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Editorial: Ruídos e sem som

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A Constituição da República Brasileira de 1988 consagra em um de seus artigos a independência e a harmonia entre os poderes. Ocorre que, em certos aspectos, o diálogo institucional demostra contornos de tensão. Não faltam exemplos nos três níveis: federal, estadual e municipal. Em âmbito municipal, a relação entre Executivo e Legislativo não tem sido saudável há anos, pois praticamente não existe diálogo entre os poderes. Informações importantes relacionadas ao município pouco chegam a todos os vereadores. Apenas o grupo da situação (aquela aliada ao prefeito) recebe informações, dados e conhecem os projetos da Administração Municipal. A outra base- a da oposição- tem visto seus questionamentos e indicações serem ignoradas pela equipe comandada pelo prefeito Walter Caveanha (PTB). Nem mesmo os prazos regimentais previstos são cumpridos e o resultado tem sido uma enxurrada de críticas da oposição.

O resultado desse distanciamento político entre Câmara e Prefeitura tem causado não só rusgas entre os poderes, mas consequências para a população. A falta de diálogo fez com que as obras de mobilidade urbana fossem paralisadas por conta de uma lei que não foi alterada. O erro passou desapercebido pela Caixa Econômica Federal e pela Prefeitura e quase um ano após a assinatura do contrato um projeto de lei foi encaminhado à Câmara para a mudança na garantia do empréstimo dos R$ 29 milhões. Acontece que os vereadores oposicionistas dizem que pediram, por meio de requerimentos, informações ao chefe do Executivo sobre o empréstimo e não obtiveram respostas. Afirmam também que o erro deveria ter sido corrigido antes da assinatura do contrato e que o município deve exigir que o mesmo seja cumprido.

É claro que a votação, apesar dos argumentos dos vereadores de oposição, foi política, principalmente pelo fato do prefeito não fazer nenhuma questão de se aproximar ou pedir apoio dos edis. E a briga política acaba tendo dois lados: os vereadores da oposição que buscam informações sem sucesso e do prefeito que não dá o braço a torcer para dialogar com a Casa de Leis. Esse diálogo deveria acontecer em prol da população e não por briga política ou pura vaidade. O que se espera de um líder? Cabe ao prefeito Walter Caveanha reconhecer que precisa, sim, do apoio da Câmara para governar e para isso é preciso abrir um diálogo claro e objetivo. Se mudar de postura, colocará os vereadores de oposição numa saia-justa. Eles irão reclamar do que?

A falta do diálogo fez com que o projeto de lei não fosse aprovado e as obras que tanto foi comemorada pela equipe de Caveanha foram paralisadas. O imbróglio pode demorar semanas e até meses para resolver e quem perde com isso? Quem irá pagar pelos custos das obras paralisadas ou de uma possível devolução dos recursos que já foram pagos às empreiteiras? É hora de Executivo e Legislativo deixarem as vaidades e disputas políticas de lado, pois o empréstimo foi aprovado e, agora, não pode ser perdido. A conta será alta caso nada seja feito.

As crises são momentos quando se perde a estabilidade e as referências se esfumam. Exatamente nas crises os líderes são mais necessários. É o momento que eles aparecem e crescem para organizar, acalmar, estimular, elevar a atenção, cada coisa na sua hora. Em momentos de crise, os líderes surgem de maneira clara, transparente. Sem discussão.

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