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Especial de Aniversário: Qual era sua turma no final dos anos 50?

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O administrador contábil e financeiro, Vitório Chiorato, 73, nasceu em Mogi Guaçu e ao longo de sua infância morou em alguns bairros com a família como o Sítio Portão, que ficava antes da Vila Miranda (atual Jardim Santa Terezinha), Vila São Carlos, Capela, Lote, Jardim Velho e no Centro, onde residiu no Cortiço do De Carli, que ficava pertinho da antiga estação.

Vitório lembra que no final dos anos 50 Mogi Guaçu tinha cerca de 10 mil habitantes na Zona Urbana e mais uns 10 mil na Zona Rural, o que significava que a maioria das pessoas se conhecia. “Havia bastante interação entre as pessoas nas praças, jardins, campos de futebol e no único Grupo Escolar que existia até então: o Padre Armani”. Segundo o administrador, bem depois, nos anos 60 é que construíram o Grupo Escolar da Capela, sendo que na mesma época, a Vila Paraíso ainda estava começando a ser povoada.

Locais e evoluções de Mogi Guaçu que o menino presenciou e jamais esquecerá, assim como os muito amigos que teve a honra de compartilhar a infância. Hoje, todos na faixa dos 70 e 80 anos. Diferente dos dias atuais, seu Vitório explicou que naquela época, os moleques tinham o costume de se juntar em turmas para brincar e utilizavam poucos brinquedos. “Poucos tinham condições de ter uma bicicleta e muitos faziam seus carrinhos de roda de pau ou de rolimãs, levavam a vida conforme podiam, mas com uma qualidade muito boa”, compartilhou o administrador.

POR REGIÕES

Arteiros da cidade

 Seu Vitório explicou que na sua infância os bairros da cidade eram poucos e cada um deles tinha sua turma de moleques. “A cidade era toda dividida. Havia os bons de bola, os bons de briga, os bons para correr e alguns que não gostavam de brincar e que preferiam estudar”. No Centro, na Rua Apolinário, tinha a turma do Hélio Miachon, cheia de meninos entre oito e 16 anos que jogavam futebol e carregavam malas de passageiros da estação de trem para casas da cidade e latas de filme para o Cine Pedrini.

O administrador também relatou que o Hélio tinha um bom time de futebol em um campinho na Rua José de Godoy onde hoje é a Clínica Guaçuana. “Lá eles também construíam cabanas de galhos e, às vezes, como uma tribo de índios “atacavam” seus inimigos com flechadas quando passavam na rua”. Nas proximidades ainda existia outra turma de menor tamanho no Centro, a turma do Pastinho do Diamantino Gaspar. Também havia a turma da Vila Martini, que se se concentrava na Rua Luiz Martini, onde havia um pequeno campinho, onde hoje é a pracinha que fica em frente ao Cerâmica Clube, e a turma do Campão formada pelos meninos que moravam perto do estádio Alexandre Augusto Camacho. “As turmas costumavam ser da pesada, com brincadeiras doidas, mas também com bons times de futebol”.

Seu Vitório pertencia a turma do Zé Canela que abrangia os moleques da Rua José de Paula, Coloninha, Pedreira e Cortiço do De Carli. “Éramos uma turma grande”. O administrador contou que a travessura preferida de alguns garotos da sua turma era pegar a rabeira do trem para ir até uns quilômetros adiante da estação, sendo que depois eles pulavam. “Certo dia, o Zé Carlos Moringa virou a chave da linha que mudava a direção do trem e ao invés do trem parar na plataforma de desembarque foi parar na segunda linha de onde desciam os passageiros”, confidenciou Vitório que contou que outros garotos iam até Mogi Mirim dentro do vaso sanitário do trem para fingir de mendigo e lá pedir esmola. “O Adriano e o Beléco de vez em quando faziam isso. Travessura de criança”. Outras turmas eram do Lote, Capela, Vila São Carlos e do Morro da Rua Chico de Paula e dos Coitinho.

Rivalidade

Seu Vitório explicou que existia muita rivalidade entre as turmas, tanto que de vez em quando elas saiam no tapa para valer. “Entre os mais exaltados e bravos que não deixavam nada para depois e que guardo na lembrança eram o Neu do Zé Bizorro, Birola, Jair Pelotada, Peri, Lilo, Cianor, Bilica e Hélio”. O administrador relatou que não fez parte apenas da turma do Zé Canela, mas que teve a oportunidade de conhecer e participar de diversas turmas. “Isso porque minha família mudou bastante de endereço”, completou Vitório que pontuou que apenas não morou no famoso lado de lá da ponte do Rio Mogi Guaçu, referindo-se a Zona Sul. Para ele, o tempo de moleque da cidade, no final dos anos 50 era assim. “Só paravam de brincar quando começavam a usar calças compridas, muitos já se foram, outros continuam fazendo parte da comunidade, alguns ainda trabalhando e a maioria aposentada, foi muito bom nascer em Mogi Guaçu e conhecer todas essas turmas de molecada, meus grandes amigos”, finalizou.

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