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Inclusão Social- AFA: a hora e a vez dos deficientes

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A AFA (Atividades Físicas Adaptadas), em Mogi Guaçu, completa 10 anos, já fez grandes avanços e obteve boas conquistas ao longo desta uma década. Mas ainda há muito que alcançar. Principalmente, o envolvimento maior de pais de alunos portadores de deficiências físicas e intelectuais na própria AFA. A resistência de alguns pais em aceitar a participação dos filhos no projeto social é percebida pelos coordenadores da AFA e lamentada pelos outros pais que já perceberam os benefícios que seus filhos tiveram após participar das Atividades Físicas Adaptadas oferecidas na rede municipal de ensino.

A AFA tem por principal objetivo mostrar aos pais que têm filhos portadores de deficiências que esta criança ou adolescente pode, sim, ser incluído na sociedade por meio da vida escolar e que a inclusão social é um direito que o deficiente tem e precisa ser conquistado.

Valéria é uma das idealizadoras do projeto
Valéria é uma das idealizadoras do projeto

A 10ª edição da AFA foi realizada na manhã desta quarta-feira (28), nas dependências do Sesi, que fica no Jardim Novo II. Foi uma única manhã, na qual cerca de 50 alunos de cada Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) na cidade compareceram para participar das Atividades Físicas Adaptadas. Tanto as crianças portadoras de deficiências físicas e intelectuais quanto as demais se envolveram na prática de atividades que foram oferecidas pelas 11 oficinas que compuseram a AFA deste ano.

A pedagoga e coordenadora da Educação Especial do município e idealizadora do projeto AFA, Valéria Otaviano dos Reis Souza, e a coordenadora de Educação Física do município, Ana Paula Vilela, acompanharam a participação e o desempenho de todas as crianças que estiveram interagindo nas Atividades Físicas Adaptadas. “Estamos satisfeitas com estes 10 anos da AFA, mas dispostas a melhorar a cada ano em busca de novidades para atrair mais pais e alunos para este projeto social de inclusão”, afirmaram.
Sesi AFA Raiane

DESTAQUE NA BOCHA
Mãe e filho, juntos, superam limites

O filho de Maria Isabel Marangoni ainda não teve o diagnóstico da doença fechado pela medicina. Mas uma certeza ela já tem: vai incentivá-lo cada vez mais a participar de práticas esportivas adaptadas. “Ele ama esportes e nos surpreendeu disputando bocha”, conta orgulhosa.

Gabriel Marangoni Ribeiro tem 16 anos e é dono de um olhar encantador e não o desvia para nada, além de mantê-lo fixo no gingado dos capoeiristas. Desde os quatro meses de vida, Gabriel já deu sinais de que era portador de uma doença rara e que precisaria de cuidados médicos especiais e intensivos. “Na hora em que peguei o Gabriel para amamentar já percebi algo diferente, avisei aos médicos e demos início aos tratamentos”, recorda Maria Isabel, que também é mãe de Rafael, de 17 anos.

Sesi AFA Maria Isabel e Gabriel filho
Maria Isabel e Gabriel defendem mais adesões à AFA

Para ela, a AFA é uma importante iniciativa para incluir as crianças deficientes junto as outras na rotina escolar e ainda é essencial para despertar o gosto pelas práticas esportivas nos portadores de deficiências. “O Gabriel nunca tinha jogado bocha, sequer sabia as regras e foi participar de um campeonato e terminou em 4° lugar, sendo que venceu os dois primeiros sets contra o atual campeão. Ou seja, é uma maneira de identificar o que ele gosta, incentivá-lo e ajudá-lo. Podemos ter futuros campeões paraolímpicos entre estes jovens”, frisa Maria Isabel.

No entanto, a mãe de Gabriel também questiona a baixa adesão de muitos pais que não incluem seus filhos deficientes nas atividades da AFA. Para ela, a ausência destes pais reforça o preconceito. “Cadê os outros pais? Poucos estão aqui. Por causa disso, também há poucos jovens deficientes participando da AFA. Essa maneira de pensar precisa mudar o quanto antes”, ressalta Maria Isabel.

Sesi AFA Gabriel

NOVAS EXPERIÊNCIAS
Alunos sem deficiência também aderem à proposta da AFA

Durante a AFA, as demais crianças – que não possuem deficiências físicas ou intelectuais – precisaram se adaptar para praticar as atividades físicas oferecidas pelas oficinas. Jogar futebol com os braços amarrados para trás, disputar uma partida de vôlei sentadas, jogar basquete locomovendo-se numa cadeira de rodas, jogar futebol de olhos vendados, enfim, são muitas as adaptações que inserem as crianças no ‘mundo’ dos deficientes. As dificuldades logo são percebidas e as tentativas de superá-las são muitas. Afinal, para quem sempre jogou futebol podendo ver para qual a direção a bola foi chutada torna-se complicado ter que guiar-se pelo som do guizo que há dentro da bola. “Essa é uma das metas da AFA. Permitir que as demais crianças também percebam que é possível praticar atividades físicas mesmo quando se tem uma deficiência. A inclusão também começa aí”, comentou Valéria.

Sesi AFA

Atualmente, Mogi Guaçu atende cerca de 300 deficientes físicos e intelectuais, porém, destes, apenas 200 possuem diagnósticos fechados. Para Valéria, derrubar o preconceito dos adultos que ainda veem a incapacidade dos deficientes é a maior dificuldade da AFA. “Na edição deste ano, por exemplo, temos cerca de 30% dos deficientes participando do evento. É um índice maior do que o ano passado, mas ainda é baixo. Precisamos convencer esses adultos de que o deficiente é capaz e precisa, apenas, ser estimulado para que se sinta incluído junto aos demais”, ressaltou.

Sesi AFA

 

 

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