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Editorial: Problemas à vista

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A grande maioria das pessoas concorda que o ano de 2020 é totalmente atípico. Um ano de pandemia do novo coronavírus, de desgaste político por conta dos inúmeros casos de corrupção no país, de inúmeros desafios e tantos outros problemas. Que o diga o prefeito Walter Caveanha (PTB), que encerra seu último mandato à frente da Prefeitura no próximo dia 31 de dezembro. A crise financeira decorrente da paralisação do país por conta da pandemia é de longe o maior problema do chefe do Executivo. Claro que sua equipe econômica tem feito cálculos para conseguir encerrar o quinto mandato de Caveanha no azul. Mas esse é de longe o menor problema da equipe.

Há poucos meses, o prefeito viu as tão esperadas obras de mobilidade urbana serem paralisadas após sofrer um revés na Câmara. A oposição barrou a mudança na lei que autorizou o município a emprestar R$ 29 milhões e acusou o chefe do Executivo de não dialogar. Resultado: as obras foram paralisadas. São sete obras, como explica nesta edição a repórter Cláudia Marquezi, uma vez que a retomada foi liberada, mas é lenta. Sem falar que a retomada só aconteceu porque os vereadores da oposição decidiram aprovar a alteração na garantia mesmo sem que nenhuma mudança fosse exigida, uma vez que, até agora, o relatório final da CEI (Comissão Especial de Inquérito), que apura as irregularidades no contrato entre a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura, não foi apresentado.

Agora, Caveanha e sua equipe enfrentam um inquérito civil que acaba de ser aberto pelo Ministério Público por conta do projeto da nova feira no Parque Cidade Nova. O advogado José Martini Neto questionou o projeto da Prefeitura e o MP não só aceitou a denúncia como já cobrou informações da Prefeitura. Ou seja, mais um projeto que será paralisado. O projeto da feira livre enfrenta resistência de moradores, de parte dos vereadores e de uma boa parcela dos feirantes, que não aceitam sair de onde estão há mais de 30 anos.

O projeto foi apresentado após a Prefeitura assinar contrato com o Banco do Brasil, que libertou o financiamento de R$ 5 milhões, sendo que o projeto da feira irá consumir pouco mais de R$ 1 milhão. No papel, o projeto é apresentável, mas não convence o motivo de o canteiro central do Parque Cidade Nova ser o escolhido. Além disso, a Administração Municipal recebe diversas críticas por conta das árvores que serão retiradas da área, mesmo com a promessa de que as espécies serão replantadas.

Fato é que o principal problema do governo de Walter Caveanha foi a falta de diálogo e transparência. Exemplos não faltam. Nem mesmo a comissão formada por feirantes do Parque Cidade Nova foi chamada para conhecer o projeto da feira após ele ser modificado. Os feirantes não gostaram da primeira versão apresentada pela Prefeitura e pediram algumas modificações, como espaço para que os veículos ficassem junto às barracas. Depois disso, silencio total. O projeto foi refeito, o financiamento foi liberado e até a licitação para escolha da empresa finalizada, mas os feirantes, os maiores interessados no projeto, conheceram o novo modelo pela imprensa ou pelas postagens da própria Prefeitura. A licitação também foi questionada pelo advogado e a Prefeitura terá prejuízos nos prazos previstos em lei. Ou seja, mais um projeto que corre o risco de não ser entregue pelo prefeito e sua equipe nesta reta final de mandato.

O inquérito civil foi instaurado e caberá ao Ministério Público dar andamento ao processo e a Prefeitura ser a mais transparente possível, pois somente ela poderá dar as explicações necessárias para a continuidade do projeto ou para o seu arquivamento. Que ano!

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