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“O Crime da Penha” vira exposição em Itapira

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“O Crime da Penha – O assassinato que transformou uma cidade e assombrou gerações” é o tema da mostra que relembra acontecimentos ocorridos em Itapira em fevereiro de 1888.  Naquela ocasião, a cidade tinha o nome de Penha do Rio do Peixe, mas o crime marcou tanto os moradores que dois anos depois, a Câmara Municipal conseguiu mudar do nome da cidade para Itapira, na tentativa de ‘apagar’ a mancha dos acontecimentos.

Mas o leitor não pense que o crime está apenas relacionado às crônicas policiais. O pano de fundo era a escravidão.  O delegado Joaquim Firmino de Araújo Cunha foi brutalmente assassinado em sua residência, na frente de sua esposa e filha. Ele foi executado sob o pretexto de ser um abolicionista e, portanto, de negar-se a buscar e prender escravos fugidos, além de esconder negros foragidos em sua casa.

Exposição O Crime da PenhaDevido à imensa repercussão do crime, os acusados foram prontamente identificados e o julgamento aconteceu alguns meses depois do crime. A lista dos réus contava com cerca de 40 nomes, entre eles, diversos fazendeiros da então Penha do Rio do Peixe. O principal acusado, entretanto, foi o médico e fazendeiro americano James Warne (ex-combatente do Exército Confederado durante a Guerra Civil Americana). Hoje, documentos comprovam que o delegado possuía escravos não libertos como sua propriedade.

Na exposição, os visitantes poderão conhecer trechos do processo, incluindo depoimentos fundamentais, como os da esposa e filha da vítima, assim como o auto de corpo de delito. Uma cópia do processo estará exposta, ao lado de documentos originais de compra e venda de escravos e atas referentes à mudança do nome da cidade, além de matérias de jornais da época.

Os famosos retratos feitos pelo desenhista italiano Ângelo Agostini para a histórica Revista Ilustrada, além de fotografias daquele período, também estarão na exposição. O Museu Municipal Histórico e Pedagógico “Comendador Virgolino de Oliveira” fica no interior do Parque Juca Mulato, região central de Itapira. A exposição fica aberta até o dia 13 de maio, data da abolição da escravatura no Brasil e encerramento da Festa de Maio em Itapira, em louvor a São Benedito, a maior e mais antiga festa negra do país.

Exposição O Crime da Penha

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