Home»Caderno Multi»Engasgo: GCM salva bebê recém-nascida

Engasgo: GCM salva bebê recém-nascida

0
Shares
Pinterest WhatsApp

Na manhã do primeiro domingo do mês (1º), uma bebê de apenas 13 dias de vida se engasgou com o leite materno e parou de respirar, em Martinho Prado Júnior. Desesperados, os pais da criança, que é gêmea, foram até a base da Guarda Civil Municipal em busca de ajuda. No local, o GCM Anselmo prestou os primeiros socorros e em cerca de 40 segundos a bebê voltou a chorar e consequentemente a respirar. “Ela estava bem roxa, estava parada”, relatou o guarda civil.

De forma rápida, Anselmo também acionou uma viatura e os GCMs Inspetor Santos, Dos Santos e Lima conduziram a família até o hospital de Conchal dando continuidade nas manobras para desengasgar a bebê que recebeu atendimento médico e foi liberada após ser constatado que tudo estava bem com sua saúde.

A ocorrência foi registrada na Base de Martinho Prado como auxílio ao público. Anselmo disse à Gazeta que em 30 anos de carreira nunca passou por uma situação como esta. “Na hora eu tive que acalmar os pais e colocar em prática tudo o que aprendi em cursos realizados de primeiros socorros”. Para ele, a ocorrência foi gratificante e teve momentos de medo e emoção. “Os pais confiaram a mim a vida da bebê e graças a Deus deu tudo certo. Depois eu também chorei de emoção “, confidenciou. Na mesma semana, Anselmo esteve na casa da família para rever a bebê e registrou o momento.

GRATIDÃO

Pais de bebê relatam susto e alívio

Cleane Serafim Lourenço e Lucas da Silva são os pais da bebê Eliza Lourenço da Silva que hoje está com 26 dias de vida. Eles receberam a Gazeta e relataram que nunca mais vão esquecer os momentos de angústia e medo que viveram na manhã daquele domingo. Eliza é gêmea idêntica da irmã Eloá. As duas nasceram no dia 17 de fevereiro deste ano na Santa Casa de Mogi Guaçu. O parto de Cleane foi realizado com sucesso e as gêmeas logo receberam alta. No entanto, a família não contava que ainda nos primeiros dias de vida das filhas viveria um grande susto com uma delas. “Senti muito medo de perder ela”, afirmou a mãe que explicou que no dia do engasgamento ela amamentou Eliza e logo a colocou na cama, já que a irmã gêmea começou a chorar. A mãe voltou a ver Eliza quando ela deu um chorinho e logo ficou sem reação com o leite saindo de sua boca. “Foi coisa de minutos e na hora eu percebi que ela estava engasgada”. Desesperada, Cleane acordou o marido Lucas e os dois saíram na rua gritando por socorro. “Uma vizinha falou para gente levar na GCM que eles saberiam nos ajudar”, contou Lucas que pegou um carro emprestado e correu para a Base da Guarda Civil com a filha e a esposa. Na base, o pai de Eliza lembra que foi muito bem atendido pelo GCM Anselmo. “Ele acalmou a gente e logo fez os procedimentos necessários que fez minha filha dar um chorinho e voltar a respirar”.

Cleane e Lucas com a pequena Eliza

Lucas também relatou que de forma rápida, o GCM acionou uma viatura que encaminhou a família para o hospital de Conchal. No trajeto, os GCMs Inspetor Dos Santos, Santos e Lima também realizaram um trabalho de excelência que ajudou a salvar a vida da bebê. “Eles dirigiram bem rápido e foram pedindo passagem para os outros veículos para gente chegar o quanto antes no pronto-socorro”, pontuou Cleane. O atendimento final feito em Eliza foi realizado por uma médica que terminou de desengasgá-la e depois a liberou ao constatar que ela estava fora de perigo.

Com a experiência, a mãe das meninas, que tem outros dois filhos, disse que vai ficar bem mais atenta. “Eu já não dormia direito, agora, acho que nem vou dormir mais para ter cuidado redobrado com elas”. Desde o nascimento das gêmeas, Cleane conta com a ajuda das cunhadas Juliete e Damiana. No entanto, no dia do engasgamento as cunhadas ainda não estavam na casa dela, já que tudo aconteceu bem cedo. As tias de Eliza também se demonstraram preocupadas com o ocorrido e enfatizaram que o atendimento dos guardas foi primordial para salvar a criança. “Primeiro agradecemos a Deus e depois ao atendimento que eles tiveram porque na hora do desespero a gente não sabe o que fazer”, enfatizou Juliete.

As gêmeas Eliza e Eloá são cuidadas pelas tias Juliete e Damiana

O pai da bebê disse estar muito agradecido pelo amparo que recebeu. “Fomos atendidos rapidamente e eles demonstraram muita preocupação com nossa filha. Só temos que agradecer por tudo e dizer que os guardas não estão ali apenas para combater crimes, mas também para fazer o bem para a comunidade”, finalizou Lucas.

ORIENTAÇÕES

O que fazer quando o bebê engasgar?

As chamadas para ocorrências de engasgamento em bebês são comuns no Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). São casos em que os profissionais estão acostumados e preparados a lidar. No entanto, o coordenador de enfermagem e responsável pelo núcleo de educação permanente do Samu de Mogi Guaçu, Luis Henrique Machado, garante que qualquer pessoa pode realizar as manobras para desengasgar uma criança. Basta aprender as técnicas que, segundo ele, e o coordenador do Samu, Wagner Tadeu Cezaroni, não têm segredo algum.

Luis Henrique e Wagner reforçam a necessidade de chamar o socorro para receber orientações

Além disso, também é preciso seguir algumas orientações que podem salvar uma vida. O primeiro passo é acionar imediatamente o socorro no 192 e informar o engasgamento. O solicitante receberá, por telefone, de um médico regulador, as instruções que deve seguir para desengasgar a criança. De forma simultânea, uma ambulância é direcionada para o endereço da ocorrência. “É um momento em que o emocional fica abalado e a pessoa acaba se esquecendo de chamar o socorro, ficando com a criança parada sem saber o que fazer”, completou Machado.

Mantendo a calma e seguindo as instruções a risca, o bebê tem tudo para desengasgar e voltar a respirar. Machado explicou que a pessoa deve abrir a palma da mão dando espaçamento em um dos dedos e colocar no rosto da criança com o objetivo de manter a boca dela aberta e apoiar o seu pescoço. Em seguida, o bebê deve ser virado e apoiado no braço do adulto com uma inclinação para baixo de cerca de 10 centímetros, estando à cabeça virada para o sentido da mão. Com a posição correta, a outra mão vai se colocada no centro da escapula das costas. Basta bater cinco vezes com uma intensidade não muito forte nem muito fraca.

“A finalidade é criar uma vibração na via aérea da criança, o que vai ajudar a expelir, ou seja, colocar para fora o corpo estranho”, esclareceu o coordenador de enfermagem. Independente se a criança chorar ou não, o próximo passo é girar ela para o outro braço e entre o tórax fazer pressão com os dedos indicador e médio, também por cinco vezes. “Geralmente, na segunda ou terceira vez, o bebê vai chorar”, reforçou Machado que ainda disse que depois é necessário manter a criança em posição conforto, ou seja, segurando com as costas encostadas no peito do adulto. “Deixe o bebê chorar de 30 segundos a um minuto porque isso solta o restante da secreção. A posição vai evitar que ela volte a engasgar e até mesmo bronco aspirar o vômito, o que pode causar um dano bem maior”, pontuou Machado.

A ida ao hospital para um atendimento médico também é primordial, mesmo nos casos em que a família consegue desengasgar o bebê e tudo volte ao normal. “Ainda que parece estar tudo bem, lá na frente a criança pode desenvolver uma pneumonia, por isso, é importante ter um acompanhamento médico”. O coordenador relatou que já viveu três experiências de bebês engasgados, sendo que em dois casos, o solicitante manteve a calma e seguiu as instruções corretamente. “Quando chegamos nessas duas casas com a ambulância já ouvimos o choro da criança do portão”.

Enquanto em um dos casos, as manobras não surtiram efeito por conta do nervosismo. “Lembrando que cada segundo é precioso nesses momentos”. Sobre o caso de Eliza, ocorrido em Martinho Prado, o coordenador disse que a família fez o certo, já que a base da GCM fica próxima e tanto GCMs, quanto policiais militares e agentes de segurança são treinados para desengasgar crianças e adultos. No entanto, não procure ir direto para locais de longa distância porque a criança deve ser desengasgada nos cinco primeiros minutos, o que enfatiza a importância de realizar as manobras em casa conforme as instruções passadas por telefone. “No desespero, a família da Eliza saiu com ela, mas deu certo porque a Base era bem perto”.

PREVENÇÃO

Coordenador orienta pais a buscarem informações e cursos

O coordenador de enfermagem do Samu ainda lembra que o melhor a se fazer é prevenir o engasgamento. Com isso, ele orientou que no pré-natal as mães já devem buscar o máximo de informação possível sobre a amamentação e os seus riscos. Isso porque, o engasgamento é mais perigoso e comum em bebês de até seis meses de vida. “Nessa etapa, a criança tem a via aérea mais estreita e isso facilita o engasgo”.

Por isso, Machado explicou que o ideal é amamentar o bebê na posição conhecida como cavalinho ou sentado. “A posição facilita a deglutição. Deitada ela pode acumular o leite que pode acabar indo para a via aérea e para dentro da traqueia, o que dá o afogamento”.

Se possível, os pais também devem procurar cursos de primeiros socorros que podem ser uteis dentro e fora de casa. “Eu acredito que toda a sociedade deve ter acesso aos primeiros socorros”. Para crianças maiores, por exemplo, os riscos são com objetos e brinquedos pequenos, enquanto adultos se engasgam com alimentos. “Então em toda fase é necessário buscar informação por que as técnicas são diferentes de acordo com a idade da pessoa”, ensinou Machado.

Previous post

Novo coronavírus: Mogi Mirim tem cinco casos suspeitos

Next post

Praça das Crianças é revitalizada por voluntários