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Especial de Aniversário: Infância às margens da linha férrea

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Não é preciso muito tempo de conversa com o gerente administrativo Ronaldo Camilo de Lellis Bernardi Sínico, 56, para que lembranças tragam à tona histórias sobre Mogi Guaçu. E os relatos são contados em detalhes. É como puxar um fio e ver o novelo da memória desenrolar cenas que se passaram na área central da cidade. Tudo no tempo em que o trem era avistado do quintal da casa dos avós paternos e que cruzar os trilhos era brincadeira de criança. Época de brincar na Rua Paula Bueno calçada por paralelepípedos.

E olha que são fatos de uma história recente da Mogi Guaçu referentes ao final de 1960 até meados de 1970. O período pode não ser tão longo, mas as mudanças no cenário foram muitas. Entretanto, ainda assim há exemplares da arquitetura da época. Não originais, é fato, porém com as características principais.

É o caso da casa dos avós paternos de Ronaldo, Umbelina Ramos Sínico e Domingos Sínico. O casal residia no imóvel ao lado da antiga estação ferroviária, onde atualmente funciona um restaurante. Dali, do quintal do imóvel, o neto observava o vai e vem dos trens. “A gente brincava nos vagões vazios. Era uma festa”, conta recordando que do lado oposto da casa dos avós ficava a Coloninha e o Jardim Bela Vista.

Mais adiante havia as porteiras que tinham de ser abertas pelos pedestres que cruzavam pela Rua Paula Bueno. “Ficavam ali, onde hoje está a rotatória do Centro de Saúde. Era preciso ficar atento à passagem dos trens para evitar acidentes”, comenta Ronaldo. Mais à frente, na ponte de ferro, que ainda não tinha pavimento asfáltico porque era exclusiva aos trens, havia passagens laterais para pedestre. Nada muito elaborado. “Tinha umas tábuas de madeira para passar”, acrescenta. Era uma alternativa que havia para seguir para a Vila Paraíso.

PAULA BUENO

Vizinho já era o Clube 7 de Setembro

Ronaldo Sínico acredita que mantém viva na memória as lembranças porque teve uma infância saudável, marcada por brincadeiras na rua. Como morava à Rua Paula Bueno com os pais Arcílio Sínico, o Lilóz, e Maria Thereza Bernardi Sínico, além das três irmãs, ele presenciou algumas enchentes. E narra que muitas alagavam apenas a rua, ou seja, não chegavam a entrar nas residências. “A de 70 foi feia. Entrou muita água em casa, assim como nos vizinhos, e minha mãe com uma vizinha saíram na concha do trator”, detalha sobre uma das tantas imagens que vem à memória. Isto porque, as mulheres haviam passado por cirurgia e não podiam caminhar. A família foi se abrigar na casa de parentes em Mogi Mirim.

Nesta época, não havia muitos pontos comerciais à Rua Paula Bueno. Porém, um deles era conhecido e está por lá em funcionamento: o Clube 7 de Setembro. Ainda criança, Ronaldo e as irmãs não podiam ir aos bailes ou Carnavais, mas tinham autorização dos pais para observar o movimento da janela ou da calçada da casa. A janela de madeira era uma vitrine. “A gente ficava acompanhando tudo o que acontecia na rua”, completa.

Na Paula Bueno também ficava a antiga cadeia pública que por anos abrigou o Museu Municipal e, agora, serve de base para os agentes de trânsito. “Falo sempre que naquela época não havia maldade. A gente ficava por ali e acompanhava o que acontecia. Conversava com todo mundo”, diz. Ao lado da cadeia funcionava a antiga Cerâmica Mogi Guaçu, que ocupava todo o espaço onde hoje fica o Parque dos Ingás. Nesta época, a diversão da garotada era andar de bicicleta, jogar bete e andar de carrinho de rolimã.

                                                                                  

PADRE ARMANI

“A gente gostava muito de jogar bola na quadra da escola Padre Armani. E, como estava fechada aos finais de semana, a gente pulava o muro”, comenta Ronaldo frisando que nunca ninguém mexeu em nada. Ou seja, a única intenção era usar a quadra da escola para a diversão.

O gerente administrativo têm algumas fotografias que mostram o encantamento que tinham pela quadra. “Até meu filho eu pude levar para jogar bola lá”, relata mostrando uma das fotografias. E há muitas outras imagens no novelo de memórias, basta puxar a linha para virem à tona.

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