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Editorial: Para inglês ver?

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Nem parece que o governador João Doria (PSDB) prorrogou a quarentena em todo o Estado de São Paulo até 31 de maio. Quem saiu às ruas ontem (8), pode observar um movimento grande na região central e bairros periféricos. Muita gente pelas ruas e os mais variados comércios abertos, contrariando o que determinam os decretos do Estado e do município.

Até o dia 31 de maio somente os serviços considerados essenciais podem funcionar e com restrições, como uso de máscara pelos funcionários e clientes e também com fracionamento do público. Em que pese que a situação econômica é uma preocupação real, o avanço da doença também não deixa qualquer dúvida com relação a importância do isolamento social. Mas, e, agora, o quê fazer?

O Estado tinha um plano de flexibilizar a quarentena a partir do dia 10 de maio e, para que cada cidade pudesse retomar o comércio parcialmente, era preciso estar na chamada área verde, de acordo com a taxa de isolamento social alcançada diariamente. Mas a degradação da situação da saúde fez com que São Paulo ficasse somente com áreas vermelhas e amarelas. Antes do anúncio da prorrogação da quarentena, integrantes do Governo Estadual já informavam que estava difícil encontrar uma região que atendesse aos requisitos. Por conta disso, o próprio governador afirmou que reabrir a economia neste momento colocaria em risco milhares de vidas.

O fato de a promessa do governador não ter sido cumprida, pois nenhum plano foi revelado, fez com que a situação literalmente fugisse do controle. Mogi Guaçu não foi a única que registrou aumento de pessoas pelas ruas, mas as vizinhas Mogi Mirim e Itapira também. A taxa de isolamento já estava menor do que os 50% solicitados e pode cair muito mais nos próximos dias.

Os municípios que são obrigados a seguir determinação do Estado já prepararam seus decretos prorrogando a quarentena até 31 de maio, mas têm um desafio e tanto pela frente: vão continuar fazendo vistas grossas com relação aos estabelecimentos não essenciais que estão em funcionamento ou vão engrossar a fiscalização? O trabalho de orientação já foi feito e informações sobre a importância do isolamento social não faltam, assim como dados alarmantes do aumento da doença nas cidades do interior. A economia irá se sobrepor à saúde?

Ao anunciar a prorrogação da quarentena, João Doria citou um estudo que mostra a explosão de casos de Covid-19 no interior, onde houve um aumento de 3.302% no número de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. A pesquisa foi feita pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e mediu o avanço da pandemia entre 1º e 30 de abril. Já há 371 cidades com habitantes contaminados e a projeção é que todos os 645 municípios tenham casos confirmados até o final do mês. As regiões do interior que mais preocupam são o Vale do Paraíba, Campinas e a baixada santista.

As Prefeituras têm um verdadeiro abacaxi para descascarem. Precisam lidar com a queda da arrecadação, com a fúria da população que não aceita o isolamento social e do comerciante que não consegue mais ficar fechado, e ainda impedir uma explosão de casos locais. Por mais que as dificuldades existam para todos, a ciência tem mostrado que o isolamento social é eficaz e único remédio disponível para conter o avanço da Covid-19. Justamente, por isso, os prefeitos terão a difícil missão de aumentar as taxas de isolamento vistas no início da pandemia, o que evitaria a necessidade de uma medida ainda mais drástica.

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