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Mãe de Isis é indiciada por dois crimes

Polícia Civil encerra inquérito e denuncia Jennifer Natália Pedro por homicídio doloso e ocultação de cadáver

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Nesta sexta-feira (24), o delegado seccional de Mogi Guaçu José Antônio Carlos de Souza concedeu entrevista coletiva à imprensa para anunciar que o inquérito policial do caso da pequena Ísis Helena Rosa Schotem, de um ano e 10 meses, de Itapira, foi encerrado pela Polícia Civil, na quinta-feira (23). A delegada titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Edna Salgado Martins, e o delegado titular da delegacia de Itapira, Anderson Cassimiro de Lima, que também estavam responsáveis pelas investigações do caso de desaparecimento que terminou com a confirmação da morte de Ísis Helena, acompanharam o seccional nos esclarecimentos prestados aos jornalistas de toda a região.

Souza informou que Jennifer Natália Pedro, 21, mãe de Ísis Helena, foi indiciada pela Polícia Civil por homicídio doloso, quando há a intenção de matar, e ocultação de cadáver. “Ela tinha o dever de cuidar da criança e ela não cumpriu o dever dela”, enfatizou o delegado. Seguindo a mesma linha da Polícia Civil, o Ministério Público de Itapira também indiciou Jennifer pelos mesmos crimes. A prisão preventiva de Jennifer que, no último dia 17 foi presa temporariamente por cinco dias, foi decretada pela Justiça no final da tarde desta sexta-feira.

O delegado seccional informou que a mãe de Ísis Helena está presa na penitenciária feminina de Mogi Guaçu, que atendeu um pedido dele por tratar-se de um caso que ganhou repercussão nacional. Isso porque, o sistema não recebe prisões temporárias. “Queremos encaminhar ela para a unidade de Tremembé para ficar até o julgamento”, completou Souza. Com relação à participação de outra pessoa na morte da criança, o delegado explicou que as investigações concluíram que Jennifer agiu sozinha o tempo todo e que a mãe dela não sabia que a filha estava mentindo. “Se houvesse outra pessoa, isso já teria sido levantado nas investigações que são feitas com informações”, pontuou Souza que enfatizou que ela deverá ser julgada em júri popular.

CONFISSÃO

Jennifer já tinha sido denunciada por maus-tratos

Durante a coletiva, o delegado seccional José Antônio Carlos de Souza explicou que Jennifer Natália Pedro permaneceu em silêncio no dia em que foi presa. Porém, no dia seguinte, ela contou para agentes da penitenciária o que realmente tinha feito com a filha e, em seguida, pediu para chamar a polícia, pois queria contar toda a verdade. Com isso, Souza reafirmou as informações passadas em nota na última segunda-feira (21) pela Secretaria de Segurança Pública do Estado dando conta que Jennifer confessou que no dia 2 de março deu Ibuprofeno para a filha porque ela estava com febre. Depois, pela madrugada, ela relatou que a bebê tomou uma mamadeira e voltou a dormir, sendo que ao acordar, às 06h15, a filha estava gelada e com espuma de leite em sua boca.

Pelo relato, Jennifer viu que Ísis estava sem vida, colocou o corpo dela em uma mochila e deu um fim no corpo da filha ao jogá-lo no Rio do Peixe, que fica no bairro rural de Itapira conhecido como “Duas Pontes”. “Cães farejadores indicaram o cheiro da mãe e da filha no local”, informou o delegado que ainda disse que tudo o que Jennifer afirmava foi descontruído pela polícia com provas que foram juntadas, como imagens de câmeras de segurança que mostram que ela estava caindo em contradição ao dar suas explicações quanto ao que teria feito naquele dia e onde teria ido.

Em outra contradição, Jennifer tentou explicar porque tinha ido pela manhã até a região das “Duas Pontes”. “Ela falou que tinha ido fazer um piquenique na igreja do Virgulino”. No entanto, o delegado explicou que já era do conhecimento da polícia que aquele dia estava chovendo e a moto dela estava limpa. Além disso, Jennifer não tinha o hábito de sair pela manhã, apenas levava o outro filho na creche e depois voltava para casa para dormir.

Souza avaliou que a mãe da criança mostrou ser uma pessoa fria, calculista e insensível que tem mudanças em seu comportamento em fração de segundos. “Em 30 anos de trabalho, ela foi uma das mais frias que já vi”, pontuou o seccional que ressaltou que Jennifer também apontou ter um pouco de transtorno mental. Com relação ao atual discurso da mãe da bebê, o delegado disse que não é possível saber se ela ainda está mentindo. No entanto, a atitude de dar fim ao corpo da filha e não acionar o socorro causa estranheza. “O que toda mãe faria em uma situação dessas?”, indagou Souza que disse que Jennifer alega que ficou com medo do que poderia acontecer com ela. Isso porque, já era do conhecimento de muitas pessoas que ela maltratava a menina, tanto que ela já havia sido denunciada ao Conselho Tutelar da cidade. Além disso, existem registros de que o pai de Ísis e seus familiares já brigaram com Jennifer para conseguir a guarda da criança.

 

Buscas

Em sua versão de confissão, Jennifer conta que foi até o Rio do Peixe, se despediu da menina e a colocou nas águas. “Ela disse que primeiro o corpo afundou e depois boiou até desaparecer”, completou o seccional que informou que, agora, o delegado titular de Itapira, Anderson de Lima, estará à frente das buscas que continuam sendo feitas. “Eu tenho fé de que vamos encontrar ao menos vestígios desse corpo no rio”.

A Polícia Civil informou que no dia em que morreu, Ísis Helena usava um body cor de rosa. As buscas estão sendo feitas pela equipe da Defesa Civil de Itapira e, durante as investigações, foi levantado que o rio estava cheio por conta da chuva, o que aumenta a possibilidade de encontro do corpo que pode estar fora da calha do rio, ou seja, em alguma margem. O trabalho de buscas também vai contar com a ajuda de ribeirinhos do local que vão receber cartazes com a foto da menina.

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