserida em temas e notícias das mais diversas áreas, e não apenas durante a cobertura de desastres ambientais, uma vez que um dos papéis fundamentais do jornalismo é incentivar a conscientização da população. A mídia pode, dessa forma, inserir-se de forma cívica, educando o receptor da mensagem para a questão ambiental ao tratar do tema, formando a opinião pública, bem como efetivando a participação social nos ternos do Princípio nº 19, da Declaração de Estocolmo (de 1972), que registra a importância da informação para a educação ambiental, conscientização das responsabilidades socioambientais e para a formação da opinião pública quanto à matéria.

Isso ocorre porque, um dos princípios norteadores do Direito Ambiental é a participação popular, que permite à sociedade civil participar das tomadas de decisões referentes às políticas públicas na área ambiental, bem como da elaboração, efetivação e fiscalização destas políticas, tendo em vista que é dever tanto do Poder Público quanto da sociedade a proteção e defesa do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Entretanto, a sociedade somente poderá participar adequadamente deste processo se obtiver as informações ambientais necessárias. O acesso à informação ambiental torna-se tanto um instrumento de implementação, como um pressuposto da concretização da participação popular em matéria relativa ao meio ambiente.

E foi neste quesito que se perdeu a equipe liderada pelo prefeito Walter Caveanha (PTB) no episódio da erradicação de árvores para a construção do corredor de ônibus ou a continuação da Avenida Alíbio Caveanha, como prefere a Prefeitura. Em outubro de 2015, a Administração Municipal iniciou as obras do projeto do Plano Diretor, ou seja, começou a ser aberta a ‘Alíbio Caveanha’, que segue o traçado do antigo leito da Fepasa. Esta via formará o corredor de ônibus previsto no novo Plano Diretor do município, que se estende até o cemitério do Jardim Novo I. Meses depois a empresa vencedora da licitação abandonou a obra alegando problemas financeiros, no início de 2016, e a obra só foi retomada no ano passado. Ou seja, a construção do corredor de ônibus não é assunto novo, mas causa estranheza é a falta de informação vinda do Poder Público, agora, com o agravante corte de centenas de árvores sem aviso prévio ou sem mostrar o projeto para a população ou pelo menos para os moradores daquela região.

Se não é necessário licença ambiental e se tudo o que foi feito está dentro da legislação, qual o motivo de tanto mistério? Caveanha é prefeito há 20 anos e sabe o quanto a opinião pública é importante. Mas, neste mandato, tem preterido quem não é do seu grupo ou do seu interesse político.

Por mais que não aceitem a opinião pública, os agentes políticos deveriam dar mais atenção a esse assunto. O corredor de ônibus está aí como exemplo e ficará para a história do município. A obra tem, sim, seu lado inovador e futurista, mas o prefeito perdeu qualquer tipo de mérito ao não explicar o que seria feito e quais compensações seriam promovidas pela Administração Municipal. Divulgar semanas depois o início do processo de “transplantação” não será suficiente para apagar o estrago feito, principalmente de quem passa pelo local. Voltar atrás não deixa de ser positivo, mas mostra falta de transparência ao não dizer a verdade: que a opinião pública o fez rever a necessidade de cortar mais árvores, mas, desta vez, na Avenida dos Trabalhadores. Falta informação e falta verdade.

Previous post

Prefeitura muda projeto e mantém árvores

Next post

Moção de repúdio e CEI são aprovadas pelos vereadores