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Editorial: Paradoxo do transporte público

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A discussão em torno do transporte público está há décadas atrasada em Mogi Guaçu. A Viação Santa Cruz é a concessionária que há mais tempo presta serviço ao município sem nunca ter sido pressionada ou até mesmo cobrada pelos vários problemas que são apontados pelos usuários. O prefeito Walter Caveanha (PTB) encerra seu quinto mandato em dezembro desse ano, ou seja, comandou a cidade por 20 anos e não conseguiu fazer uma concorrência pública.

O assunto transporte público vem à tona pelo menos uma vez ao ano, quando o reajuste da tarifa começa a ser discutido por conta da exigência de se fazer audiência pública. Talvez, se essa lei não existisse o transporte público continuaria apenas nas reclamações dos usuários feitas quase que diariamente. A lista de melhorias é grande: desde pontos de ônibus sem cobertura e assento, mais linhas para atender bairros, os horários são extensos e a frota sucateada.

Os diversos problemas foram apontados durante audiência pública realizada nesta semana, na Câmara Municipal. A empresa protocolou um pedido de reajuste de R$ 7,35 e a Comutran já sinalizou que poderá autorizar R$ 4,90, sendo que atualmente o valor é de R$ 4,50. A questão da gratuidade voltou a ser apontada como a vilã pela passagem em Mogi Guaçu custar tão caro, mas alternativas não são definidas para reverter esse cenário. Falar há quase oito anos que irá realizar concorrência pública do transporte não leva ninguém a lugar algum e também não melhora em nada o serviço que é oferecido à população.

Todo mundo sabe que pouco ou quase nada pode-se fazer em ano eleitoral mesmo o prefeito Walter Caveanha não sendo candidato. Então, dificilmente o que foi prometido durante a audiência pelo secretário de Obras e Viação, Salvador Franceli, nesta semana será cumprido pela atual gestão. Mas e os usuários? Continuarão a mercê do que é oferecido? O chefe do Executivo irá autorizar a nova tarifa a R$ 4,90 sem atender os pedidos de quem utiliza o transporte público?

Não é preciso ser um bom matemático para chegar à conclusão de que a tarifa do transporte coletivo em Mogi Guaçu só será mais barata se houver um número maior de passageiros pagantes. E isso não será conquistado apenas mudando as regras da gratuidade. É necessário um plano mais consistente do que simplesmente realizar uma nova concorrência. Será preciso fazer com que os moradores deixem seus veículos em casa, a fim de que façam a opção pelo transporte público. Mas isso só seria possível se um serviço de qualidade fosse oferecido.

Pesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social: Mobilidade Urbana, realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada ano passado, mostrou que, se o transporte público fosse de qualidade, 70,99% da população urbana brasileira que não usam esse serviço nos principais deslocamentos diários se tornariam usuários frequentes do sistema coletivo. Para isso, eles exigem melhorias, principalmente, na rapidez (20,83%), na disponibilidade de linhas (15,67%) e no preço; ou seja, passagens mais baratas (9,22%). Pouco mais de 24% afirmam que nada os faria utilizar o transporte público coletivo.

Os dados estão aí para serem analisados e, principalmente, usados em um estudo local que reflita numa mudança esperada e necessária.

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