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Editorial: Política quebra galho

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Ainda sobe os efeitos devastadores das queimadas na Amazônia, a preocupação mundial com o clima diante das altas temperaturas e desastres naturais que atingem o Brasil, a Prefeitura de Mogi Guaçu voltou a ser destaque regional devido a erradicação de 80 árvores na Avenida Clara Lanzi Bueno para a construção de um corredor de ônibus idealizado pelo prefeito Walter Caveanha (PTB). O corredor faz parte das obras de mobilidade urbana e será construído em duas etapas ao custo de pouco mais de R$ 7 milhões com dinheiro de financiamento e recursos próprios. A Administração Municipal, dessa vez, fez planos para o futuro da cidade. Tentou vislumbrar a necessidade de um corredor que facilitasse a ligação do transporte público a partir da SP-342 até o Ypê Amarelo, extremo norte da cidade. Mais adiante, a ligação poderá ser feita interligando a Avenida dos Trabalhadores até o centro da cidade. Projeto audacioso e que poderá desafogar um trânsito, que hoje não existe.

Caveanha e sua equipe pensaram à frente e se esqueceram, contudo, da repercussão do presente. Faltou levar a ideia à população, debater as consequências de tal ato, enfrentar os oposicionistas com coragem e argumentos. Levar o debate à Câmara. Ouvir quem vai utilizar esse corredor e, principalmente, apresentar um plano de compensação detalhado para a erradicação das árvores centenárias que faziam parte do cenário dos bairros. Como nada ou quase nada disso foi feito, o desgaste do governo foi gigantesco e a obra de mobilidade urbana corre o risco de estar condenada antes mesmo de ganhar forma.

Cortar árvores em nome do progresso e do desenvolvimento não é e não será um ineditismo da Prefeitura de Mogi Guaçu, mas a maneira como a Administração Municipal lida com situações que podem desencadear o clamor público é pueril. Em tempos de redes sociais inflamadas e de manifestantes dispostos a tudo para cinco minutos de fama ou cinco mil visualizações em redes sociais, o governo precisa comunicar-se melhor com a população e explicar suas reais intensões antes de ligar a motosserra. Cortes de espécies podem ser compensadas com as devidas autorizações ambientais e sem prejudicar a cidade. Máquinas podem avançar em seus trajetos abrindo clareiras, desde que a comunidade entenda a real necessidade da obra e que prioridades não estejam sendo deixadas de lado para atender um capricho de quem tem o poder da caneta.                          Gostando ou não, frustrado ou decepcionado com a opinião pública, é preciso dialogar com a população, valer-se dos meios de comunicação e mostrar que ainda há espaço no governo para ponderações e opiniões contrárias. Cada árvore que cai na Avenida Clara Lanzi faz um arranhão profundo na imagem da Prefeitura, que precisa reunir forças para dar conta das inúmeras obras que prometeu para a população em curto espaço de tempo, muitas delas indispensáveis para o crescimento da cidade.

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