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Editorial: Que comecem os jogos

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O presidente da Câmara, Rodrigo Falsetti, foi o primeiro a utilizar a janela partidária e deixou o PTB do prefeito e ex-aliado Walter Caveanha (PTB). Assim, Rodrigo tenta afastar de vez qualquer possibilidade de reaproximação com o grupo liderado pelo chefe do Executivo.

Apesar de ainda não ter oficializado nova filiação, o presidente da Câmara terá até 3 de abril para definir o novo partido, assim como os demais vereadores que estão propensos a trocar de sigla. Tudo indica que apenas dois vereadores irão permanecer nos partidos pelos quais foram eleitos: Fábio Aparecido Luduvirge Fileti, o Fabinho (PSDB) e Thomaz Caveanha (PTB). Os demais já debruçam sobre os esboços dos grupos políticos e tentam desde já desenhar um cenário positivo para uma eventual reeleição. Porém, a tarefa não é fácil.

Com a abertura da janela partidária e início do calendário eleitoral, novos e velhos políticos costuram acordos, tentam mediar a importância de ferramentas tecnológicas, planejam como financiarão as campanhas e calculam perdas e ganhos possíveis a partir de uma das principais alterações desse ano: a proibição de coligações nas chapas proporcionais. Além dela, contudo, pelo menos outros três fatores tendem a impactar a escolha dos eleitores e definir os resultados: a má utilização em larga escala das redes sociais, a expansão dos grupos suprapartidários que pregam a renovação da política e os constantes remendos nas normas do financiamentos das campanhas, que ainda seguem no centro dos debates.

No caso das coligações, o que passa a contar é a votação de cada legenda e a alteração, feita em 2017, é a segunda a entrar em vigor no sentido de enfraquecer a atuação dos chamados puxadores e votos e impedir que candidatos com baixo ou inexpressivo número de votos conquistem uma cadeira no Legislativo. A outra, aprovada em 2015 e que passou a valer em 2018, é a cláusula de desempenho individual, que estabeleceu que um candidato precisa ter um número de votos igual ou maior do que 10% do quociente eleitoral (o resultado da divisão do total de votos válidos da eleição pelo número de vagas). Agora, os campeões na preferência dos eleitores só ajudarão a eleger integrantes de suas próprias siglas e estes precisarão de uma quantidade mínima de votos.

Por conta das novas regras, diversos partidos devem optar por apresentar candidatos próprios às Prefeituras, como forma de alavancar as candidaturas de vereadores. Entre especialistas, a maior parte entende que o impacto será grande. Fato é que os representantes dos partidos já planejam a atuação durante a campanha eleitoral.

Em Mogi Guaçu, o cenário a sete meses das eleições municipais confirma as projeções feitas pelos analistas políticos a respeito da proliferação de candidaturas em decorrência da proibição das coligações nas chapas proporcionais. Até agora sete pré-candidatos explicitaram sua disposição de concorrer ao Executivo, mesmo que venha a ser confirmado, nos próximos meses, que parte deles, como de praxe, apenas use o expediente como estratégia para aumentar seu passe nas negociações de alianças. Porque, apesar de as coalizões nas proporcionais estarem vetadas, partidos com pouca ou nenhuma chance de vencer o pleito da majoritária têm no horizonte a possibilidade de indicação do vice-prefeito e a negociação prévia da ocupação de cargos em uma futura administração caso seu escolhido vença.

Literalmente, a corrida já começou e, nesse caso, o prêmio não será fácil nem amistoso: o voto do eleitor.

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