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Presépio é o principal símbolo do Natal

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Com a proximidade do Natal muitas famílias começam a decorar as casas para a festa cada qual com sua particularidade. Na casa da família Oliveira não há comemoração natalina sem presépio. “É o que simboliza o nascimento do Menino Jesus”, sentencia o patriarca Benedito Franco de Oliveira, 79.

As 25 peças cuidadosamente embaladas foram retiradas da caixa e ganharam destaque na sala da residência do casal. E já é assim há 55 anos. E dona Benedita Xavier de Oliveira, 79, esposa de Benedito, conta que os pais dela tinham a tradição de montar o presépio. E o costume foi passando de geração em geração.

RELIGIÃO

Padre Longino incentivava as famílias a montarem o presépio

Foi nos anos 60, especificamente em 1964, que o casal Benedito Franco de Oliveira e Benedita Xavier de Oliveira comprou o presépio. Já agradava a Benedita ter um presépio para seguir a tradição dos pais e o desejo foi fortalecido com o incentivo de padre Longino Vastbinder. O pároco da igreja de Imaculada Conceição incentiva os fiéis a montarem o presépio porque se tratava do principal símbolo do Natal. E assim o casal o fez.

O presépio foi comprado na “Loja do Padre”, conhecida popularmente por este nome porque vendia artigos religiosos. Era um dos estabelecimentos mais tradicionais localizados à Praça Rui Barbosa, o Recanto. O presépio comprado pelo casal é formado por 25 peças. A filha mais velha Bernadete Franco de Oliveira, 59, tem muitas lembranças do presépio porque a montagem sempre foi feita em família, apesar de dona Benedita exigir muito zelo com as peças. A outra filha Elisabete Franco de Oliveira, 51, comenta que todos os irmãos eram envolvidos nesta tarefa realizada sempre depois do dia 8 de dezembro, data em que se comemora o Dia da Padroeira de Mogi Guaçu: Imaculada Conceição. Com isto, os filhos homens Paulo Celso Franco de Oliveira, 54, e José Eduardo Franco de Oliveira, 46, também participavam da montagem.

As filhas recordam que dona Benedita fazia a estrela de cinco pontas com o uso de papel laminado e criava um céu azul como uso de plástico. “Tudo artesanal”, destaca Elisabete comentando que os artefatos evidenciavam as habilidades manuais da matriarca. Dona Benedita sempre foi zelosa, o que justifica o bom estado de conservação das peças ao longo de tantos anos. Peça por peça é envolta em papel de seda colocada em uma caixa e guardada. “Tem o lugar dela, certinho”, acentua Benedita.

MAIS

Com o passar dos anos, o casal e os filhos foram acrescentando alguns elementos às peças originais. Assim, o presépio ganhou uma casinha de madeira, simbolizando a manjedoura. “Fui eu que fiz”, pontua – com orgulho – Benedito. Há mais sapinhos no lago que, por sua vez, é simbolizado por um pedaço de espelho, pequenas árvores de Natal e, claro, uma árvore maior que complementa a decoração.

A base da montagem é feita por um pedaço de grama artificial, fazendo com que o verde dê destaque as peças. No alto da casinha de madeira está o anjo e sob a estrutura Maria, José e Menino Jesus. E, claro, compondo o cenário os Reis Magos, alguns animais e até mesmo um pocinho.

ENSINAMENTO

Filhas mantêm a tradição e também seus presépios

O tempo passou, os filhos de Benedita e Benedito casaram, vieram os netos, bisnetos, e a montagem do presépio está sendo seguida na casa dos filhos. Bernadete e Elisabete contam que têm seus presépios e fazem questão desta representação do verdadeiro espírito de Natal: o nascimento do Menino Jesus. “Para falar a verdade, eu tenho dois”, se diverte Elisabete contando que um dos cenários as peças são com os personagens infantis.

Para as irmãs, esta continuidade da montagem do presépio é um ensinamento passado pelos pais de que a principal figura do Natal é o aniversariante. Ou seja, depois vêm árvore e os demais enfeites da casa.  Aliás, as irmãs lembram que tudo mudou muito com o passar dos anos no tocante ao material dos enfeites. As bolinhas de vidro deram lugar ao plástico, o mesmo acontecendo com as árvores que eram feitas de galhos secos revestidos de algodão. Atento, Benedito acrescenta que não tinha os enfeites que tomam conta das ruas, mas o presépio era o destaque da igreja e da casa das famílias cristãs.

A família Oliveira desmonta o presépio e guarda os demais enfeites sempre no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, conforme manda a tradição. Este ano, a montagem do presépio tem um fato ainda mais especial. Isto porque, Benedito e Benedita completaram 60 anos de casados. A data foi completada na última quinta-feira (12).

O casamento foi celebrado por padre Longino Vastbinder, o pároco que incentivava a montagem do presépio. Eles se casaram na Igreja Matriz, localizada na mesma praça da loja em que compraram o presépio. E assim começaram a formar a família.

NATAL

Significado do presépio

O presépio é uma representação do momento do nascimento de Jesus Cristo. Com o Menino Jesus na manjedoura, ao centro, o presépio apresenta o local e os personagens bíblicos que estavam presentes na hora.

A história conta que Maria e José, que seguiam viagem até Belém, precisaram parar no meio do caminho porque Maria já sentia as dores do parto. Então José achou por bem abrigar-se em um estábulo.

De acordo com fontes históricas, São Francisco de Assis montou o primeiro presépio no Natal de 1223. Foi uma forma encontrada para poder explicar claramente às pessoas mais simples como foi que esse momento aconteceu. As peças eram feitas em argila. Mas foi só a partir do século XVIII que a tradição de montar o presépio dentro das casas das famílias se popularizou – primeiro na Europa e depois em outras regiões do mundo.

Além de Menino Jesus, de Maria (mãe de Jesus Cristo) e de José (pai de Jesus Cristo), os presépios trazem alguns animais que representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu. Há ainda o anjo que anunciou a chegada do Menino Jesus, a estrela de Belém que orientou os Reis Magos (Melquior, Baltazar e Gaspar) para chegarem à manjedoura.

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