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Moradores pressionam para entrega das casas

As 1.400 moradias estão prontas e passam por ajustes finais para aprovação da Caixa Econômica Federal

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Fernanda, Leandro, Flávia, Joana, Thamires, Amábile, Elizangela, Luciano estão entre os 1.400 futuros moradores do Residencial Ypê Amarelo. Eles cobram uma data para a entrega das moradias, uma vez que até vistoria já fizeram nos imóveis. O empreendimento é construído com recursos do Minha Casa, Minha Vida e Casa Paulista.

Ontem (13), um grupo de moradores procurou a Secretaria de Promoção Social para buscar informações sobre a data da inauguração, uma vez que alguns deles enfrentam problemas com os locatórios das casas em que moram.

“Assinamos o contrato em julho e em outubro foi feita a vistoria. Disseram que a inauguração seria em dezembro e muita gente não renovou seus contratos e agora estamos sendo cobrados para a devolução das casas e não temos a nossa moradia entregue”, explicou uma das moradoras.

Moradores Casas Ipê AmareloNo início da semana, os moradores estiveram na frente do Residencial e conversaram com representantes da Riwenda Construções & Negócios, responsável pela construção das casas. Para eles, a falta de informação tem sido um problema. “Em dezembro começou esse jogo de empurra. A Prefeitura diz que aguarda a data, a empresa diz que a obra está pronta. Então, não entendemos o porquê dessa demora. Tem gente que está para ser despejado”, explicou outro morador.

Com a vistoria feita pelos moradores em outubro eles acreditavam que já estariam instalados nas casas em dezembro, pois foi uma previsão à época. “O próprio prefeito falou que esperava entregar as casas até o Natal e agora sem data fica difícil. Não tem posição, então, não ilude a gente”.

Os futuros moradores do Ypê Amarelo enfrentam diversos problemas pessoais, como desemprego, ordem de despejo, além de corte de energia e água. Moradoras contaram para a secretária de Promoção Social, Mariana Martini, e a responsável pelo Setor de Habitação, Ronise do Prado Tonieti, os dramas em que estão vivendo por conta da demora na entrega das casas. “O dono da casa me ameaçou e me agrediu. Precisei chamar a polícia e ele me deu prazo até o final do mês para desocupar a casa dele. Tenho quatro filhos e estamos sem água, pois ele mandou cortar. É muita humilhação”, contou uma delas.

Mariana recebeu os moradores e ressaltou que a Prefeitura tem acompanhado de perto a situação dos moradores, porém a obra não é de responsabilidade do município. “A obra é da Caixa Econômica e a responsável é a construtora. Nós fizemos a seleção e acompanhamos o caso, mas foge da nossa responsabilidade agendar a entrega. O prefeito (Walter Caveanha) tem feito gestão junto ao banco para acelerar o processo”, explicou a secretária.

Mariana e Ronise explicaram para os moradores que os trâmites precisam ser seguidos e que a parte da Prefeitura foi feita, como a entrega do habite-se, a aprovação do projeto e o acompanhamento da infraestrutura do novo bairro. “Se a Caixa está exigindo alguma coisa nós não sabemos. A agonia de vocês é também nossa. Queremos que essa inauguração seja o quanto antes”, ressaltou Mariana.

Por solicitação dos moradores, Ronise entrou em contato com a Caixa Econômica de Piracicaba, que é a responsável pelo gerenciamento do empreendimento. “O gerente geral informou que na próxima semana irá enviar a documentação para Brasília”.

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Invasão

Os moradores disseram que existe outra preocupação com relação à demora na entrega das casas: a invasão. De acordo com o grupo, já tem moradores ameaçando invadir os imóveis, pois todos já sabem seus endereços. “Nossa situação é bem difícil. Quem for despejado vai para onde? Estão ameaçando invadir lá e temos medo que isso prejudique ainda mais o processo”, comentou uma das moradoras.

Moradores Casas Ipê AmareloUm deles, bastante exaltado, disse que tem até o final do mês para sair da casa onde mora e avisou que vai ocupar a casa no Ypê Amarelo. “Estou desempregado, tenho quatro filhos e não tenho para onde ir. Já vendi o carro para comer. Não temos escolha, vamos invadir”, contou o morador que foi orientado a não tomar esse tipo de atitude, pois ela poderá comprometer a entrega das moradias.

É COM BRASÍLIA

Ajustes finais atrasam entrega de obra

A Riwenda ainda não conseguiu entregar a obra, pois a Caixa Econômica Federal solicitou que melhorias fossem feitas nas moradias. Sem citar quantas casas precisaram receber ajustes, a gerente de projeto da construtora, Eliane Duarte de Lima Geraldo, informou que uma nova vistoria foi feita por engenheiros do banco no dia 5 de janeiro.

“Os moradores já tinham feito a vistoria e tudo estava documentado, mas, mesmo assim, eles fizeram nova vistoria nas 1.400 moradias e acredito que esse é o motivo do atraso. São trâmites que precisam ser seguidos”, explicou Eliane que também participou da reunião com os moradores na Secretaria de Promoção Social.

Eliane
Eliane

“A Caixa trabalha com os olhos do governo e eles voltaram a vistoriar as moradias. Acharam que algumas coisas não estavam boas e pediram retoques. Coisas simples, mas que sem isso eles não receberiam a obra”, informou Eliane sem especificar que tipo de melhoria foi solicitada.

Eliane ressaltou que a obra está 100% finalizada, inclusive toda a parte de infraestrutura do bairro, como água, luz, esgoto, guias e sarjetas e asfalto.

Por conta da solicitação da Caixa, uma força tarefa foi criada pela construtora para que as melhorias solicitadas fossem feitas o quanto antes. “Estamos com 11 pedreiros de um lado e 12 do outro. A Prefeitura está ajudando a lavar as ruas e já tem funcionário da Caixa vistoriando as casas. Por isso, acreditamos que essa entrega seja feita ainda na segunda quinzena de janeiro”.

Após falar por telefone com representantes da Caixa de Piracicaba, a responsável pelo Setor de Habitação, Ronise do Prado Tonieti, informou aos moradores que na próxima semana Brasília já seria comunicada sobre a entrega da obra. “O gerente geral garantiu que vai indicar a obra para Brasília para que eles possam agendar a entrega”.

Moradores Casas Ipê Amarelo

Caixa Econômica

A Gazeta solicitou informações para a assessoria da Caixa Econômica Federal e ela informou que a inauguração será agendada somente após a conclusão das obras. “A Caixa Econômica Federal esclarece que a data de entrega dos empreendimentos do PMCMV é definida somente após conclusão das obras, legalização do empreendimento e aceite das concessionárias, de forma a garantir a habitabilidade. A construtora está finalizando os ajustes necessários para que seja viabilizada a entrega do empreendimento”.

Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura endossou o que já havia dito a secretária de Promoção Social, Mariana Martini. “Todo o processo relativo às 1.400 moradias do Residencial Ypê Amarelo vem seguindo os rituais habitualmente adotados pela Caixa Econômica Federal. O município não possui prerrogativa para intervir nesse processo. Não pode, portanto, isoladamente, estabelecer data para a liberação das unidades aos contemplados. Necessário reafirmar que isso cabe, exclusivamente, ao Governo Federal, através do Ministério das Cidades”.

Casas Ipê Amarelo

Moradias

O Ypê Amarelo somará 57,4 mil metros² de área construída. A previsão de investimento é de R$ 119 milhões, sendo R$ 98 milhões da Caixa Econômica Federal (Minha Casa, Minha Vida) e R$ 21 milhões do Casa Paulista. São 24,2 mil metros² de área institucional , ou seja, destinadas à ocupação de equipamentos públicos como escolas, creche e posto de saúde.

A metragem total da área loteada é de 452,8 mil metros². As casas têm 41 metros² divididos em dois quartos, sala, cozinha e banheiro, tendo sido edificas em lotes de 160 metros².

 

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