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Para Rodrigo Falsetti, falta diálogo

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O ano de 2019 foi marcado pelas diversas cobranças feitas pelos vereadores durante seus discursos em tribuna. Ao longo do ano, os mais variados assuntos foram discutidos, debatidos e cobrados. Alguns que continuam sem solução, como a reabertura da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no Jardim Santa Marta, além de outros pedidos simples que foram feitos por diversas vezes e não atendidos pela Administração Municipal, como as melhorias nas duas entradas do Jardim Imperial. Secretários municipais foram sabatinados, como a secretária de Educação, Célia Mamede, após as escolas municipais ficarem sem receber carne para a merenda escolar.

O presidente da Câmara, Rodrigo Falsetti (PTB), comanda a Casa de Leis até dezembro próximo, quando encerra-se o mandato dos atuais vereadores. À frente do Legislativo, Rodrigo deixou livre o acesso dos munícipes, recebeu representantes de entidades, da própria Prefeitura e facilitou o trabalho da imprensa, que voltou a ocupar seu lugar dentro do plenário e pode acompanhar as várias reuniões que foram feitas na antessala da Câmara durante as sessões realizadas às segundas-feiras.

Os vereadores até tentaram manter o discurso de união, mas o grupo de situação, na maioria das vezes, votou conforme pedia o prefeito Walter Caveanha (PTB), o que fez com que as ideias defendidas não fossem as mesmas. O grupo de oposição, apesar de ser a minoria, conseguiu fazer mais ‘barulho’, incomodar e até paralisar algumas votações consideradas importantes pelo chefe do Executivo, como os projetos que autorizaram o município a fazer empréstimos.

O ano foi da cobrança de obras e serviços que não foram feitos ou que foram paralisados ou até que foram prometidos e não cumpridos. Para o presidente da Câmara, o ano de 2020 não será diferente. Ele acredita que falta diálogo e afirma que as cobranças irão continuar. Diz ainda que mesmo sendo pré-candidato a prefeito nas eleições de outubro, o trabalho do Legislativo irá continuar de forma independente. Confira a entrevista que o presidente da Câmara concedeu à Gazeta.

 

G: 2019 foi um ano movimentado na Câmara. Na sua avaliação, qual foi o principal desafio?

R: Acho que tivemos vários desafios e vários assuntos que geraram discussões, mas digo que o mais importante foi que nós seguimos a linha do Legislativo independente, sempre debatendo a favor da população com transparência. Quando achamos que os assuntos precisavam ser mais transparentes, o prefeito esteve aqui na Câmara, como foi o caso dos empréstimos, coisa rara, pois ele mesmo afirmou que nunca tinha vindo na Câmara Municipal para prestar esclarecimentos e tirar dúvidas dos vereadores. Então, eu acho que foi o ano que o Legislativo mostrou independência. Desde quando assumi como presidente sempre deixei claro que faria uma gestão participativa e que o Legislativo seria independente. Provamos isso no caso dos empréstimos e também tivemos alguns embates e discussões relevantes, como o caso da atribuição de aulas dos professores que gerou uma polêmica muito grande. A Câmara aprovou, o prefeito vetou e ele levou para a Justiça e nós não concordamos com essa decisão. Outro tema que não concordamos foi a cobrança da taxa de religação de água do Samae, que é um projeto de minha autoria. Nós aprovamos, ele vetou, derrubamos o veto e ele entrou na Justiça para continuar com a cobrança de R$ 104. Outro tema importante amplamente discutido foi o da enchente do Jardim Santa Terezinha, além de investimentos que o prefeito fez, que é prerrogativa dele, mas nós não concordamos. Então vendo hoje no Executivo a inversão de prioridades. Nós como representantes da população não podemos nos calar. Temos que nos manifestar e foi o que fizemos no ano de 2019. Outro tema polêmico recente e que vai gerar novos embates é o aumento da tarifa do transporte público. Nós estamos aguardando a audiência pública e já nos manifestamos contra e até o momento não foi agendada a audiência pública. Vamos continuar com nossa posição contrária.

 

G: 2019 foi um ano de muita cobrança. Essa mesma postura é esperada para esse ano?

R: Cobrança foi feita e continuará sendo feita. Vamos continuar exercendo nosso papel de fiscalizador representando a população. Em janeiro estamos em recesso, mas o trabalho continua aqui na Câmara. 2020 vamos continuar na mesma pegada: cobrar, fiscalizar e cobrar principalmente aqueles financiamentos que foram aprovados e grande parte não saiu do papel. Pressionaram a Câmara para aprovação, usaram a população e nem aos projetos tivemos acesso. Dizem que estão prontos, mas não chegamos a ver, principalmente a população do Jardim Santa Terezinha. Era uma promessa antiga e não foram cumpridos os prazos dados ao longo de 2019. Então, nós vamos continuar cobrando o Executivo, principalmente com relação aos projetos dos financiamentos.

 

G: Na sua opinião, faltou transparência da Administração Municipal?

R: Na verdade o que falta hoje do Executivo é diálogo. O Executivo deixou claro que não quer diálogo com parte dos vereadores. Eles só mantém diálogo com os vereadores que eles consideram de situação e nós costumamos dizer aqui que eles nos olham como oposição e nós olhamos como situação do povo. Nós cobramos, fiscalizamos e queremos transparência do Executivo. Espero que em 2020 ele tenha um pouco de mais de diálogo com a Câmara. O prefeito não responde as indicações do Legislativo, não respondeu a nenhum oficio desse presidente. Já foram enviados mais de 30 ofícios e todos sem resposta. Acho que não é assim que faz política. O homem público tem o dever de dar o esclarecimento, de prestar contas, principalmente para a Câmara Municipal, pois nós estamos aqui representando os mais 150 mil habitantes.

G: Outra reclamação feita em tribuna foi a falta de resposta aos requerimentos. A Câmara optou por sabatinar alguns secretários. Essa postura continuará?

R: Quando eu assumi como presidente da Câmara, nós ganhamos credibilidade e força e 95% dos requerimentos foram aprovados. Já é uma grande vitória para o Legislativo, pois o prefeito perdeu força quando a base não conseguiu ficar barrando os requerimentos. Quem iria contra a população? Lógico que muitas vezes as respostas não nos convencem, mas vamos continuar reiterando as solicitações. Quanto às convocações, agora, recentemente os vereadores da base não aprovaram a do secretário de Planejamento, Luis Henrique Bueno, mas quem acaba perdendo é a própria população, uma vez que ele seria cobrado sobre o andamento das obras, como a do Jardim Santa Terezinha, loteamentos aprovados e outros assuntos.

 

G: Para os vereadores, as prioridades do Executivo não são as prioridades da população?

R: O Executivo governa de uma forma nada participativa. Não existe uma conversa com a população. Acho que o prefeito precisa dividir um pouco a responsabilidade com a população sobre quais são as prioridades: é o corredor de ônibus ou investimento na Saúde? Prioridade foi a palavra mais falada porque foi o que realmente faltou no ano de 2019 para o Executivo. Alguns investimentos nada necessário ao nosso ver e para o prefeito foram, como a faculdade de medicina, o corredor de ônibus, que se você colocar no papel foram mais de R$ 10 milhões gastos e que poderiam ter ido para a área da Saúde. Veja o Hospital Municipal está precisando de infraestrutura, está precisando de contratar médicos. Você vai no posto de saúde e tem problemas estruturais também. Segurança com problemas, educação com algumas escolas precisando de investimentos, centros esportivos que estão interditados há dois anos. Faltou prioridade para o prefeito e tudo isso porque faltou diálogo com os vereadores.

 

G: Foi um 2019 difícil com a falta de carne na merenda, atraso na coleta de galhos e entulho. O que você atribui a isso?

R: Faltou gestão. A palavra é simples e curta, mas faltou gestão porque deixar faltar carne na merenda é inadmissível, gerou um pavor muito grande nos pais, professores e essa Câmara foi cobrada a se posicionar. Visitamos as escolas, cobramos a secretária de Educação, mas nada nos convenceu. A principal palavra é falta de gestão e prioridades. Até hoje não conseguiram um local para o descarte de entulho. Então, a Administração Municipal está deixando a desejar. No ano de 2018 já dizia que os secretários deveriam mudar. Que deveria mudar algumas peças para dar aquela movimentada e o prefeito manteve a mesma equipe. Então, acho que acabou o pique de algumas pessoas e ele tinha que ter mexido no time.

 

G: Na sua opinião, tem alguma área que está sendo mais prejudicada com a falta de investimento?

R: Acho que quando o prefeito bate na tecla que ele investe uma porcentagem maior do que a lei diz que teria de investir, ele acha que já está investindo mais do que deveria. Eu não penso dessa forma. Eu acho quando a população não está sendo atendida como deveria, o investimento não está sendo feito como deveria. Ou está pouco ou está sendo mal investido. Então, é o problema de gestão. Faltou recurso para a Educação. Têm escolas sem livro didático para os alunos, tem escola com vidros quebrados, sem material esportivo, com vazamentos em salas e a Administração Municipal está gastando milhões na faculdade de medicina. Então, recursos nós sabemos que não têm de sobra, mas o que tem está investindo em lugar errado.

 

G: Você foi secretário de esportes. Que avaliação você faz dessa área?

R: Quando fui secretário de Esportes eu saí após três anos e três meses e minha única frustração foi não ter conseguido colocar para funcionar a piscina da Praça da Juventude, mas a justificativa da Secretaria de Obras é de que havia problemas no processo junto ao Governo Federal. Mas colocamos projetos na Praça da Juventude e ativamos diversas modalidades, como o taekwondo, que atende mais de 140 crianças. O que me entristeceu após minha saída é que parece que a Secretaria de Esportes foi deixada de lado. Não sei se foi para me enfraquecer para mostrar que o esporte hoje está abandonado ou se é realmente porque o prefeito acabou vendo como não prioridade. Exemplos não faltam: a piscina do Camacho dois anos e meio fechada, a piscina do Aica dois anos e meio fechada, o Centro Esportivo do Santa Terezinha mais de dois anos interditado pela própria Prefeitura e até o momento não fazer nada é uma falta de respeito com a população. Eles não veem a importância que o esporte tem. Levantamos o esporte e hoje está tudo abandonado. Vejo que fecharam a torneira para a secretária de Esportes.

 

G: Você acredita na reabertura da UPA?

R: Acredito sim até porque é um ano de eleição, infelizmente não na data que foi prometida pelo prefeito. Mas acho que antes tarde do que nunca. O vereador Luciano falou que vai reabrir em março, mas acho que seguraram para economizar. Foram levando empurrando com a barriga, mas só vai reabrir por ser ano de eleição.

 

G: 2020 é ano eleitoral. Você elencaria alguns assuntos prioritários, além da UPA?

R: A maior demanda da população é a Saúde. A gente vê a demora no atendimento. É um exame de ultrassom que demora seis meses, uma consulta com dermatologista 12 meses. Uma cirurgia de prótese de três a quatro anos, uma cirurgia de catarata que também é longa a espera, apesar que agora os vereadores enviaram emendas impositivas para a realização de cirurgia de catarata e o Executivo terá que cumprir. As principais prioridades de 2020 são algumas obras que estão previstas, como as obras antienchentes do Jardim Santa Terezinha, que já é uma angustia de mais de 20 anos daquela população. Acho que a Saúde e a Educação precisam ser o foco, mas com as prioridades sendo atendidas. Vejo os professores totalmente desmotivados, desvalorizados, principalmente por conta daquele projeto de atribuição de aula. Acho que o gestor que não respeita o professor não respeita o futuro das crianças. Por andar nas escolas tenho visto uma situação bastante precária e o descontentamento é geral entre os professores. Espero que 2020 seja um ano melhor para a Educação.

 

G: As emendas impositivas são uma novidade. Apesar da demora na liberação pelo Executivo, o saldo ainda é positivo?

R: É positivo porque as emendas impositivas deram oportunidade para o vereador, que fica mais perto da população, para poder indicar e ajudar alguns setores. É 1% do orçamento, mas é um projeto do vereador Fabinho muito importante para podermos ajudar o município. As áreas da Saúde, Educação, Esporte são ajudadas, assim como as entidades e a Santa Casa. É uma responsabilidade que o vereador tem em fazer a destinação de cerca de R$ 500 mil no ano. Em 2019, vimos o quanto as emendas são importantes, pois o Legislativo foi procurado pelas entidades e até por Secretarias, como a Secretaria de Segurança que pediu recursos para comprar viatura e armamento. Foi um ano importante para tentarmos atender as prioridades e dar esse apoio financeiro para as entidades.

 

G: O Executivo ouve a oposição?

R: O Executivo finge que não escuta parte da Câmara Municipal, mas, na verdade, nós contribuímos e muito. Quando o prefeito enviou os projetos dos empréstimos, não tinha um centavo para a Saúde e a Segurança. Após nossas críticas, o prefeito retirou o projeto, fez as mudanças, mas o projeto ainda não retornou. Mas é logico que ele não terá humildade para dizer que a ideia partiu da oposição. Ele mandou uma mensagem dizendo que a sugestão era dos vereadores de situação, mas, mesmo assim, o projeto que pede autorização para o empréstimo de R$ 10 milhões não retornou, mas nossos questionamentos foram importantes para abrir um debate e as mudanças foram feitas. Deixamos claro que aqui ele não vai dar ordem.

 

G: O trabalho na Câmara muda nesse ano, principalmente por ser ano de eleição?

R: Independentemente da minha pré-candidatura, eu sou vereador e presidente da Câmara até dezembro de 2020. Vou continuar atuando da mesma maneira. A Câmara não será palanque eleitoral, mas nossa atuação continuará, assim como as cobranças. A população está cansada da desculpa que não tem dinheiro ou que fala que vai fazer e não faz. Espero que o Executivo com a experiência que ele tem de cinco mandatos possa ter um pouco mais de diálogo. O diálogo e a transparência são importantes na política e não olhar para essa Câmara ou para esse presidente como um pré-candidato a prefeito que não pode ser atendido. Hoje, por eu ter me desvinculado do grupo e não ter apoio do PTB, então, eu acho que o Executivo fechou as portas e vejo que vai ter uma divisão e isso não é benéfico para a população. Eu não tenho um pedido particular do Rodrigo, são pedidos da população. E o prefeito tem conversado com seus secretários para não atender as demandas dos vereadores de oposição, então, a população não está sendo atendida.

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