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Para dono de agência, retomada do setor será lenta

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O empresário Wilson Luis Zacariotto, proprietário de uma agência de turismo em Mogi Guaçu há 17 anos, não vende um pacote de viagem desde o dia 23 de março deste ano, quando o período de quarentena se iniciou em todo o Estado de São Paulo. A paralisação nas vendas de viagens a lazer, que até então seguiam normais, é de 100% e representa um prejuízo de 90% na rentabilidade da agência que tem a expectativa de começar uma retomada nas vendas, porém de forma tímida, em novembro.

Com a mudança repentina no cenário mundial, o empresário precisou fechar o seu estabelecimento e dar continuidade em seu trabalho no sistema home office. Para não mandar os funcionários embora, Zacariotto deu férias e realizou cadastros do governo que possibilitaram o pagamento de salários. O trabalho feito em casa foi totalmente dedicado aos pacotes de viagens que foram fechados antes da pandemia.

O empresário explicou que todas as viagens que aconteceriam no final de março, em abril e em maio foram canceladas, principalmente aquelas em grupo, que são o grande forte de sua agência. “Nós tínhamos 82 pessoas para Caldas Novas, 24 para a Disney em junho e 56 para a Europa em julho. Todas as viagens foram canceladas”, enfatizou Zacariotto. O cancelamento apresentou três propostas aos clientes. Na primeira, a empresa operadora ofereceu um crédito para o cliente fazer uma recompra após a crise. Na segunda opção, a operadora se dispôs a devolver 80% do valor pago da viagem ao cliente, tendo uma multa de 20%. Na terceira opção, que foi criada e oferecida pela própria agência de Zacariotto, o cliente que quisesse teria o valor já pago transformado em um crédito.

Com uma expectativa de retomada lenta do setor para novembro, o empresário se antecipou e já está trabalhando para trazer de volta seus clientes com a campanha “Vale viagem”, na qual o cliente pode comprar um pacote de passeio, agora, tendo um ano e meio de prazo para realizar a viagem escolhida. “Já conseguimos arrebanhar 15% dos clientes com esta ação”, pontuou o empresário. A pandemia trouxe grandes mudanças no comportamento humano, principalmente no setor do turismo. “Eu pude ver que, agora, as pessoas têm medo de viajar para o exterior, se criou um receio que não existia”, completou o dono da agência.

Aliás, o medo tem sido uma palavra muito usada pelos turistas, quando o assunto é viajar, porque as incertezas causadas pelo novo coronavírus ainda são muito grandes. Pensando nisso, o empresário vai iniciar no próximo dia 1º de julho uma série de viagens solo pelo Brasil. O objetivo do projeto “Wilson vai” é conhecer o atual cenário de alguns destinos com relação à Covid-19. “Minha ideia é transmitir aos meus clientes segurança e poder falar com propriedade como estão os pontos turísticos com relação às restrições, adequações e aos riscos do novo coronavírus”, informou. Gramado, Manaus, Nordeste e Curitiba estão no roteiro do empresário. Em outubro, a experiência será feita em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Mesmo já trabalhando em ações para vender viagens e com o projeto de visitar pessoalmente destinos turísticos pós-pandemia, Zacariotto disse que não tem uma boa expectativa de retomada do setor. “Acredito que 2020 não será fácil. Vamos trabalhar pesado para retomar em novembro e, mesmo assim, eu sinto que os clientes estão com medo de viajar”, compartilhou o empresário.

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