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Home Office: Disciplina e organização são aliadas

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A atividade conhecida como home office já era uma opção de muitos profissionais, mas em tempos de pandemia outros tiveram que migrar temporariamente para este sistema como forma de manter o trabalho em dia. Aqueles que estão “debutando” revelam a necessidade de adequações e não apenas de horários.

No caso da nutricionista Josieli da Rosa Souza o novo sistema também precisa considerar a ética no atendimento, preservando o paciente. Optou por permanecer na clínica, mantendo os atendimentos por WhatsApp. E, além do trabalho, a profissional tem que ajudar o filho mais novo Vitor Hugo, 6, nas tarefas da escola.

Trabalhando no setor de compras de uma empresa em Holambra (SP), Gislaine de Paiva Barros também se viu diante de uma nova realidade e confessa que teve dificuldade em estabelecer uma rotina. E, assim como Josiele, ela também precisa orientar a filha Rafaela, 6, com as tarefas escolares.

VÁRIOS PAPÉIS

Nutricionista teve de se reorganizar para a nova rotina de atendimento 

Mãe, esposa, filha e nutricionista. Josieli da Rosa Souza teve de se reorganizar – e muito – para enfrentar a nova forma de trabalho: atendimento não presencial. A medida vai ao encontro da decisão do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas) diante do cenário de pandemia, declarado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) por conta do novo coronavírus. A suspensão se estende até o dia 31 de agosto.

Com a suspensão das aulas, os dois filhos de Josieli estão em casa em tempo integral e seguem com as tarefas escolares que precisam ser cumpridas. Ela é mãe de João, 15, e Vitor Hugo, 6. “O mais velho faz sozinho as tarefas, mas o mais novo precisa de ajuda e até com o computador que não sabe mexer direito”, sinaliza sobre o porquê da reorganização da rotina.

Com isto, a nutricionista retomou atendimento na última quarta-feira (1º de abril), depois de esquematizar tudo em casa. Josieli optou por ir para a clínica, mesmo sem o atendimento presencial, mantendo de lá o contato com os pacientes dentro da hora marcada, como se fosse atendê-los presencialmente. Ela explica que a medida visa à outra preocupação dela: a ética. “Posso falar com eles (pacientes) com total privacidade, escrever as orientações, fotografar e enviar”, diz sobre a importância deste zelo.

Mas há alguns procedimentos que a nutricionista não poderá realizar à distância, como a antropometria (peso e estatura). Diante da situação de pandemia, Josieli diz ser preciso focar na saúde do paciente, fazer com que não percam o foco e mantenham-se saudáveis. “Tem os hipertensos, os diabéticos, os que têm sobrepeso e também aqueles com baixo peso”, cita lembrando que a condição alimentar implica na resistência do organismo, ou seja, na imunidade.

EM ADAPTAÇÃO

Criar nova rotina de trabalho não foi tarefa tão fácil para Gislaine

Acostumada a pegar a estrada todos os dias para trabalhar em Holambra (SP), a compradora Gislaine de Paiva Barros teve dificuldade para se adaptar à nova rotina em home office. A empresa em que trabalha optou pelo sistema no último dia 23 de março e ainda não tem data prevista de retorno. O setor de flores é um dos mais afetados com a quarentena, pois os eventos estão suspensos e as vendas caíram muito com a medida.

Gislaine nunca havia trabalhado em home office e confessa que a adaptação não é fácil e, de fato, exige empenho. “O mais difícil é manter a rotina de trabalho à distância como se estivesse na empresa. E sem falar que quando estamos na empresa sempre tem alguém do lado para tirar dúvidas. Agora, fazemos isso pelo WhatsApp”, comenta.

Segundo ela, a dica de especialistas de que é preciso tirar o pijama e preparar-se como se fosse para o trabalho, é essencial. “É logico que não visto a mesma roupa que colaria se fosse para a empresa, mas não fico de pijama”, detalha pontuando que mantém a jornada como se estivesse no trabalho presencial.

A rotina muda quando chega a hora do almoço. É quando Gislaine tem que preparar a comida. O lado bom é que almoça com a filha de 8 anos, Rafaela. E, claro, também reservou o horário para as tarefas escolares da menina. A compradora foi criativa e buscou criar uma rotina de estudos. Pelo celular, ela programou um sinal sonoro – semelhante à campainha de final de intervalo escolar – assim Rafaela sabe que é chegada a hora de estudar.

Quanto ao sistema de trabalho, Gislaine relata que a equipe de TI (Tecnologia da Informação) disponibilizou todo o sistema para o acesso via home office, o que não apresentou qualquer contratempo para a equipe do setor administrativo.

ORGANIZAÇÃO

Dicas de home office com as crianças em casa

Na opinião da educadora parental Camila Antunes, é natural não saber o que fazer neste período de quarentena, afinal, a situação é inédita e desafiadora para todos. A especialista separou cinco dicas para facilitar a jornada de trabalho em casa com as crianças:

 

  1. Convoque a família para uma reunião de alinhamentos

 

Uma rotina definida garante previsibilidade e segurança para a família. Liste as suas tarefas profissionais previamente e as atividades das criança. Coloque na rotina o tempo de cada atividade. Reveja e estabeleça novos combinados para fortalecer os vínculos familiares já que todos estão no mesmo barco. As crianças adoram se envolver de maneira útil e isso desperta o senso de pertencimento delas.

 

  1. Estabeleça seu local de trabalho

É preciso deixar claro para todos que você estará trabalhando naquele espaço. Faça o mesmo com as crianças e defina o local das atividades escolares e brincadeiras. Tire o pijama, se arrume, estabeleça hora para começar e terminar e avise os membros da casa. Combine com a criança um código para momentos em que não é permitido interrupção. Pode ser uma marca verde ou vermelha na porta ou na cadeira. Essa definição é uma brincadeira por si só.

 

  1. Mantenha o bom humor e empatia

Entenda que é completamente normal e aceitável pedir um minuto da call para atender uma criança, basta ser honesto e sincero com quem está do outro lado. Com os filhos, lembre-os do que foi combinado. Isso precisa ser sempre retomado. É no exercício da parentalidade que desenvolvemos diversas novas habilidades socioemocionais como empatia, liderança empática, criatividade e negociação.

 

  1.  Considere intervalos de conexão

A atenção indevida é uma forma que a criança tem de mostrar que não está se sentindo parte. Crianças querem se sentir aceitas e estão todo tempo buscando isso de nós. Por isso é importante convidar a criança a participar na construção de uma nova rotina da casa nessa fase. Divida as tarefas e coloque intervalos para que todos fiquem juntos por alguns instantes. A técnica Pomodoro é uma ótima ferramenta nesse sentido. São 25 minutos de atividade e cinco de intervalo.

 

  1. Acolha as suas próprias emoções

Impossível acolher as emoções de alguém sem antes cuidar de si mesmo. Verbalize e reconheça os seus próprios sentimentos e inclua na rotina uma dose de autocuidado (meditação, exercício, yoga) para que consiga se equilibrar emocionalmente. Este momento é um convite para que os filhos se sintam parte da família e possam, inclusive, colaborar.

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