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Família arrecadou alimentos e guloseimas

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Assim que a pandemia começou a dificultar a vida dos brasileiros, a vendedora Jéssica Nogueira, 33, comentou com o marido o tanto que se sentia abençoada pelo fato dos dois serem vendedores e não terem, mesmo em meio a uma crise mundial, tido falta de nada em casa. Com isso, Jéssica disse que falou para o marido que eles precisavam fazer alguma coisa para ajudar as pessoas que estavam passando por dificuldades. Na manhã do dia seguinte, Jéssica recebeu uma mensagem da cunhada Ana Clara Bueno dizendo que tinha pensado em fazer uma ação solidária. “Ela perguntou se eu poderia ajuda-la, já que eu conheço bastante gente por conta do salão e da loja”, contou a vendedora. A partir daí, as cunhadas decidiram que iriam pedir doação de alimentos básicos, como arroz, feijão, óleo e fubá, além de leite e produtos de higiene para distribuírem para as famílias necessitadas. Jéssica colocou o endereço do salão de beleza do pai, o La Belle Face, que fica no Jardim Presidente, como sendo o ponto de arrecadação e as duas estabeleceram o dia 2 de maio como sendo o dia D das doações que foram recebidas no esquema drive-thru para manter todos em segurança.

Mãe de duas meninas, uma de 2 e outra de 9 anos, Jéssica contou que sabe muito bem como as crianças pedem por uma guloseima, como bolacha, salgadinho e iogurte durante o dia, ainda mais agora, em tempos de quarentena em que se tem que ficar dentro de casa. Por essa razão, a vendedora também passou a pedir a doação de itens como estes. “Fiquei imaginando como tem sido para as mães que infelizmente não têm a mesma oportunidade. Eu tenho uma menina de 2 anos que o dia todo me pede um doce ou um salgadinho e com certeza para muitas mães os filhos pedem as mesmas coisas, mas, pela situação, entre comprar um pacote de bolacha e um pacote de arroz é óbvio que ela vai comprar o arroz”, enfatizou Jéssica.

O resultado do dia D feito pelas cunhadas foi um sucesso. Foram mais de 500 quilos de alimentos arrecadados, além de leite, refrigerante e produtos de higiene e limpeza. “Conseguimos doar quase 40 cestas muito bem montadas”, completou a vendedora. Além disso, Jéssica e Ana Clara arrecadaram muitos pacotes de bolachas, caixas de bombom fechadas e bandejas de iogurte. “Foi muito legal e quanto às guloseimas a gente observou que quem doou foram mulheres que são mães, que sabem como é difícil ter uma criança pedindo”, pontuou a vendedora que informou que as arrecadações continuam. “Ainda temos muita gente mandando mensagem para dizer que precisam de alimento, então, ainda estamos arrecadando e vamos encaminhar para essas famílias que estão precisando”. Jéssica informou que as famílias beneficiadas foram indicadas a elas por uma amiga que já trabalha com ações sociais, tendo como exemplo famílias do Residencial Floresta, em Mogi Mirim.

Gratidão

Depois da ação, a vendedora disse que o mais legal foi poder ver como o povo brasileiro, apesar de ser sofrido e ter fama de malandro, é um povo formado por pessoas extremamente generosas. “As pessoas nos ajudaram tanto doando um quilo quanto uma cesta completa”, frisou Jéssica que também relatou que jamais se esquecerá da honestidade de um senhor humilde que mora no Jardim São Pedro. Ele estava na lista de quem tinha pedido por uma cesta. “Quando a voluntária Lucimara Anastácio, que é minha tia e também participou da ação, foi levar os alimentos ele falou que ela poderia doar a cesta para outra família que precisasse mais porque naquela semana ele tinha conseguido um trabalho”, compartilhou a vendedora.

Jéssica ressaltou que, mesmo em meio ao caos, ainda é possível encontrar pessoas extremamente generosas e que querem ajudar o próximo. “O amor é o que realmente nos move. Foi uma ação muito gratificante, um dia que eu vou guardar pelo resto da minha vida e eu espero sempre poder estar do lado de quem pode ajudar e não do lado de quem precisa de ajuda, mas nós nunca sabemos do dia de amanhã”, concluiu a vendedora.

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