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Editorial: Questionamentos necessários

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A confirmação pela Prefeitura de Mogi Guaçu de que a reabertura da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Santa Marta tem data para acontecer não surpreende, mas deixa em aberto diversos questionamentos. A reabertura é esperada há seis anos e meio, ou seja, quase a totalidade dos dois mandatos do prefeito Walter Caveanha (PTB).

Desde então, a falta de recursos sempre foi utilizada como justificativa pela Administração Municipal para a não reabertura da unidade e até mesmo a verba repassada pelo Governo Federal foi perdida, pois o município não cumpriu com o prazo dado pelo Ministério da Saúde. O cumprimento de prazos tem sido um grande desafio para a equipe do prefeito Walter Caveanha, principalmente quando o assunto é UPA.

O próprio prefeito prometeu em entrevistas e em vídeos durante a campanha eleitoral de 2016 o retorno da unidade para o final daquele ano e nada mudou até a chegada da pandemia do novo coronavírus. A UPA do Jardim Santa Marta chegou a ser credenciada como hospital de campanha, mas não funcionou, pois não realizou nenhum atendimento desde o anúncio. Algumas macas foram compradas, mas o local ainda teria que ser melhor equipado, caso realmente fosse receber algum paciente. A reforma do prédio do Jardim Santa Marta foi iniciada em abril de 2016, mas só ficou pronta em junho de 2017. Diversas foram as justificativas e prazos dados pela Prefeitura, principalmente com relação à falta de recursos do município.

A confirmação da reabertura da UPA aconteceu por meio da Secretaria de Comunicação Social que limitou-se a enviar um release para a imprensa sem muitos detalhes de como será o reinício dos trabalhos na unidade. Alguns poucos detalhes foram dados após solicitação da reportagem desta Gazeta, como, por exemplo, sobre a equipe que irá atuar na unidade, que será por meio de licitação, como explica a repórter Cláudia Marquezi nesta edição. Porém, outras perguntas precisam de respostas: Qual será o custo para manter a unidade? O que mudou com relação à situação financeira para a reabertura? O município irá tentar credenciar a unidade ou as unidades, já que a UPA do Jardim Novo II continuará atendendo os pacientes daquela região. Se bem que, no caso desta unidade em questão, é somente uma nomenclatura, pois no local já funcionava o PPA (Posto de Pronto Atendimento), que foi substituído pela UPA quando a unidade foi transferida por conta do problema no telhado, em fevereiro de 2014.

Fato é que a reabertura da UPA no Jardim Santa Marta só irá trazer benefícios para a população se realmente for realizar os atendimentos com qualidade e não sem médicos como tem acontecido com a unidade do Jardim Novo II. É necessária toda uma estrutura física e de profissionais, a fim de que os pacientes sejam melhor recebidos. Não se pode novamente utilizar a UPA com fins eleitoreiros, como ocorreu em 2016. O que mudou que, agora, a situação financeira do município suportaria duas UPAs? A ajuda do Governo Federal deve demorar, pois tem toda uma parte burocrática que precisa ser cumprida. A Prefeitura terá o aval e recursos para manter as duas unidades? Pode ser que muitas destas perguntas nem sejam respondidas pelo Poder Público, mas, com certeza, o tempo trará as respostas. A reabertura prevista para o dia 15 de outubro e os primeiros dias ou semanas de atendimentos dirão se o retorno foi eleitoreiro ou se foi pensado naquela população que espera por quase sete anos pela reabertura da unidade.

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